Editora que publicou livro de jornalista sobre máfia de ingressos recebeu ameaças da Fifa

Livro "Um jogo cada vez mais sujo" revela detalhes do envolvimento da Fifa no esquema no esquema internacional de cambismo.

Atualizado em 10/07/2014 às 11:07, por Redação Portal IMPRENSA.

A editora Panda Books, que publicou há menos de três meses o livro "Um jogo cada vez mais sujo", escrito pelo jornalista escocês Andrew Jennings, recebeu ameaças por conta da obra, a qual revela detalhes do envolvimento da Fifa no esquema no esquema internacional de cambismo.

Crédito:Divulgação Dono da editora revela ameaça da Fifa por livro com denúncias sobre cambismo
As denúncias do livro levaram à prisão na última segunda-feira (7/7) de Raymond Whelan, CEO da Match, empresa que detém exclusividade para venda de camarotes e pacotes corporativos em eventos da Fifa. O suspeito, entretanto, ficou detido apenas 12 horas e liberado mediante um habeas corpus .

Segundo o UOL, a editora agendou o lançamento da obra no dia 22 de abril e enviou um trecho para o jornalista Juca Kfouri como estratégia de divulgação. "Ele publicou no blog assim que viu o teor e percebeu a bomba que era. No dia seguinte, recebemos uma notificação extrajudicial do escritório de advocacia do Francisco Mussnich dizendo que a Fifa soube do teor do livro e que nós seríamos processados", disse o jornalista Marcelo Duarte, um dos sócios da Panda Books.

De acordo com ele, havia cerca de dez páginas com ameaças. A Federação desmentiu as acusações e pediu a Kfouri que se retratasse da publicação. O escritório de advocacia da Match em Londres também enviou à editora um e-mail semelhante. A companhia conversou com Jennings e ele escreveu para o advogado da Match para informar que queira conversar com os irmãos Byrom, donos da empresa, que não aceitaram um encontro antes da publicação da obra.

"Ao ler os originais eu tomei um susto com o capítulo sete, com bastidores da venda de ingressos. Eu sou um dos brasileiros que tentaram comprar ingressos para a Copa e vi como funcionam as coisas", explicou Duarte. "Só consegui comprar na segunda fase de vendas porque o meu filho ficou tentando de madrugada. E aquela coisa que a gente sonhava, de abertura e encerramento", acrescentou.

Whelan foi identificado em operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro (RJ) como suspeito de fornecer ingressos para uma quadrilha que os comercializava. Na terça-feira da semana passada (1/7), 11 pessoas já haviam sido detidas após a denúncia.