Direita religiosa da Itália quer censurar cartaz que associa mulher à Jesus Cristo

Direita religiosa da Itália quer censurar cartaz que associa mulher à Jesus Cristo

Atualizado em 14/11/2008 às 15:11, por Redação Portal IMPRENSA.

Um cartaz que mostra uma mulher seminua, em posição semelhante a que Jesus Cristo foi crucificado, vem causando polêmica na Itália. A imagem, que faz parte da campanha do Telefono Donna (Telefone Mulher), para o Dia Mundial contra a Violência de gênero, em 25 de novembro, causou a indignação da direita religiosa do país, que pediu a censura da foto.

Segundo a agência de notícias Efe, a imagem mostra a mulher coberta por um lençol, que cobre suas partes íntimas, e aparece com os braços em posição de crucificação, acompanhada pela frase "Quem paga pelos pecados do homem?".

O texto da campanha registra, ainda, que "somente 4% das mulheres vítimas da violência denunciam o agressor e as outras pagam inclusive por ele" e oferece um número de ajuda.

No dia 25 de novembro, a foto seria colocada nos espaços públicos da Prefeitura de Milão, mas o vereador Maurizio Cadeo anunciou que tentará impedir, de todas as formas, a sua exibição, informou, nesta sexta-feira (14), o jornal La Repubblica .

"Esta foto ofende a consciência religiosa e farei tudo o possível para que não se exponha", disse Cadeo, expoente da direitista Aliança Nacional (AN).

Para Giulio Gallera, porta-voz do partido de Silvio Berlusconi, Forza Itália, na Prefeitura, o cartaz é de "péssimo gosto".

A presidente da associação, Stefania Bartoccetti, disse que espera obter a autorização da prefeita de Milão, Letizia Moratti, para expor 500 cartazes.

"Como católica não vejo nada ofensivo, nem de blasfemo nesta foto. Elegemos uma imagem de forte impacto para encorajar as vítimas da violência de gênero a sair do silêncio", assinalou Bartoccetti perante as críticas.

Para o chefe do Partido Democrata (PD) na Prefeitura de Milão, Pierfrancesco Majorino, estas críticas parecem "censura da Idade Média".

Em 2007, a prefeita de Milão já mandou retirar, dos espaços publicitários de competência municipal, uma campanha de uma marca de moda, assinada pelo polêmico publicitário Oliviero Toscani, que mostrava uma jovem anoréxica nua.

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