Dupla de amigos conta histórias de suas vidas nos quadrinhos "A Lost Hope"

Dupla de amigos conta histórias de suas vidas nos quadrinhos "A Lost Hope"

Atualizado em 10/10/2008 às 18:10, por Adriana Douglas/Redação Portal IMPRENSA.

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A amizade entre Pedro Falcão, 21, e Daniel de Andrade, 23, já existia há anos. A vontade de fazer algo criativo juntos parecia cada vez mais latente, mas nunca passava para a prática "por preguiça e falta de iniciativa". Quando a família de Pedro decidiu mudar-se de São Paulo para a cidade de Montréal, no Canadá, finalmente surgiu o impulso para tornar suas "histórias malucas" em algo concreto. Esse é o resumo do início da carreira dos camaradas que incorporam suas vidas nos personagens Pete F. e Dan W. dos quadrinhos " ".

Foi na virada do ano de 2007 que deram o primeiro passo nas funções de roteirista e desenhista/cartunista, respectivamente. "Começamos a fazer quadrinhos baseados na coisa que mais nos influencia: nossas próprias vidas. É tanta coisa bizarra acontecendo que achamos extremamente justo pegar e mostrar isso para as pessoas se divertirem", explica Dan. Tomando temas de humor como a alma das histórias, a dupla tinha o objetivo preciso de direcionar suas obras para o público estrangeiro. Então, mesmo sendo brasileiros, optaram por escrever tudo em inglês. "As piadas saiam melhor nessa língua e sempre visamos atingir os estrangeiros", diz Dan. Ele garante, no entanto, que há planos para publicar tiras em português. "A gente gosta de pensar que somos 'God's last punch-line' e nossa vida faz parte dessa grande piada", completa Pete.

Pete F. e Dan W.

A Internet, para jovens artistas, foi, assim, a melhor ferramenta, idealizada, para divulgar os primeiros desenhos que levavam, oficialmente, o título de "A Lost Hope". Dan aponta que a rede mundial foi eleita por ser uma mídia mais fácil e acessível que a impressa. "De alguns anos para cá, o número de quadrinhos pela Internet, chamados webcomics, cresceu de uma maneira absurda, virou quase tão comum quanto quadrinhos impressos", afirma.
Mas, lembrando que há, ainda, outras maneiras de tornar conhecido seu trabalho, Pete explica a estratégia para atingir aficionados por quadrinhos: "Colocamos panfletinhos com o endereço do site e uma frase qualquer das tiras em um monte de revistas em bancas e lojas de quadrinhos, mas escondido dos donos. Fazemos isso para justamente pegar uma um pessoal de surpresa. A pessoa vai lá, dá uma folheada em algum quadrinho e opa! encontra um folheto que no mínimo vai deixá-la curiosa".

Por causa da distância entre os dois, Pete conta que as funções foram divididas justamente porque não tinham como discutir sobre toda a produção de uma tira. "Eu escrevo, o Dan desenha e pronto, publicamos", conclui. Ele lembra que, durante o mês de julho, quando estava no Brasil de férias, foi a primeira vez que trabalharam juntos, lado a lado. "A empolgação era tanta que durante esse período chegamos a produzir três tiras por semana (a tiragem normalmente é de apenas uma por semana) e trabalhamos em vários outros projetos que finalmente vão sair do papel até o fim do ano", comenta.

Pete F. e Dan W.

Em menos de um ano de projeto, os amigos conseguiram montar uma espécie de "negócio próprio". A criação da , uma extensão do trabalho produzido pela dupla, engloba animações, álbuns e jogos. "Decidimos arregaçar as mangas e desenvolver o máximo de projetos possíveis. Hoje em dia, tudo isso faz parte de uma mesma cultura", afirma Pete. Seu parceiro conta, ainda, que, a partir deste mês, uma de suas séries será publicada na revista mensal UP (Underground Press), pela Editora Escala. "Essa tira é chefiada somente por mim, mas também é lançamento da Max Reebo", diz.

O "A Lost Hope" foi o grande responsável por aumentar a visibilidade do talento dos amigos em outros países. A história foi e é publicada em alguns jornais universitários canadenses. "Montréal é uma cidade com zilhões de universidades e, conseqüentemente, jornais universitários. Então, eu mando nossos trabalhos para os editores desses jornais e eles publicam", explica Pete. Ele conta, também, que estão na produção de um fanzine que é publicado em Los Angeles e na Noruega. "Temos muitos planos para o futuro, principalmente porque não fazemos mais só webcomics e queremos lançar nossos álbuns (graphic novels) em versão impressa", revela.

Pete F. e Dan W .

Como são quadrinhos que contam com produção feita no computador, Dan diz que os traços dos desenhos mudaram por parte de novas influências e depois de ter aprendido "a usar certas ferramentas que ajudaram a deixar [o desenho] com uma cara melhor". Nesse aspecto, Pete acredita que faz parte de uma nova fase em que entraram. "Ao contrário do que muitos fazem, não estamos só esperando nossa vez, estamos é correndo atrás do nosso espaço. E que esse espaço cresça cada vez mais, porque preciso pagar minhas contas", finaliza.

Pete F. e Dan W.