Em ano de Copa, veículos iniciam preparativos para cobertura das eleições 2014

O próximo ano será agitado para o Brasil. Além da Copa do Mundo sediada no país, as eleições presidenciais vão movimentar a população. Muitos veículos já se preparam para a cobertura da disputa, que deve ter como principais protagonistas a atual presidente Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

Atualizado em 19/11/2013 às 17:11, por Edson Caldas* e Igor dos Santos*.

IMPRENSA conversou com algumas publicações para conhecer suas estratégias para cobertura da corrida eleitoral.
Crédito:Agência Brasil Corrida eleitoral em ano de Copa do Mundo é desafio para os veículos
Rede Record confirmou que está montando equipes de setoristas para a cobertura das eleições 2014. Nesse primeiro momento, a emissora tem realizado reuniões de briefing dos debates e da preparação de entrevistas dos candidatos nos telejornais. O canal reforça a realização de debates em diversas cidades, além de sabatinas na Record News.
Além de realizar a cobertura “de praxe”, a rádio CBN pretende acompanhar os principais candidatos aos cargos executivos (governos de Estado e presidência), fazer sabatinas com os postulantes aos cargos, bem como realizar seminários sobre os temas mais relevantes na disputa estadual (como educação, saúde, transportes, segurança). A emissora ainda pretende fazer reportagens de campo nos Estados e no Distrito Federal, bem como ficar mais ativa nas redes sociais.
“A cobertura tem que ter o DNA da CBN e se caracterizar pela isenção, pela independência, pelo apartidarismo, abrindo espaço para a pluralidade de opiniões e posições”, diz Mariza Tavares, Diretoria Executiva de Jornalismo da CBN.
A editoria de política de O Estado de S. Paulo já começou a entrar no clima das eleições. O jornal tem feito avaliações internas sobre equipe e eventuais reforços para o trabalho durante as eleições. Também está em curso um planejamento específico para a área digital. Em dezembro, o veículo deve ter definições mais claras sobre alguns aspectos da cobertura. Por enquanto, seus repórteres estão orientados a fazer as coberturas atuais com olhar na sucessão de 2014.
Apesar disso, a editora de política do Estadão , Malu Delgado, afirma que “não há fórmulas fixas para uma cobertura”, mas "o compromisso do jornal e de seus repórteres e jornalistas com a ética, com a busca por todas as versões de um fato. Isso numa cobertura, sobretudo presidencial, é fundamental.”
O portal de notícias Terra tem tradição de noticiar esses eventos online e afirma que pretende se revezar nas coberturas da Copa do Mundo e eleições, da mesma forma que fez este ano com a Copa das Confederações e as manifestações de junho, que se estenderam pelo país contra o aumento das tarifas do transporte público.
Luciane Aquino, CMO (Chief Media Officer) global do Terra, diz que a Copa do Mundo interfere na “complexidade do cenário” e aumenta a dificuldade na cobertura da corrida eleitoral. No entanto, ela reitera que o Terra cobrirá as eleições com “eficiência e rapidez”, sempre focado na web.
Record reafirma a importância do ano de 2014 para o Brasil, quando o país terá “um processo eleitoral que abrange diversos níveis”. “Portanto, teremos que estar atentos à eleição para Presidência, Governos Estaduais, deputados federais e estaduais e senadores.”
Para Mariza, da CBN, a militância em redes sociais deverá ser o dado novo e mais desafiador da campanha de 2014. “Infelizmente, há um grande risco de haver linchamento digital envolvendo candidatos, partidos e mídia; e será preciso muito equilíbrio para lidar com a pressão que sempre existe com tantos interesses em jogo”.
A editora de política do Estadão reforça que os “repórteres de política precisam ter muito bom senso e malícia para não serem utilizados por fontes”. Ela ainda afirma que o maior desafio de uma eleição “é fazer do jornal um instrumento efetivo de comunicação com o eleitor, responder às suas inquietações de cidadão, colocar na ordem do dia debates de fato relevantes e contemporâneos”.
Já a CMO do Terra, acredita que o maior desafio da cobertura será manter a neutralidade. "É necessário permitir que as diversas vozes tenham espaço no nosso veículo. Inclusive, a voz do eleitor, que é o grande protagonista de uma eleição".
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves