Editora japonesa é criticada por mangá que retrata vítimas da radiação em Fukushima

A revista em quadrinhos mostra pessoas com sangramentos nasais inexplicáveis. O governo japonês negou a existência de tais sintomas.

Atualizado em 19/05/2014 às 19:05, por Redação Portal IMPRENSA.

Hiroshi Murayama, editor da revista em quadrinhos Oishinbo , anunciou nesta segunda-feira (19/5) que vai reavaliar a última edição do mangá lançado em abril. A publicação recebeu críticas até mesmo do primeiro-ministro do Japão por retratar moradores da cidade de Fukushima sofrendo sangramentos nasais inexplicáveis, como consequência dos altos níveis de radiação na região.
Crédito:Reprodução Polêmica sobre mangá que retrata acidente em Fukushima chegou ao prêmie do Japão
"Não há confirmação de que a saúde das pessoas tenha sido diretamente afetada por substâncias radioativas", alegou o chefe de estado japonês, Shinzo Abe. A cidade foi vítima de um terremoto seguido de um tsunami em 2011, que afetou as instalações de uma usina nuclear local. O acidente causou o vazamento de material tóxico radioativo, mas o governo do Japão afirma que todos os habitantes foram removidos da cidade a tempo.
Segundo informações do portal Notícias ao Minuto, Tetsu Kariya, autor do mangá, defendeu-se: "não entendo por que, quando escrevemos a verdade como ela é, criticam". O roteirista afirma que passou dois anos na cidade realizando um estudo de campo e que os sangramentos nasais foram relatados por diversos moradores de Fukushima.
Em razão da polêmica, a editora Shokagukan, responsável pelo mangá, anunciou que a revista será "reavaliada". "Recebemos muitas críticas e queixas. Como editor principal, estou consciente da minha responsabilidade pelos sentimentos desagradáveis gerados. [...] Vamos rever a linguagem usada e levar em conta as críticas recebidas", diz a nota oficial divulgada pela editora.