“Dizer a verdade ou agradar?”, por Maryanna Aguiar Abreu
Considerando os tipos de pressão profissional que um jornalista pode sofrer, quais são suas maiores preocupações, como futuro jornalista ou
Artigo vencedor do Foca na IMPRENSA (abril 2019)
Tema: jornalista recém-formado, no exercício da profissão?
Autora: , estudante de jornalismo na Universidade Católica de Brasília
Estou no 4º semestre, já aprendi sobre teorias da comunicação, gêneros, técnicas, fotografia dentro do jornalismo e toda a história dos meios de comunicação. Mas existe uma hora em que eu sento para assistir um jornal ou ler, sendo ele digital ou não, e me deparo com tudo que eu aprendo, mas ao contrário, é como se eles tivessem perdido o ETHOS jornalístico, eu terminaria aqui e diria que esta é minha maior preocupação.
Vivemos em um contexto político e social agitado e não dá para simplesmente simplificar e dizer que "o tempo de leitura é menor, escrevam textos menores", "informar o que as pessoas querem ler", "noticiar somente o que eu julgo como de interesse comum". Quando foi que um cidadão chegou em casa e pediu para assistir jornais sensacionalistas que são capazes de invadir o espaço do outro, só para simplesmente "levar a verdade"?
Não foram os telespectadores ou os leitores que mudaram, foram os noticiários, que sempre colocam a culpa em quem recebe o conteúdo e bem essa é uma questão que me faz pensar tanto no passado quanto no futuro dos jornais. Minha professora de teorias do jornalismo passou um vídeo sobre a privatização da Telebrás, onde o jornal simplesmente dedicou 10 minutos ao nascimento da filha de uma artista e 30 segundos aos manifestos, protestos de quem era contra a privatização.
Diante disso, eu como aluna de comunicação social - jornalismo penso em como posso ser uma jornalista que mantém dentro de si o respeito por quem recebe a notícia. Como conciliar tantos eventos ao que as empresas pedem hoje? E o público, ele realmente quer exposição de pessoas, atenção partidárias, e cadeiras da "providência"?
No livro “Do Golpe ao Planalto”, Ricardo Kotsho revela sua saga para a construção da reportagem que, digamos, seria a “chave de ouro" para ele. E ao final, tendo tudo preparado para a publicação, ele recebe um "vamos ter que falar com o chefe", pois afinal uma reportagem dessa impactaria na vida de muitas pessoas, e ainda bem que foi publicada. Hoje em dia algo com elo ao Planalto raramente será publicado pois os próprios jornalistas precisam de contatos para "coisas maiores". Essa é uma preocupação; como liberar a verdade nessas situações. Uso esse exemplo pois em geral 90% do que sai nos jornais é política e os outros 10% com certeza têm um pingo dela.
Dizer a verdade ou agradar? Essa na minha concepção é a maior ferida que existe dentro da profissão jornalista, e para finalizar Ehott escreve: “... (A) verdade era a única responsabilidade da profissão do jornalismo, um objetivo e uma confiança comparáveis à responsabilidade da profissão médica pela saúde ou a responsabilidade da profissão legal pela justiça”.
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