Dois Pesos - Duas Medidas: "O CFJ é um delírio da Fenaj"
Dois Pesos - Duas Medidas: "O CFJ é um delírio da Fenaj"
IMPRENSA - Depois de quatro anos de batalhas jurídicas, o TRF derrubou a liminar que dispensava a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Como o senhor avalia esta decisão? Acredita que este assunto esteja encerrado?
HAROLDO - De maneira nenhuma. Ainda cabe recurso e certamente a questão vai parar no STF. Lá, o caso deverá ser visto com outra ótica, menos parcial e mais abrangente. Jornalismo não é privilégio de uma casta, mas algo profundamente comprometido com a sociedade e com a democracia.
IMPRENSA - Após a decisão da justiça e o empenho da Fenaj em cassar os registros precários, como irá proceder o Movimento dos Sem Diploma?
HAROLDO - Existem duas possibilidades até que a questão chegue ao STF. Uma seria cada jornalista entrar com ações isoladas na justiça e requerer o direito ao exercício da profi ssão (baseado na Constituição Federal). Outra é que nos organizemos e entremos com uma ação conjunta na justiça (já temos advogados para isso) e exigir que nossos registros se tornem definitivos.
IMPRENSA - O senhor acredita que o ensino de jornalismo seja desnecessário para a formação de um profissional?
HAROLDO - Em alguns casos sim. As técnicas de jornalismo podem ser aprendidas em poucos meses numa redação. A história comprova isso. Cláudio Abramo, em seu livro A Regra do Jogo diz, logo no começo: "Não sou formado em nada, não tenho nenhum diploma, sequer terminei o ginasial." Será que alguém acredita que Abramo tenha sido um mau profi ssional por causa disso? Tenho certeza que não. Isso não quer dizer que os cursos de jornalismo devam ser descartados ou deixar de existir.
IMPRENSA - O senhor é a favor de uma prova nos moldes do exame da Ordem dos Advogados para o Jornalismo? Por quê?
HAROLDO - Eu sou contra qualquer prova, isso é absurdo! Eu não preciso de licença para escrever, a Constituição Federal me dá este direito.
IMPRENSA - Qual é a posição do Movimento dos Jornalistas sem Diploma em relação ao Conselho Federal de Jornalistas?
HAROLDO - O Conselho Federal de Jornalistas é um delírio da Fenaj. A profi ssão não pode ser regulamentada. Ela trabalha no campo das idéias e toca diretamente na liberdade de expressão. Eu tenho o direito, por Lei, de editar um jornal, uma revista, um panfl eto, escrever um livro e o que mais eu quiser. Meus censores serão os leitores e a justiça brasileira, caso cometa algum crime. Já existe sanção para maus jornalistas.
IMPRENSA - No momento atual, os jornalistas sem diploma que estiverem atuando na profissão correm algum risco de serem presos por exercício ilegal da profissão?
HAROLDO - De jeito nenhum. Eu nunca vi alguém ser preso por exercer sua cidadania e sua liberdade de expressão. A Constituição nos garante. Se a Fenaj não nos dá carteirinha, os sindicatos não permitem que nos fi liemos, tudo bem! Mas quem precisa de carteirinha da Fenaj? Quem precisa se sindicalizar? Aliás, a maioria dos coleguinhas não é fi liada a sindicato nenhum e nem tem carteirinha da Fenaj. O que vale para trabalhar é o registro (que deveria ser extinto) e a carteira funcional do veículo. O resto é ilusão de pequeno-burgueses, que gostam do glamour da profi ssão. Mas sem talento e competência não se chega a lugar algum.
Movimento
O Movimento Nacional dos Jornalistas Sem Diploma foi fundado em março de 2005, por iniciativa dos jornalistas Gérson Siqueira, de São Paulo e Haroldo Mendes e Antônio Vieira, em Belo Horizonte.
Ele foi criado - prioritariamente - em razão da insatisfação dos profissionais pela discriminação que sofrem desde de 1969 quando se recusaram a aceitar a condição de "jornalista profissional" imposta pelo governo militar
O movimento se coloca contra qualquer emissão de licença para expressar opinião, alegando que a Constituição Federal já lhes garante este direito.
Os jornalistas não-diplomados a. rmam não querer desrespeitar as leis, mas estão prontos a contestá-las sempre que ferirem as liberdades individuais.
De acordo com seus organizadores, o movimento se coloca contra o diploma, mas de maneira nenhuma contra o profissionalismo, a ética e a plena democracia.
O movimento resolveu
participar ativamente na Rede em Defesa da Liberdade de Imprensa no Brasil criada pela ANJ (Associação Nacional dos Jornais), com apoio da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
Para se associar e/ou contatar o movimento, basta entrar em contato com Haroldo Mendes e/ou Gérson Siqueira, por meio dos telefones (31) 9686-3090 e (11) 5814-3053, respectivamente, ou enviar e-mails para haroldomendes@ig.com.br e gs_jornalista@yahoo.com.br.






