Do pin-up à pornochanchada, Benicio é o ilustrador “especialista em mulheres”

Gaúcho de Rio Pardo, José Luiz Benicio (76) vive na capital carioca há mais de seis décadas, período em que construiu sua longa e exitosa carreira como ilustrador.

Atualizado em 31/08/2012 às 17:08, por Guilherme Sardas.

Trabalhou ainda em publicidade, passando por McCann Erickson e ArtPlan, esta por 20 anos.


A larga experiência em áreas tão diversas não apagou a “estrela” de seus trabalhos mais marcantes: os mais de 300 cartazes de cinema pintados na era da pornochanchada, além de outras três dezenas feitas sob encomenda para a popularíssima filmografia de "Os Trapalhões" nos anos 80 e 90. Para muitos, não é difícil reconhecê-los prontamente, como o cartaz de “A Super Fêmea”, comédia erótica estrelada por Vera Fischer, em 1973.


"Talvez, o da Super Fêmea seja o mais conhecido de todos. Mas, o mais visto e comentado foi o da ‘Dona Flor e seus dois maridos”, comenta. Desde o início da carreira, Benicio elegeu o guache com a técnica predominante para sua obra. O que o atrai no método é a facilidade e a maleabilidade no uso da tinta, além da rapidez de secagem. “O óleo, por exemplo, é uma técnica que demora muito para secar. Eu me habituei com o guache, desenvolvi uma técnica rápida na qual me saí bem e dali eu não saí mais”, explica.



A “especialidade” em cinema durou até o início dos anos 90, quando os cartazes do gênero passaram a ser produzidos por técnicas digitais. Para Benicio, não há segredo neste tipo de trabalho. Para resumir toda uma obra em uma única imagem, tem, porém, seu “sistema de trabalho”. “Em qualquer cartaz, a gente tem que pegar um ponto central e chamativo da obra para captação do expectador e desenvolver o entorno do cartaz com outros elementos”.



Se, como diz, “a figura humana é o que realmente me encanta”, tanto para os trabalhos com o cinema, quanto para suas atraentes pin-us – inauguradas quando ainda ilustrava livros –, é possível ver o destaque que dá em sua obra à figura feminina. “A mulher é a base principal do meu trabalho. Eu me especializei nisso. Posso dizer que minhas mulheres sempre foram muito bonitas”, brinca. Na época pré-digital, segundo ele, o talento para desenhar as musas tinha ainda mais importância, tanto para o cliente, como para as retratadas. “Eu era o Photoshop da época, eu mesmo que corrigia as imperfeições”.


























Sem nunca ter feito escolas de desenho, afirma ter se formado com base na observação de trabalhos de grandes ilustradores de revistas americanas, como Norman Rockwell, Austin Briggs, entre outros. “O que me encantava neles era a forma de trabalharem com a figura humana. Meu trabalho sempre foi ligado ao desenho da figura humana”, diz. Hoje, aos 76 anos, Benicio segue em atividade, realizando trabalhos de freelancer, principalmente, na área publicitária.


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Conheça melhor a carreira de José Luiz Benicio .