“É a guerra da informação em outro patamar”, diz especialista sobre ataques hackers à mídia

Recentemente, uma série de ataques hackers às redes sociais de veículos de imprensa ganharam destaque nas manchetes dos jornais. No geral, os invasores postavam mensagens criticando a mídia e manifestando seu apoio aos protestos que ocorreram no País.

Atualizado em 20/09/2013 às 16:09, por Alana Rodrigues e Igor dos Santos.

Há quem acredite que tais ataques não representem grande coisa, já muitos veem neles uma nova forma de guerra virtual.
No Brasil, a onda de protestos contra o aumento da passagem do transporte público, que desencadeou em uma série de outras reivindicações, contou com o apoio do coletivo Anonymous. O grupo invadiu alguns perfis no Twitter de veículos de comunicação e utilizou o espaço para sugerir alguns assuntos que deveriam ser discutidos. Entre eles, o veto à PEC 37, a saída de Renan Calheiros do Congresso, investigação e punição de irregularidades na Copa pelo Ministério Público, criação de lei que torna a corrupção crime hediondo e o fim do foro privilegiado.
Para Walter Teixeira Lima Jr., professor da Metodista de São Paulo e especialista em mídias sociais, a causa desses ataques se deve a uma luta pela atenção. Ele pontua o termo cracker - grupo que invade os sistemas a fim de quebrar os códigos de segurança de forma ilegal. "As redes sociais dos veículos de imprensa tradicionais atraem a atenção de muitos usuários. Os crackers roubam as senhas para tumultuar e desviar o fluxo informativo desses veículos. É a guerra da informação em outro patamar”, explica.
Intimidação na rede
No dia 17 de junho, o perfil da revista Veja foi invadido no Twitter. O autor, identificado como @AnonManifest, utilizou o microblog para chamar o veículo de “fascista” e convidou a população para se unir em prol das manifestações. “Jornalismo fascista nós não precisamos de vocês. A #LUTACONTINUA #Brasil #OGiganteAcordou #Brasil #rEvolução", disse o invasor, que também faz parte do Anonymous.
Em nota no site, a revista afirmou que o perfil do Radar Online, assinado pelo redator-chefe, Lauro Jardim, também havia sido atacado e esclareceu a invasão. "A publicação das notícias de Veja foi interrompida às 12h20 e todos os tuítes postados a partir desse horário são de autoria dos invasores", informava o texto.
Segundo Lima Jr., o hacker pode se passar pelo veículo e disseminar informações falsas sem o usuário perceber. “Isso causaria um desgaste na credibilidade, mas nada que não possa ser corrigido depois com o informe que sofreu ataque de hackers”, alerta.
O G1 também teve sua conta invadida no mês de junho. Os ativistas protestaram contra o monopólio da Rede Globo e a favor da democratização da mídia. “O império da Rede Globo finalmente vai começar a cair”, destacaram.
Outras mensagens postadas pelo grupo criticavam a repreensão aos manifestantes por parte de telejornais mais tradicionalistas. “Hoje o jornalismo faz o oposto do que deveria fazer, protegem os verdadeiros bandidos, marginalizam os manifestantes, são a favor da repressão”, acrescentaram.
No começo de setembro, a conta no migroblog do jornal O Globo também foi atacado pelo Anonymous. Em menos de 30 minutos o grupo havia publicado oito mensagens, convocando a população a participar dos protestos para o Sete de Setembro. "Restrição de uso de máscaras em manifestações é inconstitucional e é bom que isso seja revogado logo", escreveram. A violação ocorreu no início da tarde, e mudou imagens do perfil original da conta.
Crédito:Reprodução O jornalista e editor-executivo de plataformas digitais de O Globo , Pedro Doria, diz que desde que as redes sociais criaram relevância a imprensa é alvo de ataques hackers. Ele ressalta ainda a busca desses grupos por audiência. “Os perfis dos veículos de comunicação possuem uma audiência gigantesca, então, quando se tem a intenção de falar com uma quantidade muito grande de pessoas, uma das maneiras é hackear as redes sociais da imprensa”.
Doria explica que o único controle possível de segurança numa rede externa é o uso de senhas complexas. Segundo ele, há uma dependência de confiança no sistema das redes sociais. “Quando você tem qualquer tipo de serviço na nuvem, há um limite de segurança que o veículo pode garantir, uma hora você tem que confiar no serviço”, diz.
Prevenção
Walter destaca que ataques na internet acontecem a cada instante, alguns com sucesso e bilhões sem efeito. No entanto, a prevenção pode ser feita através de senhas fortes e alteradas diariamente. De acordo com o professor, detectado rapidamente a invasão, o site deve ser carregado novamente e no caso das redes sociais, tentar retomar rapidamente a senha.
“Eles devem trocar de senha, se possível todo o dia, pois dependendo do nível de processamento computacional que o hacker tiver, rapidamente consegue quebrá-la”, completa.