Divagar. E sempre
Divagar. E sempre
Atualizado em 31/08/2007 às 17:08, por
Pedro Venceslau.
Por "A mídia nas eleições 2006" é mais que um livro. É munição. Durante a grave crise política de 2005, muita gente dava como certo o fracasso de Lula nas eleições do ano seguinte. Acreditaram que o "mensalão" seria argumento mais que suficiente para tirar o PT do poder. Não foi. Até a reta final do primeiro turno todos os prognósticos apontavam para uma vitória rápida e tranqüila. Mas aí apareceu o tal dossiê e as imagens de dinheiro empilhado vazaram da Polícia Federal para a propaganda da oposição na TV. De lá para o horário nobre foi um pulo. E a eleição foi para a segundo volta. Foi então que o front petista gestou (ou pelo menos abraçou) a tese de conspiração midiática. Ao contrário de 2002, desta vez os barões da comunicação estariam do lado do PSDB. Ainda sim o presidente foi reeleito. Nas palavras da conservadora revista britânica The Economist foi um "landslide", que na gíria política de língua inglesa significa uma avalanche de votos. Fechadas as urnas, a festa. Terminada a festa, a revanche. A inteligentzia da esquerda nativa - formada por jornalistas, sociólogos, filósofos, dirigentes sindicais e blogueiros em geral - lapidou a tese de conspiração da mídia até leva-la ao estado da arte. A idéia central desta tese, que tem como expoente máxima a filósofa Marilena Chauí, versa que "o povo venceu a mídia". Por melhor que fossem os interlocutores, porém, faltava um argumento mais palatável, quem sabe uma comprovação cientifica que desmontasse a contra-tese de "mania de perseguição", "delírio" ou "revanchismo". "A mídia nas eleições de 2006" chega com certo atraso, mas cumpre esse papel. Baseado em um longo e minucioso estudo realizado pelo Observatório Brasileiro de Mídia, o livro prova, no mínimo, que houve um forte desequilíbrio na cobertura jornalística dos principais candidatos a presidência da República em 2006. Lançada pela editora Perseu Abramo, que é ligada ao PT, o livro não se restringe a mera compilação de números. Dezesseis autores se revezam com variações sobre o tema. O melhor texto, sem dúvida, é assinado por Luís Nassif. Com certa dose de exagero, ele afirma que em 2006 a mídia cometeu "suicídio eleitoral". Paulo Henrique Amorim, por sua vez, carrega nas tintas ao afirmar que "um golpe de Estado levou a eleição para o segundo turno". O livro termina com a série que deu origem a tese: uma série de reportagens publicada na revista Carta Capital, a resposta de Ali Kamel, da Globo. E a polêmica em torno da saída do repórter Rodrigo Vianna da emissora. 
A Mídia nas Eleições de 2006
Fundação Perseu Abramo
Venício A.de Lima (org)
284 páginas
R$ 33






