"Efeito Google" faz com que pessoas não se lembrem de informações básicas
O uso cada vez maior da tecnologia está produzindo mudanças na forma de viver das pessoas e um exemplo disso é o uso da memória, que está ficando cada vez mais de lado.
Atualizado em 06/06/2016 às 18:06, por
Redação Portal IMPRENSA.
Crédito:Reprodução Facilidade de buscas na internet prejudicam a memória, mostram estudos
Segundo o Estadão , a ideia é que, uma vez que não se precisa mais utilizar a memória para guardar informações simples, como um número de telefone, a mente das pessoas fica com mais espaço para coisas mais importantes. O professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Paulo Bertolucci, diz que utilizar um recurso externo para não precisar lembrar de algo não é um fenômeno novo, mas vem sendo mudado por causa do mundo digital.
O pesquisador da Universidade de Austin, nos Estados Unidos, Adrian Ward, corrobora a afirmação de Bertolucci e explica que “para achar um dado em um livro é preciso saber qual é o livro e lê-lo até achar o que preciso”, o que dá muito trabalho. Na internet, porém, basta um clique para vasculhar milhares de informações. Ward afirma que o acesso rápido faz com que o cérebro humano não considere útil gravar esses dados, uma vez que é fácil encontrá-los de novo rapidamente.
Uma pesquisa conduzida pela empresa de segurança digital Kaspersky, realizada com seis mil pessoas na Europa, também confirma essa tendência. Ao receber uma questão, 36% dos entrevistados utilizaram a internet para elaborar suas respostas e outros 24% admitiram esquecer a informação logo após utilizá-la para responder a pergunta.
Ward chama atenção para um problema que tende a ser gerado pelo armazenamento de informações na internet. Segundo o pesquisador, muitas pessoas têm a impressão de que os dados online fazem parte de sua própria memória. “É bom saber o que se sabe como ter compreensão do que não se sabe. Com a internet sempre acessível, essa fronteira se torna borrada”.
Na escola e no trabalho
O “efeito Google” já pode ser sentido nas escolas, onde a forma de aprendizado de crianças e adolescentes vem mudando. Está cada vez mais difícil convencer os alunos de que eles precisam decorar um dado, visto que essa informação pode ser encontrada facilmente na internet a qualquer momento. Ward explica que o melhor caminho para a escola é problematizar, pois “ao resolver um problema, você relaciona informações, e aí pode se conectar com elas”.
Em relação ao mercado de trabalho a mudança também já pode ser sentida. Hoje os jovens profissionais têm o trunfo de poder encontrar informações muito rapidamente, mas, em contrapartida, isso faz com que eles se aprofundem menos nos assuntos e sejam profissionais com menos conteúdo.





