Elio Gaspari elogia cobertura da imprensa sobre o caso "Panama Papers"

Em sua coluna publicada nesta quarta-feira (6/4), na Folha de S.Paulo, o jornalista Elio Gaspari, destaca a cobertura feita pela imprensa noescândalo "Panama Papers".

Atualizado em 06/04/2016 às 15:04, por Redação Portal IMPRENSA.

(6/4) na Folha de S.Paulo , o jornalista Elio Gaspari, destaca a cobertura feita pela imprensa no escândalo "Panama Papers". Para ele, em meio à uma época na qual se discute a crise dos veículos de comunicação, o caso mostrou, mais uma vez, que o "jornalismo é imortal".
Crédito:Divulgação Gaspari enalteceu reportagem sobre denúncia de corrupção global
O colunista reforça que, durante seis meses, 376 profissionais de 109 redações em 76 países debruçaram-se sobre o banco de dados com 11,5 milhões do escritório panamenho de advocacia e consultoria Mossack Fonseca e "estremeceram a banca e a política mundiais com seus achados", sem qualquer vazamento.
"O jornalismo não acaba porque se transforma. Sabe-se lá quando ele começou. Talvez tenha sido quando um macaco fez sinal para outro avisando que havia um leão atrás do arbusto. Quando seu negócio é a notícia, torna-se imortal", defende.
Gaspari relembra o primeiro passo da investigação, quando uma fonte ainda não identificada entregou ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung o arquivo com dados sobre as operações do escritório panamenho de 1977 a dezembro de 2015. O diário adotou como parceiro o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), que, para ele, inovou ao formar equipes para avaliar as informações e guardar o conteúdo com os seus colaboradores.
"Numa ironia geográfica, o escândalo do século 21 veio do Panamá. Durante anos, "Panamá" foi sinônimo de roubalheira por causa de outra armação de políticos, bancos e empreiteiras na construção do seu canal, no século 19. O caso explodiu a política francesa. Na origem, como hoje, havia um jornalista", opina.
Por último, cita a equipe brasileira que integra o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos: Fernando Rodrigues (colunista do UOL e membro do conselho da instituição), José Roberto de Toledo ( O Estado de S. Paulo ), Daniel Bramatti (O Estado de S. Paulo), Rodrigo Burgarelli (O Estado de S. Paulo), Guilherme Jardim Duarte (Estadão Dados), Isabela Bonfim )O Estado de S. Paulo), André Shalders (UOL), Douglas Pereira (UOL), Mateus Netzel (UOL), Diego Vega (RedeTV!) e Mauro Tagliaferri (RedeTV!).
Efeitos na mídia
Após a repercussão do caso, o governo chinês decidiu censurar reportagens e publicações nas redes sociais sobre o envolvimento de líderes do país. Apenas blogs e redes sociais informaram sobre o escândalo ao traduzir as denúncias em outros idiomas.
O site americano Chine Digital Times, que monitora a imprensa no país, divulgou um comunicado oficial em que o governo dá instruções sobre como censurar as notícias e menções ao caso. "Encontrar e deletar republicações e reportagens sobre o 'Panama Papers'. Não dar continuação a conteúdo relacionado. Se material da imprensa estrangeira atacando a China for encontrado em qualquer site, ele será tratado com severidade", diz um trecho do documento.

Na última terça-feira (5/4), a revista eletrônica Inkyfada, da Tunísia, foi atacada por hackers e ficou temporariamente fora do ar, após ter divulgado notícias sobre o "Panama Papers", envolvendo cidadãos do país.