"É legal ter uma visão feminina no humor", diz a ilustradora e cartunista Cibele Santos

"É legal ter uma visão feminina no humor", diz a ilustradora e cartunista Cibele Santos

Atualizado em 31/10/2008 às 19:10, por Adriana Douglas/Redação Portal IMPRENSA.

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A partir de uma brincadeira com seu chefe de escritório, Cibele Santos, de 35 anos, começou a fazer seus primeiros traços como ilustradora, trocando a carreira de administradora de empresas pelo ofício de desenhista multitécnica. Natural da cidade de Maringá (PR), onde vive até hoje, a artista encarou seu talento e resolveu, de uma vez por todas, dedicar sua vida aos desenhos. "É a única coisa que eu sempre quis e gostei de fazer", afirma Cibele, que lembra da dificuldade em ter sido criada no interior do Estado, "em uma época pré-Internet", sem muitas pretensões de seguir e concretizar seu sonho. "Mas no final das contas, as oportunidades foram surgindo e a coisa acabou acontecendo", acrescenta.

Cibele Santos

Na verdade, as oportunidades as quais Cibele se refere apareceram durante o período em que trabalhou em uma cooperativa, quando ela e seus colegas organizaram uma charge sobre seu superior. "Emolduramos, embrulhamos para presente e colocamos na mesa dele. Ele viu, riu muito e eu não fui despedida", conta. "Depois disso, todos queriam ser 'cartunizados' e veio um desenho depois do outro", explica. E foi assim que os responsáveis pelo jornal da empresa tiveram conhecimento de seus trabalhos e acabaram contratando-na como cartunista da publicação. "Foi assim que começou minha carreira de ilustradora, com uma brincadeira", recorda Cibele.

Agências de propaganda, editoras e outras empresas logo manifestaram interesse pelos desenhos da artista, que começou a fazer ilustrações para livros infantis, embalagens, campanhas publicitárias e publicações científicas. "Gosto da variedade no trabalho", contenta-se Cibele. A afirmação explica a variedade de estilos adotados por ela, que acabou mergulhando no universo dos quadrinhos ao completar 30 anos. Já indicando o porquê do nome, as tirinhas "Mulher de 30 Anos" ganharam espaço em sua carreira, como forma de expressar fatos cômicos e, de certa forma, reais que acontecem com qualquer mulher. "São coisas que acontecem comigo, com minhas amigas. Muitas mulheres se identificam com elas, porque também vivenciam essas histórias", diz.

Cibele Santos

Na tentativa de inscrevê-las para serem publicadas no jornal Folha de S.Paulo, o editor do então debutante tablóide PubliMetro, diário gratuito que chegara em São Paulo em maio de 2007, convidou-a "para participar com a tira". "Eu até tive muitas dúvidas se iria dar conta de levar a tira adiante em um projeto sério, porque nunca fui humorista. Meu foco é a ilustração", afirma. Mas Cibele aceitou a proposta e poucos dias depois das primeiras edições do jornal, recebia elogios de leitores. "Aí começou mesmo a curtição do trabalho! Montei um blog, coloquei o link do site nas tirinhas e comecei a ter a resposta do público, que é a coisa mais gratificante desse trabalho. Eu nunca me imaginei fazendo um trabalho com um alcance tão grande de público", conta.

Cibele Santos

Fora o humor de sua mulher "balzaquiana", Cibele iniciou projetos de cunho educativo, como é o caso da parcerica com o escritor Álvaro Modernell, com a fundação do Mais Ativos, para a criação de um livro infantil sobre assuntos financeiros. Já o outro lado didático da ilustradora envolve temas médicos e ortodônticos. "A parte mais difícil da ilustração científica é entender o que eu devo mostrar no desenho, porque não sou médica nem dentista. Sou leiga e preciso mostrar um procedimento profissional", ressalta. Mas é baseada em explicações de profissionais, pesquisas e fotos que Cibele acaba realizando seus desenhos na área.

Ela, que desde pequena é "viciada em livros, gibis, papéis, canetas, tintas e lápis de cor", conta que aprendeu a "fazer coisas diferentes e usar técnicas" que não costuma utilizar para fugir da rotina do trabalho. "Para mim é vital variar os trabalhos. Uns eu faço a mão, outros no computador, em outros eu misturo tudo. Gosto de tudo o que se possa usar para desenhar. Desde lápis de cor até o photoshop", explica. "Nunca estou completamente satisfeita. Parece que sempre preciso aprender alguma coisa nova", completa. É por isso que Cibele resolveu se habilitar em outro tipo de desenho, como o sketch - um tipo de caricatura de personagens e pessoas. Em sua galeria de imagens, o cantor Elvis Presley recebe a maior parte da atenção da artista. "Elvis é meu muso! Eu já desenhei esse cara umas mil vezes. Os outros ícones foram feitos a trabalho", afirma.

Cibele Santos

Cibele lembra ainda que, no caso de "Mulher de 30 Anos", o projeto "nunca teve a pretensão de ser profissional" e que "era só uma diversão entre amigos". "As pessoas acham bacana essa novidade de uma mulher fazendo humor, até porque eu ponho as experiências das mulheres nas tiras. Os homens curtem porque também acompanham de perto as aventuras das esposas, amigas, namoradas. É legal ter uma visão feminina no humor", diz. Para ela, a "sociedade cobra muito das mulheres quando elas completam 30 anos", o que talvez influencia, em partes, sua vida também. "Depois dos 30, a gente descobre que há outras coisas bacanas para fazer e não fica mais tão entocada no quarto desenhando o tempo todo", finaliza.