Egito julgará jornalistas da Al Jazeera por ajudarem "organização terrorista"

O Egito julgará um australiano, dois britânicos e uma holandesa por auxiliarem 16 egípcios pertencentes a uma "organização terrorista&q

Atualizado em 30/01/2014 às 10:01, por Redação Portal IMPRENSA.

O Egito julgará um australiano, dois britânicos e uma holandesa por auxiliarem 16 egípcios pertencentes a uma "organização terrorista", revelou a procuradoria pública, na última quarta-feira (29/1), apontando os quatro como correspondentes da Al Jazeera.


Crédito:Reprodução Peter Greste é um dos jornalistas acusados de ajudar a Irmandade Muçulmana
De acordo com a Reuters, três dos jornalistas da emissora, o australiano Peter Greste; o egípcio-canadense Mohamed Fahmy; e Baher Mohamed foram detidos no Cairo em 29 de dezembro e permanecem sob custódia.

Em comunicado, o procurador disse que os quatro publicaram "mentiras" que afetaram o interesse nacional e que teriam oferecido dinheiro e informações para 16 repórteres egípcios. Além disso, foram acusados de usar equipamento de transmissão não licenciado.

Os profissionais do país também serão julgados por integrarem uma "organização terrorista", aparente referência à Irmandade Muçulmana, que tem protestado contra o governo desde que o Exército destituiu o presidente Mohamed Mursi.

EUA condena medida

O governo dos Estados Unidos condenou o que qualifica como uma "atroz falta de respeito" do executivo egípcio contra a liberdade de imprensa e exigiu que a promotoria do país reconsidere a decisão de julgar os 20 jornalistas acusados de publicar notícias "falsas".

"Estamos alarmados pelos relatórios de hoje que mais jornalistas enfrentam acusações, incluídos os da Al Jazeera". Qualquer jornalista, seja qual for sua afiliação, não deve ser alvo de violência, intimidação ou ações legais politizadas", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki.

Segundo a EFE, a Procuradoria Geral do Egito ordenou a alteração, para uma corte penal, do caso contra os jornalistas da emissora. A porta-voz disse que a "falta de liberdade de expressão e de imprensa" é um problema que há muito tempo atinge o Egito e pontuou ao governo interino "a necessidade de criar um ambiente que permita que todos os egípcios possam exercer seus direitos sem medo de intimidação, repercussão ou detenção".