Dois jornalistas escapam de execução pública na Bolívia
Dois jornalistas escapam de execução pública na Bolívia
O repórter Limberth Sánchez e o cinegrafista Edson Jiménez, do canal privado boliviano Red Bolivisión, por pouco não foram mortos em um linchamento. Na última terça-feira, 26, no distrito de Epizana, próximo de Cochabamba, eles testemunharam violentas manifestações de nativos, que resultaram na execução de três policiais.
"Dois jornalistas que só estavam fazendo seu trabalho escaparam por pouco da tragédia, em um contexto de violência particularmente insustentável. Essas demostracões de fúria coletiva são também muito preocupantes para a liberdade de imprensa, sobretudo quando se sabe que os jornalistas bolivianos pagaram o preço da violência política que sacudiu o país em 2007, e que pode reaparecer a qualquer momento. Pedimos que a investigação sobre a tragédia de Epinaza conduza à identificação dos agressores de Limberth Sánchez e Edson Jiménez", declarou a organização Repórteres Sem Fronteiras.
Os dois foram violentamente agredidos enquanto assistiam ao massacre de três policiais, promovido por cerca de 300 nativos encolerizados. A tentativa de deter a multidão fez com que o motim se voltasse contra eles. Os jornalistas da Red Bolivisión começaram então a gravar imagens do drama quando um manifestante os localizou e avisou os outros. A câmera de Edson foi roubada.
Os nativos, enfurecidos com os três policiais, lincharam dois deles e golpearam o terceiro até a morte. "Nos bateram, nos jogaram pedras e tentamos escapar", afirmou Sánchez.
A polícia boliviana, afetada pelos baixos salários, às vezes é corrupta e responsável por abusos de poder, e com freqüência é acusada de represálias coletivas, ou de atuações de "justiça comunitária" nos meios rurais.
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