Doce mineirice: Adeus a Fernando Sabino
Doce mineirice: Adeus a Fernando Sabino
O escritor foi internado em setembro na Casa de Saúde Pinheiro Machado, em Laranjeiras, para realizar exames e se reidratar.
Nasceu em Belo Horizonte (MG) em 12 de outubro de 1923 e ainda adolescente, aos 17 anos, decidiu que queria ser gramático e escreveu um artigo de crítica sobre o dicionário de Laudelino Freire no jornal "Mensagem", e publicou artigos literários em "O Diário", com Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos.
Nos anos 1940, cursa a Faculdade de Direito e ingressa no jornalismo como redator da "Folha de Minas". O primeiro livro de contos, "Os Grilos não Cantam Mais", é publicado em 1941, no Rio de Janeiro.
Aos 77 anos, em 2000, lança sua "obra póstuma": "Livro Aberto", com textos nunca publicados em livros como crônicas, resenhas, entrevistas, ensaios, cartas, bilhetes e os dois únicos poemas que Sabino diz ter feito até hoje. Sobre o livro ele disse: "O que não estiver em "Livro Aberto" é condenado ao esquecimento (...). "Imagine, depois que eu morrer, o pessoal publicando minhas redações escolares nas primeiras páginas dos suplementos literários. Não quero isso, não", explicou.
Em junho deste ano, lança um romance conservado inédito por quase 60 anos: "Os Movimentos Simulados". Segundo entrevista divulgada pela editora Record, Sabino disse ter relido o livro "afogado em perdidas emoções" e resolveu "publicá-lo tal e qual, sem tirar nem pôr".
Com sua morte, morre um pouco do melhor da crônica brasileira, do autor de livros como "O Encontro Marcado", "O Grande Mentecapto" e "O Homem Nu". Morre a doce mineirice de textos da série "Para Gostar de Ler", com Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga, publicada nos anos 1980. E como ele disse em um dos seus livros: "No fim tudo dá certo, se não deu certo é porque não chegou ao fim."






