"Em ano de eleições presidenciais, a imprensa fica supervalorizada", diz Richard Stengel
"Em ano de eleições presidenciais, a imprensa fica supervalorizada", diz Richard Stengel
Atualizado em 04/05/2010 às 18:05, por
Ana Ignacio/Da Redação e Luiz Gustavo Pacete/Redação Revista IMPRENSA.
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Durante dois anos, o jornalista Richard Stengel, hoje diretor de redação da revista Time , acompanhou o dia a dia do então presidente da África do Sul, Nelson Mandela. Stengel trabalhou com Mandela em sua autobiografia produzida no início dos anos 1990, "Long Walk to Freedom" lançada recentemente no Brasil pela Editora Globo como "Os caminhos de Mandela".
Este ano, o mercado brasileiro se prepara para mais dois lançamentos de biografias de políticos feitas por jornalistas: a biografia de Marina Silva, pré-candidata à presidência pelo PV escrita pela jornalista Marília de Camargo César, e o livro sobre a vida de José Sarney (PMDB) escrito pela jornalista Regina Echeverria.
Diante desse cenário, Stengel concedeu uma entrevista à IMPRENSA por e-mail em que fala sobre a relação entre biógrafo e biografado, política e imprensa e dificuldades de produzir uma obra desse tipo. "A maior dificuldade é tentar conhecer o que realmente está dentro do homem", explicou.
Stengel não esconde em nenhum momento que desenvolveu uma relação muito forte com Mandela e diz que não se envolver com alguém que será biografado não é fácil. "Provavelmente não é possível", disse. Com passagens pela The New Yorker , T he New Republic , "Spy", e The New York Time s, Stengel tem grande experiência em cobertura política. Acompanhe alguns trechos de sua entrevista à IMPRENSA. IMPRENSA - Além do livro "Long Walk to Freedom", você também co-produziu um documentário sobre a vida de Nelson Mandela e você deixa claro que possui uma relação pessoal com ele. Comente um pouco sobre a proximidade entre biógrafo e biografado Richard Stengel - Eu não sou exatamente um biógrafo e eu não tinha a pretensão de ser objetivo. O Nelson Mandela é alguém que tem tido uma importância enorme em toda a minha vida e eu tenho fortes sentimentos por ele. Então eu não sou imparcial.
IMPRENSA - O fato de você ser um jornalista e sua experiência em jornalismo político muda alguma coisa no momento de fazer uma biografia de uma personalidade pública? De que forma? Stengel - O fato de eu ter feito cobertura de políticos americanos por muitos anos me ajudou a entender as razões dos políticos em agir da forma como agem. E Mandela é um senhor político. Mas esse é apenas um lado dele.
IMPRENSA - Você fez um livro sobre um político, e mais do isso, sobre uma figura importante e emblemática não só para a África do Sul. Isso dificultou o processo? Stengel - De certa forma é mais difícil escrever sobre alguém que todo mundo pensa que já conhece. Mandela é tão familiar para as pessoas...Mas meu objetivo era mostrar lados dele que ninguém nunca tinha visto.
IMPRENSA - Você deu aula sobre políticos e a imprensa na Princeton University. Como você vê essa relação atualmente? Stengel - Eu acho que o poder da mídia em relação à política continua a crescer. Eu não acho que isso é uma coisa boa. Acho que é frustrante para os políticos também.
IMPRENSA - O Brasil está em ano eleitoral. A relação de políticos e mídia em períodos como esse, tende a mudar muito? Stengel - A imprensa efetua sim uma influência vital nos direitos públicos, mas em anos de eleições presidenciais, nós podemos ficar um pouco supervalorizados e competitivos.
IMPRENSA - Algumas biografias de políticos serão lançadas no Brasil esse ano. Você acredita que isso possa ser uma estratégia e que possa influenciar a opinião pública? Stengel - Sim. Os políticos tendem a lançar biografias um ano antes de concorrer a algum cargo. Eles querem tentar se definir, antes que a imprensa e seus oponentes o façam por eles.
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| Divulgação |
| Richard Stengel |
Este ano, o mercado brasileiro se prepara para mais dois lançamentos de biografias de políticos feitas por jornalistas: a biografia de Marina Silva, pré-candidata à presidência pelo PV escrita pela jornalista Marília de Camargo César, e o livro sobre a vida de José Sarney (PMDB) escrito pela jornalista Regina Echeverria.
Diante desse cenário, Stengel concedeu uma entrevista à IMPRENSA por e-mail em que fala sobre a relação entre biógrafo e biografado, política e imprensa e dificuldades de produzir uma obra desse tipo. "A maior dificuldade é tentar conhecer o que realmente está dentro do homem", explicou.
Stengel não esconde em nenhum momento que desenvolveu uma relação muito forte com Mandela e diz que não se envolver com alguém que será biografado não é fácil. "Provavelmente não é possível", disse. Com passagens pela The New Yorker , T he New Republic , "Spy", e The New York Time s, Stengel tem grande experiência em cobertura política. Acompanhe alguns trechos de sua entrevista à IMPRENSA. IMPRENSA - Além do livro "Long Walk to Freedom", você também co-produziu um documentário sobre a vida de Nelson Mandela e você deixa claro que possui uma relação pessoal com ele. Comente um pouco sobre a proximidade entre biógrafo e biografado Richard Stengel - Eu não sou exatamente um biógrafo e eu não tinha a pretensão de ser objetivo. O Nelson Mandela é alguém que tem tido uma importância enorme em toda a minha vida e eu tenho fortes sentimentos por ele. Então eu não sou imparcial.
IMPRENSA - O fato de você ser um jornalista e sua experiência em jornalismo político muda alguma coisa no momento de fazer uma biografia de uma personalidade pública? De que forma? Stengel - O fato de eu ter feito cobertura de políticos americanos por muitos anos me ajudou a entender as razões dos políticos em agir da forma como agem. E Mandela é um senhor político. Mas esse é apenas um lado dele.
IMPRENSA - Você fez um livro sobre um político, e mais do isso, sobre uma figura importante e emblemática não só para a África do Sul. Isso dificultou o processo? Stengel - De certa forma é mais difícil escrever sobre alguém que todo mundo pensa que já conhece. Mandela é tão familiar para as pessoas...Mas meu objetivo era mostrar lados dele que ninguém nunca tinha visto.
IMPRENSA - Você deu aula sobre políticos e a imprensa na Princeton University. Como você vê essa relação atualmente? Stengel - Eu acho que o poder da mídia em relação à política continua a crescer. Eu não acho que isso é uma coisa boa. Acho que é frustrante para os políticos também.
IMPRENSA - O Brasil está em ano eleitoral. A relação de políticos e mídia em períodos como esse, tende a mudar muito? Stengel - A imprensa efetua sim uma influência vital nos direitos públicos, mas em anos de eleições presidenciais, nós podemos ficar um pouco supervalorizados e competitivos.
IMPRENSA - Algumas biografias de políticos serão lançadas no Brasil esse ano. Você acredita que isso possa ser uma estratégia e que possa influenciar a opinião pública? Stengel - Sim. Os políticos tendem a lançar biografias um ano antes de concorrer a algum cargo. Eles querem tentar se definir, antes que a imprensa e seus oponentes o façam por eles.
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