Dom Paulo Evaristo Arns completa 90 anos e é lembrado por sua contribuição à imprensa
Ao completar 90 anos no último dia 14 de setembro, Dom Paulo Evaristo Arns foi lembrado como "a voz dos que não tinham voz" e um r
Atualizado em 20/09/2011 às 17:09, por
Luiz Gustavo Pacete.
Ao completar 90 anos no último dia 14 de setembro, Dom Paulo Evaristo Arns foi lembrado como "a voz dos que não tinham voz" e um representante "incansável na defesa dos direitos humanos". Jornalista não-profissional registrado na 14º Delegacia Regional do Trabalho de Petrópolis (RJ), em1961, e empossado como jornalista militante pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em 1976, Arns foi o principal idealizador do livro "Brasil, nunca mais", contra a tortura. Entre sua atuação destacam-se situações 'extremas', como em 1975, quando enviara telegramas ao governo dos Estados Unidos, pedindo que fossem criadas sanções contra o Brasil, em função dos crimes cometidos pela ditadura. "O cardeal pede um embargo ao comércio brasileiro, implorando que os EUA e outros países ocidentais embarguem o comércio futuro com o Brasil", relatou o cônsul americano, em São Paulo, Frederick Chapin. Posteriormente, o próprio Arns repensou seu posicionamento e admitiu que a medida seria prejudicial ao país.
Arquidiocese de São Paulo Dom Paulo e sua irmã Zilda Arns Em outubro do mesmo ano, o arcebispo celebrou o culto ecumênico em memória do jornalista vítima da ditadura militar, Vladimir Herzog. Ivo Herzog, filho de Vladimir, conta à IMPRENSA que "Dom Paulo foi corajoso ao fazer o ato ecumênico da morte de seu pai e, graças ao arcebispo, Herzog tornou-se um marco na redemocratização do Brasil". Anos depois, ao relembrar o momento, Dom Paulo se emociona: "Quando o Herzog foi assassinado, os jornalistas me pediram que houvesse um ato ecumênico na catedral. Foi impressionante e muito bonito".
À IMPRENSA, o teólogo da Pontifica Universidade Católica de São Paulo (PUC), Fernando Altemeyer, explica que Dom Paulo representou a paz e a liberdade, em um período tão conturbado como o da ditadura. "Ele foi exemplar e simbólico ao enfrentar a força da ditadura, com a não-violência e a palavra firme, particularmente, quando do assassinato de Vladimir Herzog, indo até as prisões para testemunhar e impedir a tortura", diz o teólogo.
Dom Paulo também foi um dos representantes da Teologia da Libertação na América do Sul. "O fato de fazer da libertação um modo de vida e um estilo de diálogo foi mais que um discurso ou um slogan. Defendeu a todos sem distinção de credo ou ideologia. E soube, sempre, ouvir com serenidade. Seu valor fundamental foi dizer a palavra correta na hora necessária", reforça Altemeyer. Para Leonardo Boff, o religioso representa o símbolo da "consciência e justiça social, um verdadeiro cardeal dos pobres".
O arcebispo também foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz, em 1989, pela sua atuação em defesa dos direitos humanos. Atuou na rádio 9 de julho da Arquidiocese de São Paulo, que, durante o regime militar, entre 1964 e 1985, defendia os direitos humanos, mas foi censurada por 10 anos, entre 1968 e 1975. Desde 2006, Arns é presidente de honra do Conselho Consultivo da Representação da ABI, em São Paulo.
Dom Paulo celebrou seus 90 anos no dia 14 setembro, em uma cerimônia simples, na capela da casa das Irmãs Franciscanas da Ação Pastoral, em Taboão da Serra. A celebração foi conduzida pelo cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, atual arcebispo da arquidiocese, ao lado do cardeal Dom Cláudio Hummes, oito bispos e 15 padres, assistida, ainda, por familiares e amigos, num total de 75 pessoas.
Contribuições de Dom Paulo Evaristo Arns na luta pelos direitos humanos:
Em Petrópolis (RJ) no ano de 1952, trabalhou como professor de teologia, foi jornalista e vigário nos subúrbios da cidade;
Durante a ditadura militar, na década de 1970, lutou pelo fim das torturas e pela democracia junto com o rabino Henry Sobel;
Em 1970, assumiu como arcebispo de São Paulo e vendeu o Palácio Episcopal por 5 milhões de dólares para construir centros comunitários;
No ano de 1975, celebrou na Catedral da Sé junto com o rabino Henry Sobel e o reverendo protestante James Wright um culto ecumênico em função da morte do jornalista Vladimir Herzog;
Por sua luta em defesa aos pobres recebeu prêmios como título de doutor honoris causa em universidades dos Estados Unidos, Alemanha, Canadá e Holanda;
Entre 1979 e 1985, coordenou com o Pastor Jaime Wright o projeto Brasil: Nunca Mais;
Em 1992, Dom Paulo criou o Vicariato Episcopal da Comunicação, com a finalidade de fazer a Igreja estar presente em todos os meios de comunicação.
Depoimentos e declarações em função dos 90 anos de Dom Paulo:
"Um brasileiro da melhor qualidade que me ensinou a nunca perder as esperanças e a vencer o medo em nome de um compromisso maior com o nosso tempo e a nossa gente" Ricardo Kotscho, jornalista
"Em 1975, o corajoso ato de Dom Paulo Evaristo Arns, de celebrar uma missa de sétimo dia ecumênica - junto a um rabino e um pastor protestante - na Catedral da Sé, em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, assassinado por seus torturadores, tornou-se um marco na luta volta da democracia no país" Moacir Pereira, jornalista
"A militância do MST, assim como todas as pessoas de boa vontade, se sentem identificadas com a figura do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns.Ao longo de sua vida, ele primou pelo compromisso com os mais pobres, os trabalhadores e com todas as causas da justiça social.Arns defendeu os presos políticos, os trabalhadores e os pobres contra qualquer injustiça. Defendeu, inclusive, nosso Leonardo Boff dos tribunais romanos" Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST)
"D. Paulo é motivo de orgulho para Santa Catarina e para todos os brasileiros, por sua dedicação integral ao próximo, ao menos favorecido" Deputado Casildo Maldaner (PMDB-SC)
"Dom Paulo foi fundamental para a derrubada da ditadura por meio de suas atitudes e palavras. Marcou a história do nosso país", destacou. Deputado Simão Pedro (PT-SP)
"Ele fez de sua vida um apostolado em nome da Igreja Católica, cumprindo com determinação a missão de lutar pela liberdade do povo brasileiro e defender as causas do humanismo cristão, inspirado na fé de Jesus Cristo e iluminado pelo exemplo de São Francisco, de João XXIII, dom Helder Câmara e de outras figuras que honraram a longa história do cristianismo", Deputado Paulo Teixeira (PT-SP)
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Arquidiocese de São Paulo Dom Paulo e sua irmã Zilda Arns Em outubro do mesmo ano, o arcebispo celebrou o culto ecumênico em memória do jornalista vítima da ditadura militar, Vladimir Herzog. Ivo Herzog, filho de Vladimir, conta à IMPRENSA que "Dom Paulo foi corajoso ao fazer o ato ecumênico da morte de seu pai e, graças ao arcebispo, Herzog tornou-se um marco na redemocratização do Brasil". Anos depois, ao relembrar o momento, Dom Paulo se emociona: "Quando o Herzog foi assassinado, os jornalistas me pediram que houvesse um ato ecumênico na catedral. Foi impressionante e muito bonito".
À IMPRENSA, o teólogo da Pontifica Universidade Católica de São Paulo (PUC), Fernando Altemeyer, explica que Dom Paulo representou a paz e a liberdade, em um período tão conturbado como o da ditadura. "Ele foi exemplar e simbólico ao enfrentar a força da ditadura, com a não-violência e a palavra firme, particularmente, quando do assassinato de Vladimir Herzog, indo até as prisões para testemunhar e impedir a tortura", diz o teólogo.
Dom Paulo também foi um dos representantes da Teologia da Libertação na América do Sul. "O fato de fazer da libertação um modo de vida e um estilo de diálogo foi mais que um discurso ou um slogan. Defendeu a todos sem distinção de credo ou ideologia. E soube, sempre, ouvir com serenidade. Seu valor fundamental foi dizer a palavra correta na hora necessária", reforça Altemeyer. Para Leonardo Boff, o religioso representa o símbolo da "consciência e justiça social, um verdadeiro cardeal dos pobres".
O arcebispo também foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz, em 1989, pela sua atuação em defesa dos direitos humanos. Atuou na rádio 9 de julho da Arquidiocese de São Paulo, que, durante o regime militar, entre 1964 e 1985, defendia os direitos humanos, mas foi censurada por 10 anos, entre 1968 e 1975. Desde 2006, Arns é presidente de honra do Conselho Consultivo da Representação da ABI, em São Paulo.
Dom Paulo celebrou seus 90 anos no dia 14 setembro, em uma cerimônia simples, na capela da casa das Irmãs Franciscanas da Ação Pastoral, em Taboão da Serra. A celebração foi conduzida pelo cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, atual arcebispo da arquidiocese, ao lado do cardeal Dom Cláudio Hummes, oito bispos e 15 padres, assistida, ainda, por familiares e amigos, num total de 75 pessoas.
Contribuições de Dom Paulo Evaristo Arns na luta pelos direitos humanos:
Em Petrópolis (RJ) no ano de 1952, trabalhou como professor de teologia, foi jornalista e vigário nos subúrbios da cidade;
Durante a ditadura militar, na década de 1970, lutou pelo fim das torturas e pela democracia junto com o rabino Henry Sobel;
Em 1970, assumiu como arcebispo de São Paulo e vendeu o Palácio Episcopal por 5 milhões de dólares para construir centros comunitários;
No ano de 1975, celebrou na Catedral da Sé junto com o rabino Henry Sobel e o reverendo protestante James Wright um culto ecumênico em função da morte do jornalista Vladimir Herzog;
Por sua luta em defesa aos pobres recebeu prêmios como título de doutor honoris causa em universidades dos Estados Unidos, Alemanha, Canadá e Holanda;
Entre 1979 e 1985, coordenou com o Pastor Jaime Wright o projeto Brasil: Nunca Mais;
Em 1992, Dom Paulo criou o Vicariato Episcopal da Comunicação, com a finalidade de fazer a Igreja estar presente em todos os meios de comunicação.
Depoimentos e declarações em função dos 90 anos de Dom Paulo:
"Um brasileiro da melhor qualidade que me ensinou a nunca perder as esperanças e a vencer o medo em nome de um compromisso maior com o nosso tempo e a nossa gente" Ricardo Kotscho, jornalista
"Em 1975, o corajoso ato de Dom Paulo Evaristo Arns, de celebrar uma missa de sétimo dia ecumênica - junto a um rabino e um pastor protestante - na Catedral da Sé, em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, assassinado por seus torturadores, tornou-se um marco na luta volta da democracia no país" Moacir Pereira, jornalista
"A militância do MST, assim como todas as pessoas de boa vontade, se sentem identificadas com a figura do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns.Ao longo de sua vida, ele primou pelo compromisso com os mais pobres, os trabalhadores e com todas as causas da justiça social.Arns defendeu os presos políticos, os trabalhadores e os pobres contra qualquer injustiça. Defendeu, inclusive, nosso Leonardo Boff dos tribunais romanos" Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST)
"D. Paulo é motivo de orgulho para Santa Catarina e para todos os brasileiros, por sua dedicação integral ao próximo, ao menos favorecido" Deputado Casildo Maldaner (PMDB-SC)
"Dom Paulo foi fundamental para a derrubada da ditadura por meio de suas atitudes e palavras. Marcou a história do nosso país", destacou. Deputado Simão Pedro (PT-SP)
"Ele fez de sua vida um apostolado em nome da Igreja Católica, cumprindo com determinação a missão de lutar pela liberdade do povo brasileiro e defender as causas do humanismo cristão, inspirado na fé de Jesus Cristo e iluminado pelo exemplo de São Francisco, de João XXIII, dom Helder Câmara e de outras figuras que honraram a longa história do cristianismo", Deputado Paulo Teixeira (PT-SP)
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