Editores revelam como repórteres podem defender suas ideias em reuniões de pauta
Não basta querer fazer um bolo. A intenção pode até ser boa, mas sem todos os ingredientes à mão, o doce tem poucas chances de dar certo. Nojornalismo, longe da cozinha, a dinâmica não é muito diferente na hora de sugerir uma pauta.
Atualizado em 19/12/2013 às 17:12, por
Edson Caldas*.
Caso o repórter não tenha elementos consistentes que justifiquem aquela matéria e não acredite realmente em seu sucesso, a receita pode nunca sair do papel.
Crédito:Divulgação Editores contam os segredos para o repórter emplacar uma pauta
“Pauta é algo que vai além de uma ideia, tem de estar embasada, ter dados”, enfatiza Daniela Mendes, editora-executiva da revista IstoÉ . Ela conta que, muitas vezes, jornalistas tentam vender reportagens sem elementos, o que é um motivo para não emplacar.
É necessário que o repórter chegue à reunião com uma pré-apuração realizada. “Você precisa ter conversado com alguém que entenda sobre o assunto, que confirme que a suspeita que você tem faz sentido. Isso vai mostrar que a matéria existe, quais caminhos ela pode tomar”, explica Daniela. “Afinal, às vezes, você tem uma ideia, mas, na hora que vai executar, as coisas acontecem de outra maneira.”
No caso de revistas, a preocupação com focos inexplorados é ainda mais essencial. Em um cenário em que o público recebe informações o tempo todo, os veículos impressos tem um desafio extra. Daniela Falcão, há oito anos à frente da Vogue Brasil , destaca como boa pauta aquela que é inédita e que, de alguma maneira, antecipe tendências.
“Quando falo de ineditismo, no caso da Vogue, pelo menos, pode ser um furo no sentido mais tradicional da palavra ou no mais difícil, mais sensacional, que é quando repórter sente um movimento que está para acontecer e dá isso antes”, diz a diretora de redação. Para ela, a “pauta dos sonhos” é aquela que, quando proposta, faz o editor pensar que deveria ter imaginado aquilo antes. “É a que causa uma invejinha do bem”, brinca.
André Basbaum, editor-chefe do "SBT Brasil", aponta outro ponto-chave na fórmula: olhar a pauta de longe, para conseguir observá-la com clareza. “Falta, às vezes, um distanciamento maior para você pensar”, afirma. “Às vezes, você não conhece enxergar o caminho que vai tomar.” O jornalista diz gostar de pautas “pensadas”, quando se observa a realidade e dali se tira uma matéria.
Fora da redação
Freelancers tem um desafio ainda maior ao defender sugestões, sobretudo por e-mail. Inevitavelmente, o profissional tem mais competidores, então precisa saber vender seu produto melhor. Afinal, ele representa um custo adicional à empresa, diferentemente de um repórter contratado.
“A apresentação tem de ser direta e impecável”, diz Daniela Falcão. “E o mais importante: ele deve mostrar que conhece a revista e que está sugerindo para você, não para qualquer outro. Se ele cita seção e ângulo que dialogam com o estilo da revista, no mínimo, é um leitor assíduo. Então, tem mais chances de dar certo do que um freela genérico.”
Na Superinteressante , da Editora Abril, o time de jornalistas é basicamente formado por editores. Em geral, os repórteres são colaboradores externos. “O fundamental é o jornalista entender o que fazemos”, explica Denis Russo Burgierman, diretor de redação do periódico. “Não fazemos a revista para nossa satisfação pessoal, temos em vista uma pessoa concreta, que é o leitor, com quem temos um relacionamento muito intenso todo mês. Nós conhecemos esse cara. Para nós, o repórter bom é o que entende esse relacionamento.”
O jornalista diz que o freelancer também precisa saber lidar com a frustração. “Nós recebemos muito mais ideias do que cabe na revista. Tem muitas que são boas para as quais dizemos não, porque não cabe.” Ele incentiva sugestões curtas e que tenham força. “Ele vai conseguir chamar nossa atenção se vender uma matéria genial em uma linha. Se naquela uma linha percebemos uma matéria incrível, é o ideal.”
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves
Crédito:Divulgação Editores contam os segredos para o repórter emplacar uma pauta
“Pauta é algo que vai além de uma ideia, tem de estar embasada, ter dados”, enfatiza Daniela Mendes, editora-executiva da revista IstoÉ . Ela conta que, muitas vezes, jornalistas tentam vender reportagens sem elementos, o que é um motivo para não emplacar.
É necessário que o repórter chegue à reunião com uma pré-apuração realizada. “Você precisa ter conversado com alguém que entenda sobre o assunto, que confirme que a suspeita que você tem faz sentido. Isso vai mostrar que a matéria existe, quais caminhos ela pode tomar”, explica Daniela. “Afinal, às vezes, você tem uma ideia, mas, na hora que vai executar, as coisas acontecem de outra maneira.”
No caso de revistas, a preocupação com focos inexplorados é ainda mais essencial. Em um cenário em que o público recebe informações o tempo todo, os veículos impressos tem um desafio extra. Daniela Falcão, há oito anos à frente da Vogue Brasil , destaca como boa pauta aquela que é inédita e que, de alguma maneira, antecipe tendências.
“Quando falo de ineditismo, no caso da Vogue, pelo menos, pode ser um furo no sentido mais tradicional da palavra ou no mais difícil, mais sensacional, que é quando repórter sente um movimento que está para acontecer e dá isso antes”, diz a diretora de redação. Para ela, a “pauta dos sonhos” é aquela que, quando proposta, faz o editor pensar que deveria ter imaginado aquilo antes. “É a que causa uma invejinha do bem”, brinca.
André Basbaum, editor-chefe do "SBT Brasil", aponta outro ponto-chave na fórmula: olhar a pauta de longe, para conseguir observá-la com clareza. “Falta, às vezes, um distanciamento maior para você pensar”, afirma. “Às vezes, você não conhece enxergar o caminho que vai tomar.” O jornalista diz gostar de pautas “pensadas”, quando se observa a realidade e dali se tira uma matéria.
Fora da redação
Freelancers tem um desafio ainda maior ao defender sugestões, sobretudo por e-mail. Inevitavelmente, o profissional tem mais competidores, então precisa saber vender seu produto melhor. Afinal, ele representa um custo adicional à empresa, diferentemente de um repórter contratado.
“A apresentação tem de ser direta e impecável”, diz Daniela Falcão. “E o mais importante: ele deve mostrar que conhece a revista e que está sugerindo para você, não para qualquer outro. Se ele cita seção e ângulo que dialogam com o estilo da revista, no mínimo, é um leitor assíduo. Então, tem mais chances de dar certo do que um freela genérico.”
Na Superinteressante , da Editora Abril, o time de jornalistas é basicamente formado por editores. Em geral, os repórteres são colaboradores externos. “O fundamental é o jornalista entender o que fazemos”, explica Denis Russo Burgierman, diretor de redação do periódico. “Não fazemos a revista para nossa satisfação pessoal, temos em vista uma pessoa concreta, que é o leitor, com quem temos um relacionamento muito intenso todo mês. Nós conhecemos esse cara. Para nós, o repórter bom é o que entende esse relacionamento.”
O jornalista diz que o freelancer também precisa saber lidar com a frustração. “Nós recebemos muito mais ideias do que cabe na revista. Tem muitas que são boas para as quais dizemos não, porque não cabe.” Ele incentiva sugestões curtas e que tenham força. “Ele vai conseguir chamar nossa atenção se vender uma matéria genial em uma linha. Se naquela uma linha percebemos uma matéria incrível, é o ideal.”
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves





