Diretrizes curriculares, por José Marques de Melo

O Ministério da Educação discutiu durante cinco anos a problemática dos cursos de graduação da área de comunicação, dando continuidade em 20

Atualizado em 10/03/2014 às 14:03, por José Marques de Melo.

Crédito:Leo Garbin 14 à implantação das normas e estratégias já aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação. O processo de mudança começou pelo curso de cinema e audiovisual, prosseguindo em 2013 com as diretrizes dos de jornalismo e relações públicas.
Os próximos cursos a elaborar suas diretrizes são os de propaganda e de rádio, televisão e internet. Grupos de trabalho formados por docentes, coordenadores pedagógicos e dirigentes sindicais estão discutindo critérios para encaminhar propostas de mudanças ao MEC.
Catalisando as ideias em efervescência na academia, a Escola de Comunicações e Artes da USP abriu suas portas, no dia 14 de fevereiro, para acolher representantes das universidades de todo o país. O comparecimento e a adesão ao processo de mudança foram significativos, demonstrando que a nova geração que lidera o campo comunicacional está disposta a avançar, vencendo a resistência de quem deseja, por comodismo, que as estruturas universitárias permaneçam imutáveis.
Sinal alentador, nesse panorama, é a inauguração do curso de jornalismo na Universidade Regional de Blumenau, o primeiro do país a aplicar as novas diretrizes do MEC. Liderado pela professora Rosemeire Laurindo, o novo curso teve o projeto pedagógico validado pela comunidade a que pertence. Desta maneira, os futuros jornalistas formados pela FURB terão seu perfil ocupacional sintonizado com as aspirações da sociedade catarinense.
Santa Catarina tem, aliás, um perfil marcado por iniciativas que colocam suas universidades e docentes na vanguarda nacional do jornalismo. Há pouco mais de um século, o catarinense Gustavo Lacerda, fundador da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), foi o primeiro jornalista a defender a formação acadêmica de repórteres e redatores. Por sua vez, deve-se ao tirocínio de Moacir Pereira a fundação, na Universidade Federal de Santa Catarina, do primeiro curso de jornalismo dotado de autonomia curricular. Agora, o curso da FURB dá continuidade a essa linha de ação, fundando o primeiro a ser independente do curso de comunicação social.
Até recentemente, só o curso da UFSC, em Florianópolis, tinha identidade jornalística tanto na graduação quanto na pós-graduação. Ele foi seguido pelo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR), mantenedora de uma graduação e um mestrado em jornalismo. O terceiro curso a adotar essa diretriz foi o de Blumenau, graças ao bom senso do reitor Pollonio Machado e à sensibilidade do diretor do Centro de Humanidades, Clovis Reis.
Jornalista, professor universitário, pesquisador científico, consultor acadêmico, autor de diversos livros, foi docente da ECA-USP e é atualmente o titular da Cátedra Unesco de Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo (www.marquesdemelo.pro.br).