Editor executivo da “Folha” fala sobre novo modelo de jornalista multimídia e multitarefa

Desde a invenção dos tipos móveis de Gutenberg, e posteriormente, ao amadurecimento da imprensa, o jornalista tem se adaptado a uma série demudanças tecnológicas.

Atualizado em 23/09/2014 às 15:09, por Danubia Paraizo.

Crédito:Eduardo Knapp/Folhapress Editor executivo da "Folha" defende necessidade de jornalistas multimídias Durante a 5th Iberoamerican Magazine Media Conference, nesta terça-feira (23/9), na capital paulista, Sérgio Dávila, editor executivo da Folha de S.Paulo , falou sobre as transformações do mercado e as novas necessidades dos profissionais de imprensa. O evento reúne alguns dos principais editores, empresários do mercado de revistas e da publicidade do Brasil e teve início na última segunda (22/9).

Para Dávila, em um mundo cada vez mais conectado, não é apenas no conteúdo que os repórteres precisam ser versáteis, mas no domínio das tecnologias. “O jornalistas sempre foram generalistas por formação, capazes de transmitir os mais diversos conteúdos. É importante num ecossistema da redação termos profissionais assim, da mesma forma que a maioria também deve ser multimídia, dominando tanto as plataformas que já conhecemos quanto as que estão vindo por aí”.

Segundo o editor da Folha , essa discussão é atual, mas vem acontecendo há pelo menos dois séculos, à medida que novos meios de comunicação são criados. O domínio do telégrafo, pager ou gravador já foram requisitos tão importantes, como hoje é o saber usar planilhas de Excel, gravar um vídeo ou fotografar bem.

Como exemplo, Dávila trouxe o caso da jornalista Patrícia Campos Mello, enviada especial a Serra Leoa. Recentemente, a repórter foi até o epicentro do foco das contaminações por Ebola para trazer relatos com exclusividade. Além da matéria escrita para o jornal do dia seguinte, ela mandou vídeos, podcasts, videocasts, texto para uma coluna com os bastidores da viagem, além de relatos filmados para a TV Folha. “Ela teve o que venho pedindo desde 2003 para os repórteres, que é ter um approach holístico com a pauta”.
O editor explicou que é uma espécie cada vez mais em extinção o repórter que sai para uma pauta com seu bloquinho e se restringe a apenas uma plataforma. Além de trazer informações que possam ser multiplicadas em diversas plataformas, o jornalista também deve pensar em estratégias para que o texto seja mais adaptável ao digital, como vai compartilhá-lo em redes sociais, entre outros detalhes, como palavras-chave em mecanismos de busca etc. E tudo isso, claro, o mais rápido possível.
Para capacitar esses profissionais, o executivo da Folha conta que o jornal dispõe de cursos de aperfeiçoamento e técnicos multimídia para dar uma "forcinha". “Nenhuma redação vai abrir mão desse mix de jovens jornalistas que já vem com esse chip tecnológico e os mais tarimbados. Então, fazemos cursos de capacitação tecnológica. Temos também um instrutor 24 horas para qualquer desafio tecnológico que se apresente ali”.

Apesar do investimento do jornal em aprimoramento - cerca de 2 a 3% do orçamento da redação –, Dávila finalizou sua apresentação lembrando que uma das mais importantes ferramentas do repórter jamais será obsoleta: a sola de sapato.