Editorialistas falam sobre a função e o equilíbrio entre experiência e desapego
Esse não é o “Globo Repórter” e hoje talvez nem seja sexta-feira, mas estas páginas vão mostrar quem são, como vivem e o que fazem os editorialistas.
Atualizado em 14/08/2015 às 18:08, por
Jéssica Oliveira.
Se super-heróis fossem, seus poderes estariam nas palavras. Sua missão é defender cada linha com unhas, dentes e argumentos.
De 20 anos no Correio Braziliense , Dad Squarisi tem 15 na equipe de opinião, atualmente escrevendo três vezes por semana. Mas a experiência como “editorialista” é de longa data. Antes do jornal, como redatora de discursos se acostumou a escrever textos que outros assinam. “O editorial é o ponto de vista do jornal, não do editorialista. Posso discordar do que estou escrevendo, mas defendo com todas as forças, o mesmo prazer e qualidade que um editorial cuja a tese eu concordo”, afirma.
Crédito:arquivo pessoal Dad Squarisi está há 20 anos no Correio Braziliense Um dos três editorialistas da Zero Hora , Nilson Souza está na função há 15 anos. Para ele, escrever a opinião do jornal não é desconfortável quando o trabalho é feito com profissionalismo e consciência de que há autonomia para produzir o texto a partir do ideário da empresa. “Sabemos que nossa função é expressar o pensamento da empresa, que nem sempre coincide com o nosso.”
Aluizio Maranhão, do jornal O Globo , tem apenas um ano a menos que os colegas na função. Com 14 anos na equipe de cinco editorialistas do diário carioca, ele explica que o editorial não necessariamente tem que estar ligado ao tema do dia, mas o gancho é bem-vindo. “O objetivo não são rapidez e agilidade, mas qualidade. Quanto mais bem acabado o texto, com raciocínio bem formulado e dados exatos, melhor o editorial.”
Questão de perfil
Escrever bem, ter profundidade cultural, conhecimentos gerais, atualizar-se, saber o pensamento da empresa e ter compromisso com o jornalismo são exigências básicas para qualquer editorialista. Mas o processo de construção dos editoriais também exige características específicas como discrição, flexibilidade e desapego ao trabalho. Crédito:Ricardo Chaves/ ZH Um dos três editorialistas da Zero Hora, Nilson Souza está na função há 15 anos No Correio , os editorialistas levam sugestões de temas e pontos de vistas para a reunião de pauta. A direção de redação aceita ou não, e o processo é feito a muitas mãos e olhares, às vezes até do presidente do diário.“Por isso, editorialista tem que ser extremamente flexível e desapegado, não só com sua obra, que pode ir para o lixo mesmo pronta, mas de convicções. Só pode ser editorialista quem for capaz de escrever sobre qualquer tema a favor ou contra”, afirma Dad.
Na Zero Hora , as sugestões de editoriais são submetidas à direção geral da empresa, que opina ou não. Política e economia são os temas mais comuns, mas nada impede que outros, como educação, saúde, pautem o espaço. Já no O Globo , o conselho editorial e os acionistas se reúnem às segundas, mas a opinião da casa é sempre discutida, especialmente por e-mail, tornando o processo constante.
Mas se engana quem pensa que não há apuração nos editoriais. Com frequência, eles procuram especialistas, acadêmicos e repórteres que cobrem o tema para ajudar na argumentação e na precisão de dados e contextos. A diferença das matérias é que eles não assinam nem fazem questão. “O editorial não deve ser assinado porque é a posição da instituição, não a do profissional”, justifica Maranhão.
Jornalista sempre
Antes de ser editorialista, Souza havia sido editor de Justiça e de Esportes na publicação gaúcha. O convite veio pela então editora de Opinião Eunice Jacques, com quem trabalhou no Jornal do Brasil. “Sempre pensei que o editorialista teria sua independência comprometida, mas constatei que não é assim. Tenho coluna assinada em ZH e ampla liberdade para dizer o que penso, independentemente do que eu mesmo escrevi em editorial, como opinião da empresa”, afirma.
Já Maranhão trabalhava como editor-executivo da Época, em São Paulo. Quando um editor de opinião de O Globo passou a ser colunista, Merval Pereira o chamou para a vaga. “Foi um convite inusitado. Geralmente é para pessoas que estão há muito tempo na redação”, recorda. Já a transição de Dad foi casual. Ela fazia a primeira página do Correio com Ricardo Noblat, mas substituiu o editorialista que adoeceu.
Quando a vaga ficou disponível, ela assumiu com o apoio e conselhos de André Gustavo Stumpf, editorialista à época. Aos 69, 66 e 65 anos, Dad, Souza e Maranhão, respectivamente, se sentem confortáveis para emprestar palavras e dar voz a outra “pessoa”. Não é coincidência. Segundo eles, editorialistas precisam de experiência, não apenas de conteúdo, mas de vida. “Cabelos brancos”, brinca Dad. “Maturidade. E isso só o tempo dá”, completa.

De 20 anos no Correio Braziliense , Dad Squarisi tem 15 na equipe de opinião, atualmente escrevendo três vezes por semana. Mas a experiência como “editorialista” é de longa data. Antes do jornal, como redatora de discursos se acostumou a escrever textos que outros assinam. “O editorial é o ponto de vista do jornal, não do editorialista. Posso discordar do que estou escrevendo, mas defendo com todas as forças, o mesmo prazer e qualidade que um editorial cuja a tese eu concordo”, afirma.
Crédito:arquivo pessoal Dad Squarisi está há 20 anos no Correio Braziliense Um dos três editorialistas da Zero Hora , Nilson Souza está na função há 15 anos. Para ele, escrever a opinião do jornal não é desconfortável quando o trabalho é feito com profissionalismo e consciência de que há autonomia para produzir o texto a partir do ideário da empresa. “Sabemos que nossa função é expressar o pensamento da empresa, que nem sempre coincide com o nosso.”
Aluizio Maranhão, do jornal O Globo , tem apenas um ano a menos que os colegas na função. Com 14 anos na equipe de cinco editorialistas do diário carioca, ele explica que o editorial não necessariamente tem que estar ligado ao tema do dia, mas o gancho é bem-vindo. “O objetivo não são rapidez e agilidade, mas qualidade. Quanto mais bem acabado o texto, com raciocínio bem formulado e dados exatos, melhor o editorial.”
Questão de perfil
Escrever bem, ter profundidade cultural, conhecimentos gerais, atualizar-se, saber o pensamento da empresa e ter compromisso com o jornalismo são exigências básicas para qualquer editorialista. Mas o processo de construção dos editoriais também exige características específicas como discrição, flexibilidade e desapego ao trabalho. Crédito:Ricardo Chaves/ ZH Um dos três editorialistas da Zero Hora, Nilson Souza está na função há 15 anos No Correio , os editorialistas levam sugestões de temas e pontos de vistas para a reunião de pauta. A direção de redação aceita ou não, e o processo é feito a muitas mãos e olhares, às vezes até do presidente do diário.“Por isso, editorialista tem que ser extremamente flexível e desapegado, não só com sua obra, que pode ir para o lixo mesmo pronta, mas de convicções. Só pode ser editorialista quem for capaz de escrever sobre qualquer tema a favor ou contra”, afirma Dad.
Na Zero Hora , as sugestões de editoriais são submetidas à direção geral da empresa, que opina ou não. Política e economia são os temas mais comuns, mas nada impede que outros, como educação, saúde, pautem o espaço. Já no O Globo , o conselho editorial e os acionistas se reúnem às segundas, mas a opinião da casa é sempre discutida, especialmente por e-mail, tornando o processo constante.
Mas se engana quem pensa que não há apuração nos editoriais. Com frequência, eles procuram especialistas, acadêmicos e repórteres que cobrem o tema para ajudar na argumentação e na precisão de dados e contextos. A diferença das matérias é que eles não assinam nem fazem questão. “O editorial não deve ser assinado porque é a posição da instituição, não a do profissional”, justifica Maranhão.
Jornalista sempre
Antes de ser editorialista, Souza havia sido editor de Justiça e de Esportes na publicação gaúcha. O convite veio pela então editora de Opinião Eunice Jacques, com quem trabalhou no Jornal do Brasil. “Sempre pensei que o editorialista teria sua independência comprometida, mas constatei que não é assim. Tenho coluna assinada em ZH e ampla liberdade para dizer o que penso, independentemente do que eu mesmo escrevi em editorial, como opinião da empresa”, afirma.
Já Maranhão trabalhava como editor-executivo da Época, em São Paulo. Quando um editor de opinião de O Globo passou a ser colunista, Merval Pereira o chamou para a vaga. “Foi um convite inusitado. Geralmente é para pessoas que estão há muito tempo na redação”, recorda. Já a transição de Dad foi casual. Ela fazia a primeira página do Correio com Ricardo Noblat, mas substituiu o editorialista que adoeceu.
Quando a vaga ficou disponível, ela assumiu com o apoio e conselhos de André Gustavo Stumpf, editorialista à época. Aos 69, 66 e 65 anos, Dad, Souza e Maranhão, respectivamente, se sentem confortáveis para emprestar palavras e dar voz a outra “pessoa”. Não é coincidência. Segundo eles, editorialistas precisam de experiência, não apenas de conteúdo, mas de vida. “Cabelos brancos”, brinca Dad. “Maturidade. E isso só o tempo dá”, completa.






