Editora do El País Brasil diz que superficialidade da notícia na internet é mito

Durante o painel “Perspectivas dos grandes jornais internacionais no Brasil”, durante o 9º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, a editora do site El País Brasil, Carla Jimenez, desmistificou a ideia de que há superficialidade no conteúdo online.

Atualizado em 25/07/2014 às 17:07, por Gabriela Ferigato.

Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, a editora do site El País Brasil, Carla Jimenez, desmistificou a ideia de que há superficialidade no conteúdo online. O encontro em São Paulo é promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). “Acreditavam que textos longos não eram para a internet. Fizemos uma entrevista com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, na última semana, e foi um dos picos de audiência do portal. Os textos da jornalista Eliane Brum são longos, e todo mundo lê. Não acreditem nessa ideia de superficialidade. O que tem conteúdo e informação sempre vai ter leitura. Essa história do digital ainda está sendo escrita”, disse Carla durante o painel “Perspectivas dos grandes jornais internacionais.

Crédito:Reprodução Jimenez espera alcançar um milhão de leitores até dezembro no El País Brasil O El País estreou no Brasil no final de novembro de 2013. A equipe é formada por 12 pessoas, sendo que duas vieram da matriz na Espanha. Segundo a jornalista, um dos desafios do veículo é trazer a realidade da América Latina para cá. “Vamos acostumando o consumidor para essa realidade. O Brasil está se abrindo mais, de alguma maneira isso precisa ser assimilado para entender as relações”, completou.
Até o momento, a plataforma conta com uma audiência de 370 mil leitores e a expectativa até o final do ano é chegar a um milhão. Segundo a jornalista, de tudo o que é produzido, de 10 a 30% são conteúdo próprio e, desse número, 80% do material é traduzido para o espanhol.
“A operação ainda não é rentável. Primeiro precisamos achar um volume de público, e isso está previsto para acontecer em um ano e meio. A América é o foco do Grupo Prisa. Eles entendem que na Europa o negócio já é maduro, e aqui há muito desenvolvimento pela frente. Mas precisamos consolidar o público leitor”.
Apostas da Abril no digital

Ricardo Anderáos, diretor do Brasil Post, versão brasileira do Huffington Post, também falou sobre as expectativas das operações brasileiras. O veículo produz 70% de material próprio, sem contar o que vem de blogueiros. “Dentro da plataforma conseguimos acompanhar o que está ‘viralizando’ e podemos traduzir para demais países”, destaca . De acordo com o jornalista, o Huffington Post atinge 94 milhões de usuários por mês em 11 países. Os próximos lançamentos serão na Austrália, Índia, México e Rússia.
Crédito:Divulgação Anderáos é diretor do Brasil Post “Toda operação internacional é obrigada a seguir uma receita de bolo: quantas pessoas compõem a redação, como se trabalha, o que é feito. Temos parceria editorial com diversos veículos e, é claro, com as publicações da Abril. Também trabalhamos com tradução e agências de notícia”, afirma Anderáos. Uma preocupação importante do veículo é a otimização de títulos e os diferentes tipos de compartilhamento da notícia. Em julho deste ano, o Brasil Post chegou a 720 mil unique visitors.
Sobre o modelo de negócio, ele destacou a força da publicidade nativa. “A internet tira intermediários do meio do caminho. A mudança no modelo de negócio é isso. No Brasil, há números que comprovam que quem está drenando o grosso das verbas publicitárias é o Google e Facebook. Nós jornalistas podemos contar histórias que as marcas precisam”, diz. Hoje 40% do lucro do Huffington Post dos Estados Unidos vêm da publicidade nativa.
O Brasil Post começou a atuar com o native ads recentemente, com uma parceria feita com a CVC e Citroën. “Não vou dizer que esse modelo vai resolver todos os nossos problemas de como lucrar na internet, mas é uma pista. Quem está passando mal são as empresas, não os jornalistas. Nunca houve tanto trabalho de comunicação. Uma drogaria de esquina, por exemplo, vai precisar de uma página no Facebook, e quem vai fazer isso?. Os jornalistas”.