Eles também são da família - Eliane Ferreira/Uniderp
Eles também são da família - Eliane Ferreira/Uniderp
Cada vez mais carentes de amizade e afeto, as pessoas buscam nos animais de companhia, principalmente os cães, a solução para a quebra de rotina no convívio familiar, ou até mesmo a solidão. Agora, toda decisão os inclui, inclusive no que diz respeito ao orçamento familiar, onde são definidos os gastos com rações, vacinas, produtos de higiene canina e indumentária.
A escolha do nome para os cães passou a ser bem mais discutida entre os membros da família e cada um quer ser o mais criativo possível.
Antigamente, ser chamado de Duque, Dragão, Barão, Bob, Laica, Princesa ou Lessie estava de bom gosto. Hoje, a intimidade humano/cão está maior e as escolhas também: Babí, Priscilla (com dois "L", hein!), Natasha, Lolita, Tony, Jéssica, entre outros figuram nas opções, que podem variar também com nomes carinhosos.
Os casais com os filhos já adultos, ou aqueles que não os tiveram, adotam os cães como o caçula da casa. O mais curioso é o tratamento quase humano que eles recebem ao subir em camas, quando assistem TV juntos na sala, ou dividem a taça de sobremesa.
Certos donos afirmam que conseguem realmente conversar com seus animais de estimação e mais: conseguem entender tudo e vice e versa. Este é o caso da dona de casa Maria das Graças Alencar. Ela conta que sua cachorra, Babí, só falta falar quando está com fome. "Ela sabe o que estou cozinhando pelo cheiro e fica impaciente até ganhar o seu "papá". Ela adora comer frango e ainda é minha companhia fiel", diz sorridente, apesar de concordar que as rações são a dieta mais indicada para os animais.
Sheila Maria Rezende Perez, médica veterinária, há 18 anos, explica que os animais são muito leais e dão carinho sem interesse, sem esperar nada em troca. "Isto é próprio da índole do animal e tudo que nós aconselhamos aos donos eles fazem porque sabem que terão amigos verdadeiros, de 13 a 14 anos em média". Já Cristina Santiago, responsável pela estética dos animais, completa dizendo que eles são todos acostumados e gostam de receber este carinho. "Eles estão muito humanizados. Sabemos até através do latido o que estão querendo".
Casos reais - Colosso, um poodle de quatro anos, é um exemplo de cachorro único na vida de uma família. A proprietária, Valéria Zandona, não esconde que ele é o "bebê" da casa, já que todos os quatro membros da família são adultos. "Ele transmite muita alegria para todos nós. Além disso, não dá muito trabalho porque não gosta de usar roupinhas, só a gravatinha", diz. Já Piti, uma poodle de cinco anos, é exatamente ao contrário. Ela gosta de tudo aquilo que uma cachorra tem à disposição no mercado. Um guarda-roupa completo, babador, toalha, calcinhas, vasilhas exclusivas e ainda o direito de dormir na cama de sua proprietária, Fátima Ayube. "Ela é super vaidosa e como não tivemos filhos, a Piti é a nossa criança", explica Fátima, toda orgulhosa.
Fofucha (uma bassê hound, de um ano e três meses) e Luna (uma sharpei, de 10 meses) são a alegria de Tânia Albuquerque Youssef e sua família. As duas têm lugar garantido em todos os cômodos da casa, inclusive uma vista panorâmica da vizinha, através da sacada da residência. As funcionárias também as tratam como os "bebês" da casa, com direto à conversas e paparicos. "Nosso filho mais novo tem 20 anos, então as duas acabam sendo as eternas crianças, por serem praticamente dependentes de nós", diz Tânia que divide, ainda, seu tempo como comerciante.
O médico veterinário Orlando Pedro Filho, explica que o fato do cão ser considerado o melhor amigo do homem é levado muito a sério pelos proprietários. Segundo ele, esta relação é bastante saudável porque envolve carinho e companheirismo. "O difícil é quando vemos, por exemplo, animais com orelhas e rabos cortados por pessoas sem conhecimento de causa. Além disso, muitas pessoas os adotam bonitinhos e quando eles ficam doentes são dispensados nas ruas", lamenta.






