“Ela pode não sobreviver ao inverno”, diz irmão de jornalista chinesa presa por cobertura em Wuhan
O irmão da advogada e jornalista independente Zhang Zhan, presa em Xangai pelo governo chinês por cobrir o início da pandemia e o confinamento em Wuhan no começo de 2020, disse que ela corre risco de morte como resultado de meses de greve de fome.
Atualizado em 05/11/2021 às 16:11, por
Redação Portal IMPRENSA.
Além de Zhang Zhan, pelo menos outros três jornalistas independentes (Chen Qiushi, Fang Bin e Li Zehua) estão detidos por cobrir de forma independente o início da crise pandêmica em Wuhan.
Tendo feito uma série de vídeos mostrando em primeira mão e sem censura estatal o que acontecia na primeira cidade do mundo que detectou casos de covid-19, a jornalista foi condenada no fim de 2020 a quatro anos de prisão por "provocar distúrbios da ordem pública". Tal acusação é frequentemente feita pela China a dissidentes políticos. Crédito:Reprodução Ativista protesta contra prisão da advogada e jornalista independente chinesa Zhang Zhan
Logo após a condenação, Zhan declarou-se em greve de fome. Segundo apuração da AFP, há vários meses ela é alimentada contra sua vontade, por sondas nasogástricas. Nas últimas semanas, porém, sua saúde teria ficado mais frágil. Segundo o irmão da jornalista, ela "pode não sobreviver ao inverno".
Os vídeos que levaram a sua condenação foram gravados em fevereiro de 2020, quando ela viajou de Xangai, onde vive, a Wuhan, metrópole de 11 milhões de habitantes, com o propósito inicial de mostrar o confinamento na cidade.
Mas ela acabou registrando também o caos no sistema de saúde local. Há relatos de que as imagens de pacientes em um corredor lotado de um hospital teriam irritado especialmente as autoridades chinesas.
Diante da notícia do agravamento do estado de saúde da jornalista, entidades como a Anistia Internacional e a Repórteres Sem Fronteiras reforçaram os pedidos por sua libertação. Mas a família de Zhan sequer tem conseguido autorização para visitá-la na prisão em Xangai.





