Dilma diz que não demitirá ministros com base em denúncias na imprensa

Para ela, condenar sem provas é uma prática da Idade Média

Atualizado em 01/07/2015 às 11:07, por Redação Portal IMPRENSA.

A presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou na última terça-feira (30/6), em visita a Washington (EUA), que não demite ministros com base em denúncias publicadas pela imprensa. A declaração foi feita após o questionamento de um jornalista durante entrevista concedida por ela e pelo líder americano, Barack Obama, na Casa Branca.
Crédito:Roberto Stuckert Filho / PR Presidente disse que não demitirá ministros por denúncias feitas pela imprensa
Segundo o G1, um repórter havia perguntado se ela pretende manter no governo os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Comunicação Social). Dilma destacou que aguardará "toda a divulgação dos fatos" para analisar a situação.
"A princípio, acredito ser necessário que todos nós tenhamos acesso às mesmas coisas. O governo brasileiro não tem acesso aos autos [do processo da Lava Jato]. Estranhamente, o governo brasileiro não tem acesso aos autos e há um vazamento seletivo, e alguns têm [acesso]", disse.
Uma reportagem publicada na edição do último fim de semana na revista Veja relaciona os nomes de 18 políticos supostamente citados pelo dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, como beneficiários de dinheiro originado do esquema de corrupção na Petrobras. Entre eles, estão os ministros Mercadante e Edinho, que disseram ter recebido doações legais do empresário.
A publicação informa que o empresário afirmou ter utilizado dinheiro adquirido com o esquema de corrupção envolvendo contratos da Petrobras para realizar doações oficiais a campanhas de candidatos de PT, PTB, PMDB, PSDB, PSB e PP.
Ricardo Pessoa também mencionou que se reuniu três vezes com Edinho em 2014. À época, ele era tesoureiro da campanha de Dilma. Segundo ele, o atual ministro afirmou: “Você tem obras na Petrobras e tem aditivos, não pode só contribuir com isso. Tem que contribuir com mais. Eu estou precisando”. O valor acertado teria sido de R$ 10 milhões.
Em nota, Edinho Silva admitiu que teve três encontros com o dono da UTC, que recebeu doação de R$ 7,5 milhões para a campanha, mas que jamais discutiu assuntos sobre qualquer empresa ou órgão público. Ele ressaltou ainda que as contas da campanha presidencial foram auditadas e aprovadas por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).