"Eles eram a alma do jornal", diz diretor da "Charlie Hebdo" sobre mortos em atentado

Cartunista Laurent Sourisseau, conhecido como Riss, sobrevivente do atentado à revista Charlie Hebdo, está SP a convite da Ab

Atualizado em 03/07/2015 às 10:07, por Redação Portal IMPRENSA.

O cartunista Laurent Sourisseau, conhecido como Riss, sobrevivente do atentado à revista , está em São Paulo (SP) a convite da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Ele discutirá a liberdade de expressão no próximo sábado (4/7), durante evento promovido pela entidade.
Crédito:Wikimedia commons Laurent Sourisseau releva dificuldades em continuar trabalho na revista após atentado
Riss levou um tiro no ombro na ação de terroristas islâmicos que deixou 12 mortos da revista satírica de Paris, em janeiro deste ano. Após a tragédia, ele virou diretor da publicação e conta com 13 policiais federais, que se revezam para fazer sua escolta durante a estadia pelo Brasil.
Na última quarta-feira (1/7), ele participou de um jantar do festival de humor Risadaria, na casa do idealizador do evento, o jornalista Paulo Bonfá. Em entrevista a Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo , o cartunista falou sobre o desafio de liderar a publicação sem os colegas.
"Associo tanto a Charlie às pessoas que morreram que é difícil agora pensar no jornal sem eles. É triste saber que não vou vê-los mais. Eles eram a alma do jornal. Agora, nós nos sentimos obrigados a fazer o jornal. Não podemos dar razão para aqueles que nos atacaram. Não é nada confortável fazer um trabalho em que somos o tempo todo alvo de pessoas agressivas, que querem o nosso fim. Mas, por outro lado, há milhares de pessoas que esperam ler o jornal. Ficamos entre os dois extremos. É desconfortável", declarou.
Riss destacou que a Charlie recebeu muitas doações em dinheiro após o ataque. A verba foi repassada para as famílias das vítimas. O jornal ficou apenas com o dinheiro das vendas. Atualmente, são 120 mil exemplares vendidos nas bancas e 200 mil assinantes. "Acho que pode baixar mais um pouco. Muitas pessoas compram a Charlie mas não a conhecem. Muitas descobriram e gostaram. Outras não gostaram de jeito nenhum", revelou.
Ao comentar sobre a alegada pressão contra humoristas de defensores do "politicamente correto", Riss afirmou que é importante conseguir explicar o que está na ilustração. "O desenho precisa dizer alguma coisa. Senão você cai na vulgaridade e na grosseria sem nada atrás. Precisa causar riso e impacto. Rir é refletir. Meu primeiro trabalho é escrever, escrever e escrever para encontrar a ideia. Depois eu desenho. O desenho satírico é a articulação entre o texto e o visual", acrescentou.
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