Divulgação da imagem de menino sírio morto na Turquia divide opiniões na imprensa
A divulgação da fotografia de Aylan Kurdi, menino sírio de três anos que foi encontrado morto em uma praia da Turquia, dividiu a imprensa no mundo todo.
Atualizado em 04/09/2015 às 09:09, por
Redação Portal IMPRENSA.
, menino sírio de três anos que foi encontrado morto em uma praia da Turquia, dividiu a imprensa no mundo todo. Jornais ficaram em dúvida sobre os efeitos da publicação da foto viralizada no Twitter com o hashtag #naufrágiodahumanidade.
Crédito:Reprodução Jornais viveram dilema sobre divulgar imagem de Aylan Kurdi
Algumas publicações, como o americano The New York Times , optaram por não exibir a imagem em suas páginas e recorreram a fotografias "menos" fortes. Logo após a repercussão, ativistas e jornalistas usaram as redes sociais para tratar do assunto e discutir a importância da imagem para alertar sobre a crise.
Ao jornal O Globo , a especialista em comunicação Maria Lúcia Santaella, da PUC-SP, explicou que alguns elementos esclarecem a comoção que a imagem gerou. Segundo ela, além do choque natural que a fotografia de um cadáver na praia já provocaria, o fato de ser uma criança e a posição em que ela estava — “como se tivesse dormindo em um berço” — pode despertar recordações afetivas.
Para a professora, é difícil, entretanto, que a imagem resulte em consciência política ou mobilização social. Ela acredita que, ao mesmo tempo em que comovem, essas fotos produzem sensação de impotência e acabam, no longo prazo, por dessensibilizar quem as vê. "Amanhã as pessoas vão esperar por algo ainda pior, uma nova foto de tragédia. E depois outra, e outra. No fundo elas se perguntam o que podem fazer, individualmente, para mudar uma tragédia dessa proporção", justifica.
O efeito ressaltado pela professora já foi observado por alguns estudos científicos. Em 2010, uma pesquisa do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrames dos Estados Unidos com adolescentes apontou que depois de expostos a uma série de imagens violentas, os jovens tendiam a se chocar cada vez menos.
Os especialistas acham que uma reação semelhante se repete com adultos. De acordo com Santaella, o cenário fica ainda mais difícil por conta da circulação de programas de TV violentos. "As imagens do horror real estão no limite do horror ficcional, do ponto de vista das sensibilidades. Tudo se confunde e o trágico vira banal."
Um grupo de artistas sensibilizados pela situação transformaram a foto em ilustrações. A mobilização ficou reconhecida nas redes sociais pela hashtag, em turco, #KiyiyaVuranInsanlik, ou #HumanityWashedAshore.
Repercussão
Os internautas elogiaram a atitude e publicaram as imagens em suas contas. "Estamos perdendo a nós mesmos como seres humanos, e as pessoas vão morrer em torno das fronteiras", escreveu um usuário ao publicar uma das imagens.
No Brasil, o carioca Extra publicou um vídeo mostrando o processo de produção da capa com a imagem do menino. "A foto de uma criança síria morta na tentativa de fugir das atrocidades da guerra em seu país chocou o mundo. A capa do Extra desta quinta-feira nos leva a refletir sobre o descaso com a vida e a desesperança", escreveu em sua página no Facebook.
O diário britânico The Independent questionou: “Se essa imagem extraordinariamente poderosa de uma criança síria morta em uma praia não mudar a atitude da Europa com os refugiados, o que irá?”.
Confira algumas capas:
Crédito:Reprodução Jornais viveram dilema sobre divulgar imagem de Aylan Kurdi
Algumas publicações, como o americano The New York Times , optaram por não exibir a imagem em suas páginas e recorreram a fotografias "menos" fortes. Logo após a repercussão, ativistas e jornalistas usaram as redes sociais para tratar do assunto e discutir a importância da imagem para alertar sobre a crise.
Ao jornal O Globo , a especialista em comunicação Maria Lúcia Santaella, da PUC-SP, explicou que alguns elementos esclarecem a comoção que a imagem gerou. Segundo ela, além do choque natural que a fotografia de um cadáver na praia já provocaria, o fato de ser uma criança e a posição em que ela estava — “como se tivesse dormindo em um berço” — pode despertar recordações afetivas.
Para a professora, é difícil, entretanto, que a imagem resulte em consciência política ou mobilização social. Ela acredita que, ao mesmo tempo em que comovem, essas fotos produzem sensação de impotência e acabam, no longo prazo, por dessensibilizar quem as vê. "Amanhã as pessoas vão esperar por algo ainda pior, uma nova foto de tragédia. E depois outra, e outra. No fundo elas se perguntam o que podem fazer, individualmente, para mudar uma tragédia dessa proporção", justifica.
O efeito ressaltado pela professora já foi observado por alguns estudos científicos. Em 2010, uma pesquisa do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrames dos Estados Unidos com adolescentes apontou que depois de expostos a uma série de imagens violentas, os jovens tendiam a se chocar cada vez menos.
Os especialistas acham que uma reação semelhante se repete com adultos. De acordo com Santaella, o cenário fica ainda mais difícil por conta da circulação de programas de TV violentos. "As imagens do horror real estão no limite do horror ficcional, do ponto de vista das sensibilidades. Tudo se confunde e o trágico vira banal."
Um grupo de artistas sensibilizados pela situação transformaram a foto em ilustrações. A mobilização ficou reconhecida nas redes sociais pela hashtag, em turco, #KiyiyaVuranInsanlik, ou #HumanityWashedAshore.
Repercussão
Os internautas elogiaram a atitude e publicaram as imagens em suas contas. "Estamos perdendo a nós mesmos como seres humanos, e as pessoas vão morrer em torno das fronteiras", escreveu um usuário ao publicar uma das imagens.
No Brasil, o carioca Extra publicou um vídeo mostrando o processo de produção da capa com a imagem do menino. "A foto de uma criança síria morta na tentativa de fugir das atrocidades da guerra em seu país chocou o mundo. A capa do Extra desta quinta-feira nos leva a refletir sobre o descaso com a vida e a desesperança", escreveu em sua página no Facebook.
O diário britânico The Independent questionou: “Se essa imagem extraordinariamente poderosa de uma criança síria morta em uma praia não mudar a atitude da Europa com os refugiados, o que irá?”.
Confira algumas capas:





