Editor de tecnologia passa um ano sem internet e se decepciona com experiência
Paul Miller, do site The Verge, reconheceu que estava errado sobre o lado “negativo” da internet
Atualizado em 04/02/2015 às 09:02, por
Alana Rodrigues*.
Viver sem internet por um ano. Você conseguiria? O jornalista Paul Miller, editor de tecnologia do site The Verge, resolveu encarar o desafio ao se sentir sufocado pela vida online. Deu adeus aos e-mails, redes sociais e todas as outras ferramentas tecnológicas. Concluída a experiência, entretanto, ele admite que "estava errado".
"Senti que estava cansado da internet. Ela estava me deixando improdutivo e dominando meu tempo. Eu queria ver como seria a vida sem ela para encontrar o meu "verdadeiro eu" e fazer alguma coisa pela primeira vez. Esse era o plano, pelo menos", explica.
Miller se desconectou completamente em 30 de abril de 2012 e retornou em 1 de maio de 2013. Durante esse período ele permaneceu trabalhando para o Verge, que financiou o projeto, escrevendo sobre sua experiência no mundo offline.
Crédito:Divulgação
Paul Miller, editor de tecnologia do site The Verge Os primeiros meses de “desintoxicação digital” do editor foram de descobertas. Trocou seu smartphone por um telemóvel, deu longos passeios de bicicleta, leu literatura grega e até se dedicou à escrita de um romance. Quando chorou ao ver “Os Miseráveis” achou mesmo que havia se tornado em alguém melhor. Até chegar as desvantagens. A vida social diminuiu e Miller começou a se sentir isolado. "Foi produtivo no começo, mas depois de um tempo tudo o que eu fazia era jogar videogames", relata.
No trabalho, o jornalista sentiu de forma mais dura as consequências da vida offline. Ele diz que ferramentas básicas, como o Google Docs, fizeram muita falta para editar textos, além de ser um grande desafio obter informações. “Eu tinha que confiar em entrevistas para todas as minhas reportagens. Mas foi bom no sentido de que quando você fala com alguém diretamente, em vez de pesquisar no Google, você pode obter um valor único e uma nova perspectiva”, pondera.
De volta ao mundo online
Após os 365 dias de teste, Miller foi bombardeado de informações e concluiu que a vida precisa de tecnologia, mas de um modo equilibrado. “Foi impressionante. De repente eu tinha milhares de ligações, e-mails e tuítes de uma só vez. Era difícil de processar. Me senti em pânico”, relata.
“As pessoas são mais importantes que a tecnologia. Se a internet faz eu me manter longe das pessoas, deveria evitá-la nesse caso. Mas na maioria das vezes, acredito que a internet ajuda a me conectar com o mundo e eu sou grato por isso”, acrescenta.
Jornalismo tecnológico
Miller diz que sempre foi obcecado por tecnologia e a combinação com sua facilidade em escrever o fez chegar ao ramo do jornalismo tecnológico. "Costumava ler a coluna de David Pogue, no Macworld, quando eu era criança e eu disse: "É isso o que eu quero fazer quando eu crescer", lembra ele.
Para o jornalista, o desafio de trabalhar na área é comum ao vivido em qualquer outro tipo de editoria: Mostrar todos os lados da notícia. "Encontrar o verdadeiro jornalismo é um desafio e quanto mais eu me preocupava com honestidade, tornou-se mais difícil pra mim", explica.
Experiente no mundo online e offline, Paul dá a dica para quem quer mergulhar no mundo tecnológico. "É mais fácil aprender sobre a tecnologia do que aprender a escrever. Aprenda a escrever e, em seguida, identifique o que mais te atrai em fazer, e você provavelmente já sabe o suficiente sobre isso para começar”.
Saiba mais dessa experiência radical no vídeo abaixo:
*Com supervisão de Thaís Naldoni.
Acesse mais matérias sobre o impacto da tecnologia na vida do jornalista, visitando o especial " ".






