Ao lado do repórter Ewen MacAskill, do jornal britânico The Guardian , Sônia falou sobre os bastidores da entrevista que fez em junho deste ano com Edward Snowden, ex-integrante da Agência de Segurança Nacional norte-americana, para o “Fantástico”. MacAskill também contou de seus encontros com Snowden, o último deles, há duas semanas, na Rússia.
Na ocasião, o ex-agente recomendou que jornalistas redobrassem o cuidado com seus “rastros” digitais. Uma simples conta paga com cartão de débito ou crédito já é uma pista importante para as autoridades descobrirem a identidade de uma fonte secreta, por exemplo. Snowden disse ainda que estava envolvido na produção de ferramentas de criptografia específicas para o trabalho jornalístico.
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“O governo britânico foi muito hostil quando publicamos as primeiras matérias. Ameaçaram entrar com uma ação legal, levaram membros da agência de segurança local na redação para destruírem nossos computadores e ameaçaram até mesmo fechar o jornal”.
Contato imediato
O envolvimento de Sônia com a pauta começou em julho passado, quando a jornalista recebeu uma inesperada ligação do diretor do “Fántástico” a respeito de uma entrevista com Glenn Greenwald. O jornalista norte-americano foi o escolhido por Snowden para receber os documentos secretos e estava interessado em conversar com ela.
“Em todo o momento Glenn se mostrou muito cuidadoso e criterioso com as informações que poderiam colocar em risco os envolvidos no caso. Ele é um excelente guardião dos documentos. Ao conhecê-lo entendi perfeitamente porque Snowden o escolheu”, disse Sônia.
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Parceiro da Globo na cobertura, o Guardian foi elogiado pelo conteúdo produzido sobre o assunto, sobretudo, em suas plataformas digitais. “O especial foi um divisor de águas no jornalismo. É, sem dúvida, uma nova forma de produzir notícia. Desde a apresentação gráfica ao texto são matérias que situam o leitor”, disse Sônia, que concluiu: “Vejo jornalistas falando com desprezo da internet, mas jornalismo é jornalismo. Ele precisa ser feito com responsabilidade, essa essência não muda”.
Aprendizados
Sobre os desafios de ter feito parte dessa cobertura, MacAskill destacou as preocupações que o jornal teve com as questões legais. Desde o começo da apuração o Guardian procurou seus advogados para saber das consequências de fazer tais revelações, principalmente porque os arquivos foram copiados por Snowden sem autorização do governo norte-americano.
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MackAskill falou sobre as pressões do governo inglês após as matérias do "Guardian" sobre espionagem A comunicação durante a apuração também foi um ponto crítico, devido a possibilidade das conversas estarem sendo monitoradas, explicou o jornalista. “Quando fui falar com o Snowden na China e depois na Rússia, não tinha como eu ligar para o meu editor e contar o teor da entrevista, muito menos mandar um e-mail”. Questionados sobre o que mudou em sua rotina após tomarem conhecimento do poder de vigilância norte-americano, os jornalistas confessaram que antes eram bastante ingênuos e não se preocupavam com a segurança de sua comunicação. Mas que isso mudou completamente. Ambos agora usam e-mails criptografados.
“Eu era ingênuo em relação à essa vigilância. Não achava que agências de segurança pudessem vigiar minhas conversas, e-mails. Hoje, não tenho dúvidas de que todos os jornalistas deveriam usar criptografia. No Guardian todos passamos a usar. Mais do que apenas nos proteger, isso também protege nossas fontes. Essa é nossa obrigação como jornalistas”, disse MacAskill.
Sônia concordou com o colega. “Eu não fazia ideia dessa vigilância toda. Já até brinquei por telefone com meu editor do “Fantástico”, dizendo: ‘Poxa, será que a NSA está nos ouvindo?’. Ninguém imagina que eles se preocupariam em ouvir uma bobagem como aquela”.


