EBC apresenta a setor audiovisual novas diretrizes para a produção independente

EBC apresenta a setor audiovisual novas diretrizes para a produção independente

Atualizado em 19/05/2009 às 17:05, por Redação Portal IMPRENSA.

Em reunião realizada na última segunda-feira (18), no Rio de Janeiro (RJ), a Diretoria da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), gestora da TV Brasil, apresentou a 34 dirigentes de entidades representativas do segmento audiovisual brasileiro as novas diretrizes de relacionamento com a produção independente, para compor a grade de programação da TV Pública.

Arquivo IMPRENSA
Tereza Cruvinel
Uma das mudanças será a seleção de programas e conteúdos através de concursos, ou Pitchings. Outra será a constituição de um banco público de conteúdos de terceiros - tais como filmes, documentários, séries e animações - para exibição.

A diretora-presidente da EBC, Tereza Cruvinel, salientou a necessidade de construir instrumentos jurídicos e administrativos que permitam à TV Pública produzir e contratar produções com agilidade, preservando a legalidade e a obediência às regras.

"Conseguimos vencer alguns obstáculos e demonstrar aos órgãos competentes a necessidade de dispormos de instrumentos com a Norma de Concursos Audiovisuais, que nos permitirá realizar Pitchings. Estamos trabalhando em outra formulação desta natureza, para garantir lógica pública à escolha dos títulos a serem licenciados para exibição", disse.

O diretor-geral da EBC, Paulo Rufino, falou sobre a nova etapa de relacionamento com a produção independente. O superintendente de Programação da TV Brasil, Roberto Faustino, explicou sobre a nova gestão da grade de programação que está implantando, buscando adequar melhor os conteúdos às faixas horárias em busca do melhor desempenho de audiência, sem abdicar da natureza diferenciada dos conteúdos de uma TV Pública.

O diretor de Rede, José Roberto Garcez, destacou os programas de natureza regional que estão sendo negociados com as 24 emissoras estaduais associadas à Rede Pública de Televisão, liderada pela TV Brasil. E o presidente da ACERP, Arnaldo Cézar Jacob, ressaltou o papel auxiliar da Organização Social que dirigia a antiga TVE. Para manter o canal de diálogo com as entidades da produção audiovisual, foi acertada a realização periódica de reuniões com o setor.

"A nova política que vamos adotar garantirá um relacionamento mais orgânico à produção independente, abrindo oportunidades para todos e possibilitando mais rápida renovação na grade. Quando o dinheiro é do Estado brasileiro precisamos obedecer regras e normas públicas. Tivemos que ajustar nosso relacionamento às exigências da lei", afirmou Cruvinel.

Depois da exposição dos dirigentes da EBC, foi aberto o debate quando os produtores e cineastas fizeram suas indagações. O cineasta Roberto Farias reconheceu as dificuldades do setor público para dar segurança a todos, mesmo porque estão sujeitos à legislação específica. Segundo ele, será praticamente impossível atender "a todo mundo".

O cineasta Silvio Tendler pediu esclarecimentos sobre o tipo de programa que estará em demanda. A vice-presidente da Associação das Produtoras Brasileiras de Audiovisual (APBA), Clélia Bessa, perguntou sobre os preços que serão pagos, e Cruvinel garantiu que, de modo algum, ficarão abaixo dos preços de mercado.

Paloma Rocha pediu informações sobre as contratações já encaminhadas para a diretoria de produções antes da mudança do titular. Os dirigentes da EBC asseguraram que os contratos assinados serão honrados e que as propostas já encaminhadas serão analisadas, levando em conta a realidade orçamentária. A EBC sofreu cortes que agora estão sendo renegociados com a área econômica do Governo.

O vice-presidente da Associação dos Produtores do Norte e Nordeste, Wolney Oliveira, quis saber como vai funcionar a co-produção e pediu esclarecimentos sobre as parcerias com os festivais de cinema. Segundo Cruvinel, a co-produção é praticada na TV Brasil mas que as mudanças na equipe têm outros objetivos. "Não queremos que as relações interpessoais interferindo nas profissionais", disse.

Apesar da pressão dos produtores para que fossem apresentados os temas dos primeiros "pitchings", Roberto Faustino antecipou apenas que um será sobre meio ambiente e sustentabilidade e Tereza falou da necessidade de um programa voltada para os jovens. A direção da EBC considerou o encontro muito positivo e espera, em breve, começar a implementar o que ali foi discutido e combinado, como o lançamento dos primeiros editais, informou o Departamento de Comunicação Social e Marketing da Empresa Brasil de Comunicação.

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