Documentário traz os bastidores da “rede social” que funciona por meio das ondas do rádio

Partindo do programa Ponto de Encontro, transmitido pela Rádio Nacional da Amazônia, quatro estudantes desenvolveram um documentário sobre o

Atualizado em 04/06/2020 às 06:06, por .

Histórias de TCC

rádio e seu uso enquanto meio de transmissão de recados em regiões afastadas dos grandes centros urbanos do Brasil, e a formação de relações interpessoais entre os ouvintes.


“O propósito deste produto é discutir a importância do rádio no cotidiano dessas pessoas, dentro do contexto social em que vivem e, ainda, observar em que medida o programa se assemelha com as redes sociais contemporâneas comuns às plataformas digitais online”, destaca a equipe de TCC formada por Guilherme Guidetti, do curso de Jornalismo, Jamile Nonato, Mateus Lemos e Rafael Costa, do curso de Rádio, TV e Internet, que se graduaram pela Fapcom - Faculdade Paulus de Comunicação, em junho de 2017.


Crédito:Divulgação


O trabalho contou com a orientação do Prof. Dr. Elinaldo Meira, da Fapcom. Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Rafael Costa compartilha sua História de TCC.


Sobre o trabalho


Nossa proposta foi produzir um documentário sobre a relação dos ouvintes do programa “Ponto de Encontro”, da Rádio Nacional da Amazônia, com os apresentadores e entre si. O programa existe há mais de trinta anos e tem como principal objetivo receber e transmitir recados enviados entre os ouvintes, tendo em vista que a região Norte do Brasil ainda possui muitos pontos onde há limites para as pessoas se comunicarem.

Esse uso do programa para o envio de mensagens começou pelos garimpos naquela região e a busca de familiares das diferentes regiões do país por informações de quem viajou para ganhar a vida naqueles locais. E essa troca de mensagens via rádio até hoje funciona, criando um tipo de “rede social” por meio das ondas do rádio. Para entender mais sobre o programa e conhecer os ouvintes, viajamos até Brasília, Pau dos Ferros, no Rio Grande do Norte, e São Félix do Xingu, no Pará.


Principais desafios ao longo da produção


Um dos principais desafios foi, sem dúvida, o deslocamento até os locais de gravação das entrevistas. Na viagem para a capital federal, percorremos cerca de dois mil quilômetros de carro, para visitar a sede da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), e conversar com a equipe de produção do programa e a apresentadora Sula Sevillis, que começou o programa em meados dos anos 80. Na viagem ao Rio Grande do Norte, além de um percurso de avião, viajamos cerca de cinco horas de carro até chegarmos a Pau dos Ferros e lá conhecemos mais uma de nossas fontes, Osvaldo Dias, o popular “Gambiarra”.


Nossa última e mais longa viagem foi até São Félix do Xingu, no Pará. Quase quinze horas de viagem para chegar, em percurso realizado de avião, com conexão em Minas Gerais, e mais oito horas de viagem de carro, em estradas com condições muito ruins. Mesmo com tantos desafios nos caminhos, fomos presenteados com muito carinho e receptividade pelos nossos entrevistados.

Os aprendizados


Para nós quatro que realizamos este trabalho, os aprendizados foram muitos. A começar por conhecer melhor o “Brasil de fora”, ou seja, os costumes, clima e pessoas que vivem além do eixo sudeste de nosso país. Conhecer o modo de vida de uma pessoa que às vezes não tem luz elétrica, internet, água encanada e utiliza o rádio como principal meio de comunicação foi para nós uma experiência muito importante e transformadora. Também nos fez ter a certeza de que a escolha por este documentário foi a certa, pois por meio dele possibilitamos que mais pessoas possam conhecer esse Brasil distante, mas tão rico de experiências e boas vibrações.


Crédito:Arquivo Pessoal

Significado dessa experiência


Realizar este trabalho nos trouxe a certeza de que escolhemos a profissão certa. Contar histórias, trazer ao conhecimento de outras pessoas algo que nem sabiam que existia, foi uma experiência muito inspiradora e digna de orgulho. Saímos da faculdade diferentes de como entramos, com a certeza de que o trabalho que realizamos é importante para a sociedade, e isso não tem preço.


Contribuições que o trabalho trouxe


As principais contribuições são internas, acredito, no modo de como vemos a vida. Hoje em dia não conseguimos ficar nem alguns minutos sem internet ou longe de nossos smartphones. Sair da nossa zona de conforto, viajar milhares de quilômetros sem acesso à internet em muitos pontos, em locais que não conhecemos e buscando entender mais sobre o modo de vida do próximo, foi sensacional. Além de passar bons momentos com os amigos integrantes do grupo, pois tudo o que vivemos juntos nos tornou ainda mais fortes e unidos. Também tivemos a oportunidade de participar do Intercom Sudeste, em 2018, na categoria Documentário. Chegamos à fase final e apresentamos nosso trabalho em Belo Horizonte. Mesmo não trazendo o prêmio principal para casa, ficou a certeza de

um trabalho bem feito e lembrado até hoje por nossos mestres.


Conselhos para quem está fazendo o TCC


Um bom conselho é: acredite sempre! Não desista da sua busca de fazer sempre o melhor possível, e procure um tema que te faça ver a vida de uma nova forma. Se fizer o trabalho em grupo, busque sempre entender o que cada um deseja e espera do resultado final, e façam de suas reuniões momentos de alinhar os objetivos e buscar soluções para os desafios. Quanto mais unidos os integrantes, melhor será o resultado final. Aventurem-se! A graduação é um ótimo momento para experimentar novas formas de se fazer produtos.


A experiência, durante o período de produção do documentário Ponto de Encontro, foi compartilhada pela equipe de TCC no