Editor do Le Monde Diplomatique, Caccia Bava fala sobre corrupção e mídia
O diretor-geral do jornal Le Monde Diplomatique, Silvio Caccia Bava, acredita que os ataques recentes de políticos à imprensa, sob a alegação de 'distorção dos fatos', é uma reação natural daqueles que procuram proteger seus cargos políticos.
Atualizado em 01/09/2011 às 11:09, por
Daniela Ades*.
Monde Diplomatique , Silvio Caccia Bava, acredita que os ataques recentes de políticos à imprensa, sob a alegação de 'distorção dos fatos', é uma reação natural daqueles que procuram proteger seus cargos políticos. "Eles estão armando a própria defesa, dizendo que não são corruptos, que não pegaram dinheiro público para beneficio próprio. Quem denuncia isso, acaba recebendo o troco", disse o jornalista ao Portal IMPRENSA, na noite de quarta-feira (31), após evento na Faculdade de Economia de Administração da USP (FEA).
Para reforçar sua ideia, Caccia Bava citou a reportagem de capa deste mês da publicação franco-brasileira, intitulada "Na raiz da corrupção", a qual faz uma análise aprofundada da corrupção na política, acompanhando a onda de escândalos que assolam o Planalto, deflagrados por denúncias recentes. "O próprio sistema político brasileiro precisa da corrupção para funcionar. Sem o patrimonialismo, o clientelismo, todos os ismos que herdamos de nossa débil democracia, o Congresso não funciona e o Executivo também passa a não funcionar".
Sobre o projeto de lei que prevê a liberação de documentos sigilosos, Caccia Bava defende a importância do acesso à informação. "Acho fundamental a liberação da informação. Temos que ter, como cidadãos, elementos para fazermos nosso juízo sobre as políticas públicas, os períodos, as ditaduras". Para o jornalista, a imprensa tem um papel fundamental como formadora de opinião pública, de saber trabalhar a informação. "A imprensa também é plural, nós vamos ter várias opiniões a respeito disso e tomara que as redes sociais também cumpram seu papel".
O editor, que também é diretor-executivo do Instituto Polis e trouxe a marca do Le Monde Diplomatique para o Brasil, fala tranquilo e profundamente sobre assuntos densos, assim como a sua publicação. O jornal conta com tiragem de 2,5 milhões e está presente em aproximadamente 70 países.
Fora do circuito mainstream da mídia - sua tiragem no Brasil é de 40 mil exemplares -, a publicação procura analisar, de forma crítica e aprofundada, os temas do cenário internacional. A versão ainda conta com 40% de seu conteúdo de análises da agenda local. Grande parte dos artigos são de colaboradores de vários lugares do mundo, que contribuem gratuitamente, o que, para Caccia Bava, confirma o "sentido militante desta causa [formadora de opinião crítica]".
O diretor-geral integrou a mesa do debate "Perspectivas de atuação da imprensa no desenvolvimento institucional brasileiro", realizado na FEA-USP, ao lado de Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, e Ricardo Gandour, diretor de conteúdo de O Estado de S.Paulo .
* Com supervisão de Gustavo Ferrari
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Para reforçar sua ideia, Caccia Bava citou a reportagem de capa deste mês da publicação franco-brasileira, intitulada "Na raiz da corrupção", a qual faz uma análise aprofundada da corrupção na política, acompanhando a onda de escândalos que assolam o Planalto, deflagrados por denúncias recentes. "O próprio sistema político brasileiro precisa da corrupção para funcionar. Sem o patrimonialismo, o clientelismo, todos os ismos que herdamos de nossa débil democracia, o Congresso não funciona e o Executivo também passa a não funcionar".
Sobre o projeto de lei que prevê a liberação de documentos sigilosos, Caccia Bava defende a importância do acesso à informação. "Acho fundamental a liberação da informação. Temos que ter, como cidadãos, elementos para fazermos nosso juízo sobre as políticas públicas, os períodos, as ditaduras". Para o jornalista, a imprensa tem um papel fundamental como formadora de opinião pública, de saber trabalhar a informação. "A imprensa também é plural, nós vamos ter várias opiniões a respeito disso e tomara que as redes sociais também cumpram seu papel".
O editor, que também é diretor-executivo do Instituto Polis e trouxe a marca do Le Monde Diplomatique para o Brasil, fala tranquilo e profundamente sobre assuntos densos, assim como a sua publicação. O jornal conta com tiragem de 2,5 milhões e está presente em aproximadamente 70 países.
Fora do circuito mainstream da mídia - sua tiragem no Brasil é de 40 mil exemplares -, a publicação procura analisar, de forma crítica e aprofundada, os temas do cenário internacional. A versão ainda conta com 40% de seu conteúdo de análises da agenda local. Grande parte dos artigos são de colaboradores de vários lugares do mundo, que contribuem gratuitamente, o que, para Caccia Bava, confirma o "sentido militante desta causa [formadora de opinião crítica]".
O diretor-geral integrou a mesa do debate "Perspectivas de atuação da imprensa no desenvolvimento institucional brasileiro", realizado na FEA-USP, ao lado de Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, e Ricardo Gandour, diretor de conteúdo de O Estado de S.Paulo .
* Com supervisão de Gustavo Ferrari
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