Editor-chefe de jornal turco é proibido de deixar o país após "insultar" presidente

Um tribunal de Istambul rejeitou o pedido do Ministério Público para prender o jornalista Bulent Kenes, editor-chefe do do jornal Today's&nb

Atualizado em 09/10/2015 às 13:10, por Redação Portal IMPRENSA.

Um tribunal de Istambul rejeitou o pedido do Ministério Público para prender o Bulent Kenes, editor-chefe do do jornal Today's Zaman , acusado de insultar o presidente turco Recep Tayyip Erdogan por meio de mensagens no Twitter.
Crédito:Reprodução/Twitter Jornalista está proibido de sair do país por "insultar" presidente
De acordo com o jornal, embora não o tenha detido, o tribunal deixou o editor sob supervisão judicial e o proibiu de sair do país. O promotor enviou uma notificação ao jornalista como parte da investigação sobre o alegado insulto ao líder.
Em depoimento, Kenes negou que tenha insultado Erdogan e defendeu que apenas exerceu seu direito à liberdade de expressão para se manifestar sobre o governo. "Vamos esperar pelo melhor. A lei no país chegou ao fundo do poço. Despotismo a toda velocidade", havia escrito na , em 2014.
O editor-chefe do Zaman também testemunhou outra acusação de insulto. Desta vez, ao primeiro ministro Ahmet Davutoglu. Ele foi chamado para prestar depoimento à Direção de Segurança do Departamento de Polícia de Istambul.
Ao todo, o jornalista acumula nove queixas-crime, duas ações judiciais por danos morais e seis investigações sobre casos de "insulto". Além do presidente e primeiro-ministro, o conselheiro Erdogan Mustafa Varank também fez acusações contra o profissional.
Entidades de direitos humanos e de mídia manifestaram preocupação com a crescente intolerância com a crítica na imprensa sobre o governo. Os críticos alegam que as medidas são claras tentativas para silenciá-los, em especial, pelas eleições em novembro.
Apesar de correr o risco de ser preso, Bulent Kenes disse que continuará a questionar as irregularidades no país. "Eles podem querer me calar, mas se você não quiser se manter em silêncio, eles não podem fazê-lo", disse. "Para ser honesto, estou surpreso. Essa tentativa de prender foi tardia. Estava esperando há três anos por isso", completou.