"É natural que os mais velhos dêem seus lugares aos mais jovens", diz Beatriz Albuquerque
"É natural que os mais velhos dêem seus lugares aos mais jovens", diz Beatriz Albuquerque
De paparazzi a professora universitária. É o que poderia ser um resumo da carreira de Beatriz Albuquerque, conhecida por muitos apenas como Bia, que deixou de lado a rotina agitada de fotojornalista para se dedicar a ensinar alunos de cursos de Comunicação em São Paulo.
O contato com o talento de Nair Benedito foi o que chamou a atenção de Bia para a profissão, por volta de seus vinte anos de idade. Antes de receber o convite para trabalhar ao lado da ilustre profissional, ela havia acabado de concluir o curso de fotografia na escola Imagem e Ação. Mesmo assim, já conhecendo sua tendência para a área artística, se arriscou a cursar Direito. "Erroneamente, iniciei o curso, fiz quatro anos, e larguei. Foi um horror", conta.
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Dessa forma, com a decisão tomada, se dedicou às Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), onde se formou e tirou a licença pra atuar como jornalista. "Eu acho que a fotografia foi, para mim, uma oportunidade de estar sempre em algum lugar diferente. Eu nunca me imaginei em um escritório, fazendo todo dia a mesma coisa", diz. Bia foi, então, conquistando seu espaço no meio fotojornalístico e registrou passagens por diversas revistas, como Contigo , Som Sertanejo , Carícia , Ana Maria , Boa Forma , Faça Fácil , IstoÉ e IMPRENSA, onde esteve ao lado de Paulo Markun nos anos 1987 e 1988.
A fotojornalista chegou a ser chamada para trabalhar com Dulce Carneiro. Na ocasião, teve acesso às obras de Oscar Niemeyer e Roberto Burle Marx e começou a fotografar, também, projetos arquitetônicos e artísticos. "Acho que foi muito rica essa experiência. Cheguei a ir para a Europa, onde estive na casa de Yolanda Penteado e vi quadros originais de Picasso, Portinari. Culturalmente, foi maravilhoso", afirma.
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| Marginal Pinheiros |
Foi durante o tempo em que esteve na Contigo, da Editora Abril, que a fotógrafa se deu conta de que estava chegando a hora de interromper a correria cotidiana. Por volta dos 50 anos, ela explica que foi a uma "coletiva de imprensa da dupla Sandy e Junior e notei que eu precisava me apoiar nos outros fotógrafos que estavam lá para poder fotografar. Aí percebi que existe uma coisa real, da idade, que dificulta fisicamente e psicologicamente esse tipo de carreira. É natural que os mais velhos dêem seus lugares aos mais jovens".
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Desde então, foi trabalhar na Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), onde teve seu primeiro contato com temas relacionados a educação. Até que surgiu o convite, há 10 anos, da Secretaria de Cultura de Diadema (SP), para organizar um curso de fotografia para a periferia. "Esse trabalho foi a menina dos meus olhos", exclama Bia. O fruto dessa experiência, diz a fotógrafa, foi que, agora, são seus ex-alunos que dão continuidade ao projeto, motivo de grande satisfação por sua parte.
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"Depois desse curso, vi que estava chegando a hora de parar, quando fui chamada para dar aula em universidade, que caiu perfeitamente", conta ela. Hoje, já não faz trabalhos para editoras, pois dedica seu tempo às aulas e aos trabalhos com temas específicos para artistas plásticos. Suas fotos para Claudio Tozzi chegaram a ser publicadas em dois livros. "Acho que agora é o melhor momento para eu dar aulas. Tenho muita história para contar e descobri que gosto muito desse contato com os jovens", finaliza Bia.






