“É cada vez mais difícil pautar a imprensa hoje”, diz Fabiana Leite sobre a AIDS
Fabiana participou do painel “A mídia como plataforma de informação sobre o HIV”, na 2ª edição do Fórum AIDS e o Brasil
Atualizado em 01/12/2014 às 12:12, por
Gabriela Ferigato.
Desde o começo da década de 1980, quando os primeiros casos de AIDS apareceram, a mídia brasileira passou a acompanhar o tema. Hoje, mais de trinta anos depois, parece que a doença vem perdendo espaço no noticiário.
Crédito: Fabiana (esq) participou do painel “A mídia como plataforma de informação sobre o HIV” Para Fabiana Leite, jornalista especializada na cobertura de saúde e produtora do programa "Bem Estar", da Rede Globo, afirma que é cada vez mais difícil pautar a imprensa hoje em relação ao tema.
“Nesse atual contexto de crise, as pessoas querem notícias boas, novidades e não querem mexer com assuntos ‘chatos’. Atualmente, tem essa coisa de querer trazer mais o entretenimento dentro do jornalismo”, diz.
Fabiana, que participou do painel “A mídia como plataforma de informação sobre o HIV”, na 2ª edição do Fórum AIDS e o Brasil, realizado por IMPRENSA na última quinta-feira (27/11), destacou que os profissionais têm medo de falar, por exemplo, que a epidemia está concentrada em homens jovens e homossexuais.
“Há um receio em falar e parecer que quer dizer que todo homem que faz sexo com homem é promíscuo e voltar isso como se fosse o ‘câncer gay’. A mídia tem medo disso, só que não é assim. Aí os gestores têm dificuldade de explicar”, ressalta.
Outro ponto, de acordo com a jornalista, é que as divulgações são fragmentadas. Para Fabiana, se o dado é que aumentou a incidência da doença entre homossexuais esse deve ser o tom da divulgação.
“Mas o governo se preocupa tanto que começa falando que está estabilizado. É necessário fazer campanhas segmentadas, como o Ministério tentou fazer para as mulheres profissionais do sexo. Só que aí a onda conservadora fez com que a campanha fosse calada”, lembrou.
Crédito: Fabiana (esq) participou do painel “A mídia como plataforma de informação sobre o HIV” Para Fabiana Leite, jornalista especializada na cobertura de saúde e produtora do programa "Bem Estar", da Rede Globo, afirma que é cada vez mais difícil pautar a imprensa hoje em relação ao tema.
“Nesse atual contexto de crise, as pessoas querem notícias boas, novidades e não querem mexer com assuntos ‘chatos’. Atualmente, tem essa coisa de querer trazer mais o entretenimento dentro do jornalismo”, diz.
Fabiana, que participou do painel “A mídia como plataforma de informação sobre o HIV”, na 2ª edição do Fórum AIDS e o Brasil, realizado por IMPRENSA na última quinta-feira (27/11), destacou que os profissionais têm medo de falar, por exemplo, que a epidemia está concentrada em homens jovens e homossexuais.
“Há um receio em falar e parecer que quer dizer que todo homem que faz sexo com homem é promíscuo e voltar isso como se fosse o ‘câncer gay’. A mídia tem medo disso, só que não é assim. Aí os gestores têm dificuldade de explicar”, ressalta.
Outro ponto, de acordo com a jornalista, é que as divulgações são fragmentadas. Para Fabiana, se o dado é que aumentou a incidência da doença entre homossexuais esse deve ser o tom da divulgação.
“Mas o governo se preocupa tanto que começa falando que está estabilizado. É necessário fazer campanhas segmentadas, como o Ministério tentou fazer para as mulheres profissionais do sexo. Só que aí a onda conservadora fez com que a campanha fosse calada”, lembrou.





