Doce mineirice: Adeus a Fernando Sabino

Doce mineirice: Adeus a Fernando Sabino

Atualizado em 11/10/2004 às 21:10, por Fabíola Tarapanoff.

"Todo homem é incendiário aos vinte anos, e bombeiro aos quarenta." Mineiro tranqüilo, com um olhar vivo sobre o cotidiano e um dos nossos mais brilhantes cronistas, Fernando Sabino faleceu hoje, aos 80 anos, vítima de câncer no esôfago. Seu corpo está sendo velado, esta tarde, no Cemitério São João Batista, em Botafogo (zona sul do Rio de Janeiro).

O escritor foi internado em setembro na Casa de Saúde Pinheiro Machado, em Laranjeiras, para realizar exames e se reidratar.

Nasceu em Belo Horizonte (MG) em 12 de outubro de 1923 e ainda adolescente, aos 17 anos, decidiu que queria ser gramático e escreveu um artigo de crítica sobre o dicionário de Laudelino Freire no jornal "Mensagem", e publicou artigos literários em "O Diário", com Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos.

Nos anos 1940, cursa a Faculdade de Direito e ingressa no jornalismo como redator da "Folha de Minas". O primeiro livro de contos, "Os Grilos não Cantam Mais", é publicado em 1941, no Rio de Janeiro.

Aos 77 anos, em 2000, lança sua "obra póstuma": "Livro Aberto", com textos nunca publicados em livros como crônicas, resenhas, entrevistas, ensaios, cartas, bilhetes e os dois únicos poemas que Sabino diz ter feito até hoje. Sobre o livro ele disse: "O que não estiver em "Livro Aberto" é condenado ao esquecimento (...). "Imagine, depois que eu morrer, o pessoal publicando minhas redações escolares nas primeiras páginas dos suplementos literários. Não quero isso, não", explicou.

Em junho deste ano, lança um romance conservado inédito por quase 60 anos: "Os Movimentos Simulados". Segundo entrevista divulgada pela editora Record, Sabino disse ter relido o livro "afogado em perdidas emoções" e resolveu "publicá-lo tal e qual, sem tirar nem pôr".

Com sua morte, morre um pouco do melhor da crônica brasileira, do autor de livros como "O Encontro Marcado", "O Grande Mentecapto" e "O Homem Nu". Morre a doce mineirice de textos da série "Para Gostar de Ler", com Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga, publicada nos anos 1980. E como ele disse em um dos seus livros: "No fim tudo dá certo, se não deu certo é porque não chegou ao fim."