"Dilma faz o que Lula se recusou a fazer: ouve a opinião pública", diz presidente da Abert
Atual presidente da Rádio Itatiaia - uma das cinco maiores redes de rádio do país - Emanuel Soares Carneiro é o primeiro mineiro a presidir a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).
Atualizado em 25/08/2011 às 10:08, por
Luiz Gustavo Pacete e enviado a Belo Horizonte (MG).
Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Carneiro diz que a Abert possui dois importantes temas em pauta: o primeiro é a definição do formato de rádio digital e o segundo a flexibilização no horário da "Voz do Brasil", prestes a ser alcançada, já que em 17 de agosto a Câmara aprovou horários flexíveis para o programa, agora, o projeto aguarda aprovação em plenário e sanção presidencial.
Divulgação Emanuel Soares Carneiro Entre outros assuntos, o radialista fala sobre a liberdade de expressão no país, pede mais agilidade por parte do Ministério das Comunicações (MiniCom) para tratar o tema das concessões de rádio e TV, e se diz otimista quanto ao posicionamento do governo Dilma em relação à imprensa.
Portal IMPRENSA - Quais os principais desafios da Abert hoje? Emanuel Soares Carneiro - O primeiro deles é defender a liberdade de expressão. Depois, tem a questão burocrática, já que a cada momento surge uma dificuldade, uma situação que alguém tenta reinventar a roda nessa história de concessão. Vejo que falta material humano ao MiniCom. Isso vem do tempo em que o Collor fechou as delegacias regionais das telecomunicações e colocou tudo em infra-estrutura. Desde então, mesmo com a boa vontade dos ministros, pouca coisa andou. O papel fica adormecido por meses e anos. As renovações demoram a ser feitas, me parece que esse quadro pode mudar para melhor, já que o ministro das Comunicações (Paulo Bernardo) transferiu algumas atribuições para a Anatel.
IMPRENSA - Mas a Anatel já não esta sobrecarregada? Carneiro - Ela tem estrutura de fiscalização, tem mais condições do que o MiniCom. Nós temos uma expectativa muito boa em relação ao trabalho do Paulo Bernardo. Na verdade, ele tem muito trabalho. É tanta coisa que eu não sei esses processos que estão parados na área dos ministérios seriam resolvidos com um mutirão.
IMPRENSA - Qual sua opinião sobre a declaração do ministro dizendo que 'é mais fácil causar o impeachment de um presidente do que cassar uma concessão de político'? Carneiro - Batalho por isso há alguns anos, o que aconteceu foi que o Sarney usou o Antonio Carlos Magalhães para obter cinco anos de mandato e nessa brincadeira foram centenas de concessões distribuídas a pessoas que não tinham nada a ver. Tudo era resolvido com uma canetada, mas hoje isso mudou, é necessário estudo técnico e planejamento financeiro. O problema é que tudo ainda se resolve de forma muito demorada. A Abert tem tentado ajudar nesse sentido, pois existe uma burocracia atrapalhando o processo.
IMPRENSA - Qual o malefício econômico dessa burocracia para as emissoras? Carneiro - O empresário que tem a concessão fica inseguro para investir. Agora mesmo com a indefinição sobre o modelo de rádio digital estamos há meses em uma conversa para chegar a uma conclusão de qual modelo será implantado, mas mesmo com todo trabalho técnico as definições demoram muito.
Outra coisa que temos para resolver é a flexibilização da "Voz do Brasil", falta pouco, agora ela só deve passar pelo plenário e depois pela presidência. Mas se aprovado esse projeto vai resgatar uma faixa que está praticamente perdida que é entre 19h e 21h. Um horário em que as pessoas estão voltando para casa, que muitas vezes as emissoras querem prestar serviço e transmitir jogos de campeonatos regionais, mas não conseguem. E os anunciantes cobram por isso, mas depois de tanto trabalho agora vai dar certo.
IMPRENSA - O que a Abert entende hoje como liberdade de expressão? Carneiro - Eu sempre digo que nós estamos vivendo um período de liberdade que precisa ser preservado. Hoje podemos criticar o presidente da república, o policial, as medidas econômicas, o presidente dos Estados Unidos. E tudo isso foi obtido com muita luta, sacrifício e perdas de vida. Então, vejo que não temos nenhum cerceamento de liberdade. Não temos que aprovar nada previamente para ir ao ar. Só que por outro lado, isso aumenta nossa responsabilidade de não colocar no ar a primeira informação que arranhe a condição moral de qualquer pessoa.
A presidente da república falou no seu discurso que defendia a liberdade de imprensa e que ela preferia o barulho da imprensa ao silêncio da ditadura. Ela quis dizer que é preciso ter uma liberdade para que faça valer as coisas. E essa liberdade está causando um beneficio ao atual governo, pois tem sido através de denúncias da imprensa que o governo está chegando a casos de corrupção.
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Divulgação Emanuel Soares Carneiro Entre outros assuntos, o radialista fala sobre a liberdade de expressão no país, pede mais agilidade por parte do Ministério das Comunicações (MiniCom) para tratar o tema das concessões de rádio e TV, e se diz otimista quanto ao posicionamento do governo Dilma em relação à imprensa.
Portal IMPRENSA - Quais os principais desafios da Abert hoje? Emanuel Soares Carneiro - O primeiro deles é defender a liberdade de expressão. Depois, tem a questão burocrática, já que a cada momento surge uma dificuldade, uma situação que alguém tenta reinventar a roda nessa história de concessão. Vejo que falta material humano ao MiniCom. Isso vem do tempo em que o Collor fechou as delegacias regionais das telecomunicações e colocou tudo em infra-estrutura. Desde então, mesmo com a boa vontade dos ministros, pouca coisa andou. O papel fica adormecido por meses e anos. As renovações demoram a ser feitas, me parece que esse quadro pode mudar para melhor, já que o ministro das Comunicações (Paulo Bernardo) transferiu algumas atribuições para a Anatel.
IMPRENSA - Mas a Anatel já não esta sobrecarregada? Carneiro - Ela tem estrutura de fiscalização, tem mais condições do que o MiniCom. Nós temos uma expectativa muito boa em relação ao trabalho do Paulo Bernardo. Na verdade, ele tem muito trabalho. É tanta coisa que eu não sei esses processos que estão parados na área dos ministérios seriam resolvidos com um mutirão.
IMPRENSA - Qual sua opinião sobre a declaração do ministro dizendo que 'é mais fácil causar o impeachment de um presidente do que cassar uma concessão de político'? Carneiro - Batalho por isso há alguns anos, o que aconteceu foi que o Sarney usou o Antonio Carlos Magalhães para obter cinco anos de mandato e nessa brincadeira foram centenas de concessões distribuídas a pessoas que não tinham nada a ver. Tudo era resolvido com uma canetada, mas hoje isso mudou, é necessário estudo técnico e planejamento financeiro. O problema é que tudo ainda se resolve de forma muito demorada. A Abert tem tentado ajudar nesse sentido, pois existe uma burocracia atrapalhando o processo.
IMPRENSA - Qual o malefício econômico dessa burocracia para as emissoras? Carneiro - O empresário que tem a concessão fica inseguro para investir. Agora mesmo com a indefinição sobre o modelo de rádio digital estamos há meses em uma conversa para chegar a uma conclusão de qual modelo será implantado, mas mesmo com todo trabalho técnico as definições demoram muito.
Outra coisa que temos para resolver é a flexibilização da "Voz do Brasil", falta pouco, agora ela só deve passar pelo plenário e depois pela presidência. Mas se aprovado esse projeto vai resgatar uma faixa que está praticamente perdida que é entre 19h e 21h. Um horário em que as pessoas estão voltando para casa, que muitas vezes as emissoras querem prestar serviço e transmitir jogos de campeonatos regionais, mas não conseguem. E os anunciantes cobram por isso, mas depois de tanto trabalho agora vai dar certo.
IMPRENSA - O que a Abert entende hoje como liberdade de expressão? Carneiro - Eu sempre digo que nós estamos vivendo um período de liberdade que precisa ser preservado. Hoje podemos criticar o presidente da república, o policial, as medidas econômicas, o presidente dos Estados Unidos. E tudo isso foi obtido com muita luta, sacrifício e perdas de vida. Então, vejo que não temos nenhum cerceamento de liberdade. Não temos que aprovar nada previamente para ir ao ar. Só que por outro lado, isso aumenta nossa responsabilidade de não colocar no ar a primeira informação que arranhe a condição moral de qualquer pessoa.
A presidente da república falou no seu discurso que defendia a liberdade de imprensa e que ela preferia o barulho da imprensa ao silêncio da ditadura. Ela quis dizer que é preciso ter uma liberdade para que faça valer as coisas. E essa liberdade está causando um beneficio ao atual governo, pois tem sido através de denúncias da imprensa que o governo está chegando a casos de corrupção.
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