“É uma realização fotografar os bastidores do Corinthians”, diz Daniel Augusto Jr
Aos 62 anos, o fotógrafo Daniel Augusto Jr. está realizado com a profissão que exerce há 35 anos. Ele é um dos poucos profissionais do país contratado para fazer aquilo que todo torcedor adoraria fazer, ou seja, acompanhar diariamente os bastidores de um dos maiores clubes do Brasil.
Leia também
-
-
Segundo Daniel, a fotografia entrou na sua vida por acaso, quando ainda não sabia bem o que queria fazer profissionalmente. “Comecei a fotografar em janeiro de 1977, meio assim por não ter o que fazer. Como precisava decidir o que fazer da vida e falei: ‘vou ser fotógrafo’”.
Começou a carreira como assistente de um fotógrafo experiente, de estúdio em estúdio, foi desenvolvendo sua técnica e aprendendo a mostrar através do olhar a realidade de cada momento. Diferente dos tempos de hoje, ele não fez cursos para se especializar na área. Aprendeu tudo na prática, como explica. “Na minha vida sempre fui pautado mais pela prática do que pela teoria. Para mim, a prática sempre esteve à frente e na fotografia não foi diferente”.
Apesar de gostar do que fazia, Daniel Augusto Jr. não apreciava a vida dentro dos estúdios. Amante do ar livre, buscou no fotojornalismo a liberdade para criar e contar histórias através da imagem.
A fase como repórter fotográfico começou na agência F4, primeira do ramo em fotojornalismo no Brasil na década de 1980. Lá, Daniel fazia de tudo um pouco, inclusive defender os direitos dos profissionais da área. “A F4 foi uma das primeiras agências de fotojornalismo que se preocupou e ensinar a aplicação do direito autoral para a fotografia em favor do fotógrafo. A F4 se notabilizou na década por essas brigas em favor da categoria do repórter fotográfico”, revela.
O esporte entrou na vida do fotojornalista por acaso. Afinal, a agência especializada na cobertura de movimentos sociais, não tinha nenhum fotógrafo dedicado à cobertura esportiva. Nesse momento, a paixão pelo futebol e pelo Corinthians levaram Daniel aos gramados para arriscar numa nova aventura. “Um belo dia comecei a ir ao Pacaembu e ao Morumbi com uma lente para começar a aprender a fotografar futebol. Acabei aprendendo um pouco e fui trabalhar na revista Placar como freelancer”.
Embora se dedicasse à cobertura esportiva, nesse período Daniel Augusto Jr foi contratado pela Editora Abril como fotógrafo da revista Veja . Entre um freelancer e outro, ele atuou em importantes veículos como a Folha de S.Paulo e O Globo , sucursal São Paulo.
Já no fim da década de 1990, o fotógrafo soube que estava prestes a ser lançado um jornal focado em esportes. Como bom repórter, correu atrás da informação e descobriu que o jornal Lance! Seria lançado no Rio de Janeiro e em São Paulo e, logo se prontificou a trabalhar no veículo. “De cara me coloquei à disposição querendo trabalhar no jornal. Em outubro de 1997 eu comecei como funcionário do Lance! Onde eu fiquei durante quatro anos, aí sim, fazendo só futebol”, comenta.
Sua aproximação com o clube de paixão só aconteceu em 2001 quando foi demitido do Lance! pela famosa “contenção de despesas”. Voltando a freelar, Daniel aguardava uma oportunidade e de se fixar num lugar. Por acaso, num dia em que fotografava o treino do São Paulo Futebol clube, recebeu por telefone um convite de Eduardo Generoso para produzir material para o novo site do Corinthians, que estava sendo reformulado. “O Eduardo me ligou e disse “estamos montado o novo site do Corinthians e pelas pesquisas que fizemos no mercado, você é a pessoa certa, no lugar certo. Nós precisamos de um fotógrafo e seria legal se ele fosse corintiano’”, revela Daniel.
Sem pensar duas vezes, ele aceitou o convite e passou a acompanhar parte do dia a dia do clube. Entretanto, sua idéia era ampliar essa atuação de forma que o time pudesse ter registros fotográficos de seus bastidores. Mas a crise no Corinthians impediu que isso acontecesse. O projeto só foi viabilizado em 2007, com a chegada de Andrés Sanchez à presidência da equipe.
“O projeto só foi dar certo em 2007, quando o Andrés assumiu oficialmente a diretoria e montou o departamento marketing com esse gênio que é o Luis Paulo Rosenberg. Em janeiro de 2008 eu fui a Itu me apresentando ao Mano Menezes técnico contratado para tirar o Corinthians da série B. Foi aí que eu comecei no Corinthians diariamente”.
Embora tenha começado sua relação mais direta com o clube num momento crítico, Daniel viu nessa possibilidade contar uma história diferente para a torcida do clube alvinegro.
“Era uma época triste, mas como jornalista sabia que tinha uma história para contar. Eram 30 milhões de pessoas interessadas em ver a história da volta do time para a série A contada em fotografia. E foi o que de fato aconteceu”, relembra emocionado.
Dessa experiência da volta do time à série do Campeonato Brasileiro surgiu o primeiro livro de Daniel, chamado “Eu voltei”. Na sequência, com as conquistas dos títulos do campeonato paulista e da Copa do Brasil em 2009, surgiam os outros dois volumes “Invicto e Fenomenal” e “Copa do Brasil 2009”. O quarto livro da série “Pentacampeão – o mais corinthiano de todos dos Brasileirões” foi lançado em 2012 e retrata o quinto título brasileiro do clube.
Daniel obteve muito sucesso com as obras, ainda mais num país onde a leitura é um tabu. Ele explica que o êxito de venda dos livros está relacionado também à força do Corinthians. “Lembra da história do Rei Midas que tudo que toca vira ouro? Com o Corinthians é mais ou menos isso. Qualquer produto que o time lança faz sucesso naturalmente. Os primeiros três livros chegaram à marca de 15 mil vendidos, o que para o Brasil é marca de best-seller. “
Entusiasmado com o sucesso das obras, Daniel revela que está guardando material para os próximos livros que não são planejados, mas estão diretamente ligados às conquistas do clube. “Na medida em que o Corinthians participa de um campeonato eu venho editando as melhores fotos. Assim, quando no fim da competição, já tenho 60, 70% do livro pronto. É o caso agora dos livros do campeonato paulista e, claro, da Libertadores, que é o título que o Corinthians não tem e está atrás. E quando acontecer, certamente vai ser uma comoção geral, porque a torcida, o clube, ou seja, todo mundo que é corintiano quer este título. Então posso dizer que o livro da Libertadores está a caminho”.






