Diretor da TV USP analisa cobertura midiática e eleições para reitoria da Universidade
Diretor da TV USP analisa cobertura midiática e eleições para reitoria da Universidade
Na próxima terça-feira (10), ocorre o segundo turno das eleições para a Reitoria da Universidade de São paulo (USP). Concorrem oito candidatos, escolhidos em primeiro turno no dia 20 de outubro.
| Márcio Nei dos Santos/Unicentro |
| Pedro Ortiz |
Pedro Ortiz, diretor da TV USP, analisou o processo eleitoral e a cobertura dos veículos de comunicação da Universidade. Para ele, a fórmula para as eleições vem sofrendo desgaste há tempos, não permitindo, por exemplo, que a imprensa cobrisse a apuração no primeiro turno. "Acho que as pessoas vêem um pouco essa fórmula de participação desgastada, e não é de hoje. Há críticas ao modelo, e praticamente todos os candidatos à Reitoria fizeram propostas e concordaram que algo precisa mudar", afirmou.
Portal IMPRENSA - Como está sendo a cobertura da TV USP sobre as eleições para a Reitoria da universidade?
Pedro Ortiz - Acabamos não fazendo a cobertura como gostaríamos. Todas as mídias da Universidade - TV, rádio, agência de notícias, jornal - estavam juntas nessa cobertura. Cada uma faria um tipo de cobertura. A Rádio USP, por exemplo, fez uma série de entrevistas com os candidatos. Nós, na TV, havíamos programado um debate final com os candidatos, que tradicionalmente é feito quando há eleições. Mas infelizmente ele não ocorreu, e acabamos fazendo, no programa semanal 'Olhar da USP', entrevistas com especialistas sobre temas que foram colocados em pauta pelos candidatos, como autonomia, acesso à universidade, gestão, investimentos em pesquisa, entre outros.
IMPRENSA - Por que o debate final acabou não ocorrendo?
Ortiz - Vários candidatos não participaram por problemas de agenda. Houveram muitos debates no primeiro turno, dentro e fora da USP, e avaliamos que essa fórmula se desgatou no decorrer da disputa eleitoral. Eu, como diretor da TV USP, entendo que nenhum dos encontros entre os candidatos foi efetivamente um debate, na fórmula tradicional em que os candidatos fazem perguntas entre si. Foram mais entrevistas, com eventuais perguntas da plateia.
IMPRENSA - Você considera que o fato de a cobertura não ter saído da maneira esperada reflete a maneira como as eleições são feitas?
Ortiz - Em geral, os eleitores não vão aos debates. A comunidade universitária tem cerca de 100 pessoas, pelo menos. São 50 mil alunos na graduação, 30 mil na pós-graduação, 15 mil funcionários e 5 mil professores. E o colégio eleitoral tem apenas 1,9 mil votantes, sendo que este número diminui no segundo turno. Nenhuma faculdade tem eleição direta para reitor, mas o MEC [Ministério da Educação] recomenda que o primeiro turno seja aberto à comunidade. Cada grupo teria votos com pesos diferentes; o voto dos professores valeria 70%, e dos alunos e funcionários 15%. Na USP não existe isso, e o que se vê é cada vez uma demanda maior da universidade para que ela participe mais.
IMPRENSA - Acha que existe um certo desinteresse dos corpos dicente e docente e dos candidatos pelo debate?
Ortiz - Não existe desinteresse dos candidatos, eles têm total interesse em se comunicarem com os possíveis eleitores, não só através de debates. Acho que as pessoas vêem um pouco essa fórmula de participação desgastada, e não é de hoje. Há críticas ao modelo, e praticamente todos os candidatos à Reitoria fizeram propostas e concordaram que algo precisa mudar. Essa participação maior é um sinal positivo, mas é preciso saber se isso ocorrerá na prática.
IMPRENSA - A TV USP seria um agente dessa mudança?
Ortiz - Os veículos de comunicação sempre são. Apesar de não conseguirmos organizar o debate final, houveram programas uma hora na Rádio USP, o jornal cobriu. Os veículos de comunicação da universidade têm atuado, não só no momento eleitoral, mas sempre tentando refletir a diversidade da universidade.
IMPRENSA - Há alguma cobertura da TV USP prevista para o dia das eleições?
Ortiz - Como já disse, as formas estão um pouco superadas, e a imprensa não pôde acompanhar o primeiro turno. Estamos sem saber o que realmente vai acontecer nas eleições. Estão previstas manifestações, há muitas pessoas absolutamente descontentes com o processo eleitoral, e isso é um sintoma para o aperfeiçoamento do mecanismo de manifestação democrática. A TV USP não tem programação ao vivo, mas vamos cobrir da maneira que for possível.
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