Documento do DOI-Codi revela que Sebastião Salgado foi espionado pela ditadura

Revista "IstoÉ" obteve acesso ao documento, entrevista fotógrafo e o informa sobre espionagem

Atualizado em 01/12/2014 às 12:12, por Redação Portal IMPRENSA.

Uma reportagem da revista IstoÉ deste fim de semana revela que o fotógrafo Sebastião Salgado foi investigado pelos militares depois da promulgação da Lei da Anistia, à época da reabertura política no Brasil.
Crédito:Divulgação Fotógrafo não sabia que tinha sido espionado pela ditadura
O monitoramento ocorreu quando o fotógrafo retornou ao país, em dezembro de 1979, depois de passar dez anos no exterior. Na ocasião, ele trabalhava para a agência internacional Magnum e a viagem tinha como objetivo um projeto fotográfico com foco no Norte e no Nordeste.
Com base em documento confidencial produzido pelo DOI-Codi, o serviço de inteligência da repressão, a revista diz que Salgado não sabia, mas era vigiado por espiões dos serviços secretos das Forças Armadas.
Em entrevista à IstoÉ , Salgado diz que nunca teve conhecimento de que estava sob observação. “Algumas informações estão corretas, mas a maior parte do que está escrito é fabulação”, acrescentou o fotógrafo.
Segundo a publicação, o documento trata-se do Relatório de Operações (Relop) nº 23, com uma página e meia, arquivado no “Protocolo Sigiloso” com o número 113. Tem data de 10 em abril de 1980 e foi produzido pelo Departamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) de Brasília.
O relatório aponta que Salgado “estaria realizando levantamentos fotográficos” para a Magnum (erradamente grafada como “Magnus”) sobre pontos de prostituição, exploração e tráfico de menores nas margens da rodovia Belém-Brasília.
No entanto, a única pauta realizada pelo fotógrafo foi no Projeto Jari, patrocinado na década de 1970 pelo americano Daniel Ludwig, e instalado na divisa do Amapá com o Pará para a produção de celulose e energia.