Documentário desvenda o sucesso das manchetes do jornal "Meia Hora"
Longa foi exibido no Festival de Cinema do Rio de Janeiro e deve chegar ao circuito comercial em breve.
Atualizado em 24/10/2014 às 17:10, por
Lucas Carvalho*.
Consideradas bem-humoradas por alguns, de mau gosto por outros, as capas do jornal carioca Meia Hora fazem sucesso entre os leitores do Rio de Janeiro há dez anos. Buscando contar a história da publicação e oferecer uma reflexão sobre a linguagem do jornalismo, o cineasta Angelo Defanti produziu o documentário “Meia Hora e as manchetes que viram manchete”.
Crédito:Divulgação Documentário estuda a linguagem do jornal que faz sucesso na capital fluminense
O filme foi exibido entre os dias 4 e 6 de outubro no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, o único documentário a esgotar sessões no evento. Após o sucesso, os produtores fecharam contrato com uma distribuidora que pretende levar o longa para o circuito comercial da capital fluminense. Depois disso, a obra deve chegar a outras cidades brasileiras.
Segundo Defanti, a ideia original se limitava a um curta-metragem em celebração à irreverência do título. Porém, durante a pré-produção, a equipe acabou decidindo mudar de formato. “A gente queria pensar o Meia Hora e não só celebrá-lo. O filme virou um longa-metragem para entender a comunicação popular impressa, com um estudo de caso do Meia Hora . Por isso a gente fez esse filme”, conta.
Ao todo, o documentário levou três anos para chegar às telas do cinema. Entre os entrevistados estão nomes ligados à história do veículo como Henrique Freitas (ex-editor), Humberto Tziolas (atual editor), Alexandre Freeland (ex-diretor executivo), Eucimar de Oliveira (diretor editorial do grupo O Dia, que administra o Meia Hora ) e David Brazil (colunista social). Faz também uma participação especial no filme a cantora Valesca Popozuda, que, nas palavras do diretor, “é um exemplo do que é conteúdo no jornal”.
Crédito:Divulgação Manchetes irreverentes dividem opiniões do público
Para Defanti, o Meia Hora está profundamente ligado à cultura social do Rio de Janeiro. “Tem uma parcela de pessoas que não liam e começaram a ler a partir do Meia Hora . Teve gente que começou a se ver no jornal. A partir disso, se você quer entender o Estado, as classes C e D do Rio, você precisa ver o Meia Hora . Se quer entender o que as classes A e B acham ‘cult’, você tem que ver o Meia Hora . O jornal é um termômetro muito preciso para o Rio.”
O cineasta acredita que o filme levanta um importante debate: sobre a responsabilidade dos veículos na formação de seu público – e vice-versa. “Se o jornal é mediador entre o leitor e os fatos, é válido entregar os fatos com uma piada? Tem uma responsabilidade aí – de quem é? É da própria mídia? Mas se a mídia não fizer, o público não compra. Então o jornal é um produto? Ou é um retrato do público? São essas questões que permeiam o filme.”
De acordo com Defanti, o documentário é uma resposta ao debate. Mas cada espectador enxergará a sua própria versão; “O filme em si é imparcial. Mas quem tem predisposição a ser contra o jornal, acha que o filme é contra. Quem tem predisposição a ser a favor do jornal, sai do filme achando que fomos completamente a favor. De todo modo, todo mundo sai pensando e se questionando, não só o Meia Hora , mas a mídia como um todo”, conclui.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves
Crédito:Divulgação Documentário estuda a linguagem do jornal que faz sucesso na capital fluminense
O filme foi exibido entre os dias 4 e 6 de outubro no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, o único documentário a esgotar sessões no evento. Após o sucesso, os produtores fecharam contrato com uma distribuidora que pretende levar o longa para o circuito comercial da capital fluminense. Depois disso, a obra deve chegar a outras cidades brasileiras.
Segundo Defanti, a ideia original se limitava a um curta-metragem em celebração à irreverência do título. Porém, durante a pré-produção, a equipe acabou decidindo mudar de formato. “A gente queria pensar o Meia Hora e não só celebrá-lo. O filme virou um longa-metragem para entender a comunicação popular impressa, com um estudo de caso do Meia Hora . Por isso a gente fez esse filme”, conta.
Ao todo, o documentário levou três anos para chegar às telas do cinema. Entre os entrevistados estão nomes ligados à história do veículo como Henrique Freitas (ex-editor), Humberto Tziolas (atual editor), Alexandre Freeland (ex-diretor executivo), Eucimar de Oliveira (diretor editorial do grupo O Dia, que administra o Meia Hora ) e David Brazil (colunista social). Faz também uma participação especial no filme a cantora Valesca Popozuda, que, nas palavras do diretor, “é um exemplo do que é conteúdo no jornal”.
Crédito:Divulgação Manchetes irreverentes dividem opiniões do público
Para Defanti, o Meia Hora está profundamente ligado à cultura social do Rio de Janeiro. “Tem uma parcela de pessoas que não liam e começaram a ler a partir do Meia Hora . Teve gente que começou a se ver no jornal. A partir disso, se você quer entender o Estado, as classes C e D do Rio, você precisa ver o Meia Hora . Se quer entender o que as classes A e B acham ‘cult’, você tem que ver o Meia Hora . O jornal é um termômetro muito preciso para o Rio.”
O cineasta acredita que o filme levanta um importante debate: sobre a responsabilidade dos veículos na formação de seu público – e vice-versa. “Se o jornal é mediador entre o leitor e os fatos, é válido entregar os fatos com uma piada? Tem uma responsabilidade aí – de quem é? É da própria mídia? Mas se a mídia não fizer, o público não compra. Então o jornal é um produto? Ou é um retrato do público? São essas questões que permeiam o filme.”
De acordo com Defanti, o documentário é uma resposta ao debate. Mas cada espectador enxergará a sua própria versão; “O filme em si é imparcial. Mas quem tem predisposição a ser contra o jornal, acha que o filme é contra. Quem tem predisposição a ser a favor do jornal, sai do filme achando que fomos completamente a favor. De todo modo, todo mundo sai pensando e se questionando, não só o Meia Hora , mas a mídia como um todo”, conclui.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves





