Digam para a Band News, TV Gazeta e UOL que eu não morri!
Digam para a Band News, TV Gazeta e UOL que eu não morri!
Atualizado em 07/06/2010 às 17:06, por
Wilson da Costa Bueno.
Pouca disposição para apurar os fatos, preguiça inabalável, irresponsabilidade e desrespeito aos cidadãos , além de dose reduzida de espírito crítico. Essas são algumas características de boa parte da imprensa brasileira que já perpetrou o episódio lamentável da Escola Base, do Bar Bodega e muitos outros, sem ao menos ficar corada.
Mas nunca havia imaginado que pudesse ser objeto da mídia e de forma tão dramática. Mas, infelizmente, foi o que aconteceu exatamente no dia primeiro de junho último, quando se comemorava o Dia da Imprensa (há alguma coisa a comemorar com uma imprensa dessas?).
O anúncio da morte trágica do excelente escritor paranaense Wilson Bueno, quase meu homônimo (tenho um "da Costa" também no meu sobrenome), desencadeou um festival de equívocos em inúmeros veículos jornalísticos (na web, na televisão, em agências de notícias) e, quando me dei conta (e de forma não agradável) minha foto estava estampada no noticiário, assombrando familiares, amigos e conhecidos.
Não é fácil saber de onde veio a notícia original que gerou todas essas "barrigas" da imprensa e até acredito (porque houve fotos minhas distintas ilustrando o noticiário sobre a morte do escritor Wilson Bueno) que o "copiar-colar" das imagens do Google foi o procedimento usual para um montão de emissoras de TV (Gazeta, Band News etc), de sites (UOL, por exemplo) e da Agência Brasil de Notícias, para só citar alguns casos.
Quem leu ou ouviu a matéria pela metade e viu a foto (ou as fotos) que a (s) ilustrava (m) , não teve dúvida: o jornalista foi barbaramente assassinado. O pior é que um genro e uma filha viram pela TV Gazeta e, como era de se esperar, entraram em pânico até a confirmação de que o pai estava vivo. Muitos, muitos colegas/amigos deram com a minha cara (só há um Wilson Bueno que usa a camisa do Comercial de Ribeirão Preto, logo só podia ser eu, pensaram eles!) e choraram ou lamentaram por mim e por minha família.
A bagunça não se encerrou no dia primeiro e até o dia 4 de junho ainda estavam noticiando a descoberta do assassino do escritor e estampavam a minha foto, todo sorridente para ilustrar as matérias.
O que fazer numa situação dessas? Dar uma de morto e ficar quieto, pois não era isso que desejava a imprensa? Mover processos contra os veículos que, irresponsávelmente, cometeram o grave equívoco? Como desmentir para todo mundo que, felizmente, continuo vivo, se não é possível saber onde estas notícias e estas fotos circularam?
Ainda estou pensando em como agir contra a imprensa e quem sabe vale a pena fazê-la sentir no bolso o prejuízo incalculável que me causou e que me continua causando. Mas resolvi, por enquanto, lançar mão daquilo que sei (ou imagino saber) fazer melhor: botar a boca no trombone, chamar os coleguinhas (quem tem coleguinhas como esses na imprensa, não precisa de mais ninguém, não é mesmo?) às falas e repetir mais uma vez: os jornalistas e os veículos brasileiros andam mesmo mal das pernas e pagam o mico com freqüência, por absoluta incompetência.
Quando estes fatos malucos acontecem, a tese que defendo há um tempão se confirma: a imprensa brasileira, com raras e boas exceções, está mesmo atravessando uma fase infeliz, descuidada, oficialesca, refém de empresas predadoras, e muitos jornalistas (???) não são capazes de perceber coisa alguma, agindo como "mulas" ou "laranjas" de interesses políticos, comerciais, pessoais. Não conseguem distinguir um peru de uma galinha, não sabem se transgênico é para comer ou para vestir (mas acham que tem a ver com o progresso da agricultura, seduzidos pelo canto meloso e hipócrita dos fabricantes de biotecnologia), não sabem separar fontes independentes de fontes comprometidas, enfim são os verdadeiros bobos da corte.
Felizmente, para familiares e amigos, continuo vivo, vivíssimo, e disposto, como nunca estive, a denunciar as mazelas da imprensa, a defender uma formação humanística e crítica para os jornalistas, a propor punição exemplar para os veículos e empresários que atentam repetidamente contra a nossa vida privada em nome de um sensacionalismo explícito e de uma incompetência de dar dó.
Na prática, a pior notícia foi mesmo a da morte de um escritor ilustre, um dos maiores talentos da moderna ficção brasileira, uma pessoa querida por todos, a quem aprendemos a respeitar em vida e que agora reverenciamos.
Todos nós temos homônimos e o Wilson Bueno que se foi era certamente o mais importante dos "Wilsons Buenos" que continuam dividindo este mundo terreno comigo. Que lembremos dele com carinho e respeito.
O comportamento da imprensa brasileira neste episódio lamentável poderia inspirar um conto ou uma obra de ficção, embora tenha sido absolutamente verídico.
A vida segue em frente para quem está vivo. Insistirei em permanecer assim para não dar trégua aos incompetentes, aos preguiçosos, aos parasitas da imprensa que vivem do "control V, control C" e que, cinicamente, devem defender "o interesse público e a liberdade de expressão".
Continuo por aqui e faço um alerta aos coleguinhas da imprensa e veículos jornalísticos: algumas pessoas têm um ou mais homônimos e é preciso sempre checar a informação (e as fotos) antes de envolver os cidadãos de maneira irresponsável. Vamos tirar a bunda pesada da cadeira e apurar direito as coisas? Ou será que o problema está mais em cima e os neurônios, a inteligência é que andam precisando de upgrade?
Como se dizia quando eu era (mais) jovem na querida Ribeirão Preto: por que vocês, coleguinhas, não vão se catar, hein? Espero que vivam bastante porque, desta forma, terão muito tempo para aprender a praticar o jornalismo responsável.
Mas nunca havia imaginado que pudesse ser objeto da mídia e de forma tão dramática. Mas, infelizmente, foi o que aconteceu exatamente no dia primeiro de junho último, quando se comemorava o Dia da Imprensa (há alguma coisa a comemorar com uma imprensa dessas?).
O anúncio da morte trágica do excelente escritor paranaense Wilson Bueno, quase meu homônimo (tenho um "da Costa" também no meu sobrenome), desencadeou um festival de equívocos em inúmeros veículos jornalísticos (na web, na televisão, em agências de notícias) e, quando me dei conta (e de forma não agradável) minha foto estava estampada no noticiário, assombrando familiares, amigos e conhecidos.
Não é fácil saber de onde veio a notícia original que gerou todas essas "barrigas" da imprensa e até acredito (porque houve fotos minhas distintas ilustrando o noticiário sobre a morte do escritor Wilson Bueno) que o "copiar-colar" das imagens do Google foi o procedimento usual para um montão de emissoras de TV (Gazeta, Band News etc), de sites (UOL, por exemplo) e da Agência Brasil de Notícias, para só citar alguns casos.
Quem leu ou ouviu a matéria pela metade e viu a foto (ou as fotos) que a (s) ilustrava (m) , não teve dúvida: o jornalista foi barbaramente assassinado. O pior é que um genro e uma filha viram pela TV Gazeta e, como era de se esperar, entraram em pânico até a confirmação de que o pai estava vivo. Muitos, muitos colegas/amigos deram com a minha cara (só há um Wilson Bueno que usa a camisa do Comercial de Ribeirão Preto, logo só podia ser eu, pensaram eles!) e choraram ou lamentaram por mim e por minha família.
A bagunça não se encerrou no dia primeiro e até o dia 4 de junho ainda estavam noticiando a descoberta do assassino do escritor e estampavam a minha foto, todo sorridente para ilustrar as matérias.
O que fazer numa situação dessas? Dar uma de morto e ficar quieto, pois não era isso que desejava a imprensa? Mover processos contra os veículos que, irresponsávelmente, cometeram o grave equívoco? Como desmentir para todo mundo que, felizmente, continuo vivo, se não é possível saber onde estas notícias e estas fotos circularam?
Ainda estou pensando em como agir contra a imprensa e quem sabe vale a pena fazê-la sentir no bolso o prejuízo incalculável que me causou e que me continua causando. Mas resolvi, por enquanto, lançar mão daquilo que sei (ou imagino saber) fazer melhor: botar a boca no trombone, chamar os coleguinhas (quem tem coleguinhas como esses na imprensa, não precisa de mais ninguém, não é mesmo?) às falas e repetir mais uma vez: os jornalistas e os veículos brasileiros andam mesmo mal das pernas e pagam o mico com freqüência, por absoluta incompetência.
Quando estes fatos malucos acontecem, a tese que defendo há um tempão se confirma: a imprensa brasileira, com raras e boas exceções, está mesmo atravessando uma fase infeliz, descuidada, oficialesca, refém de empresas predadoras, e muitos jornalistas (???) não são capazes de perceber coisa alguma, agindo como "mulas" ou "laranjas" de interesses políticos, comerciais, pessoais. Não conseguem distinguir um peru de uma galinha, não sabem se transgênico é para comer ou para vestir (mas acham que tem a ver com o progresso da agricultura, seduzidos pelo canto meloso e hipócrita dos fabricantes de biotecnologia), não sabem separar fontes independentes de fontes comprometidas, enfim são os verdadeiros bobos da corte.
Felizmente, para familiares e amigos, continuo vivo, vivíssimo, e disposto, como nunca estive, a denunciar as mazelas da imprensa, a defender uma formação humanística e crítica para os jornalistas, a propor punição exemplar para os veículos e empresários que atentam repetidamente contra a nossa vida privada em nome de um sensacionalismo explícito e de uma incompetência de dar dó.
Na prática, a pior notícia foi mesmo a da morte de um escritor ilustre, um dos maiores talentos da moderna ficção brasileira, uma pessoa querida por todos, a quem aprendemos a respeitar em vida e que agora reverenciamos.
Todos nós temos homônimos e o Wilson Bueno que se foi era certamente o mais importante dos "Wilsons Buenos" que continuam dividindo este mundo terreno comigo. Que lembremos dele com carinho e respeito.
O comportamento da imprensa brasileira neste episódio lamentável poderia inspirar um conto ou uma obra de ficção, embora tenha sido absolutamente verídico.
A vida segue em frente para quem está vivo. Insistirei em permanecer assim para não dar trégua aos incompetentes, aos preguiçosos, aos parasitas da imprensa que vivem do "control V, control C" e que, cinicamente, devem defender "o interesse público e a liberdade de expressão".
Continuo por aqui e faço um alerta aos coleguinhas da imprensa e veículos jornalísticos: algumas pessoas têm um ou mais homônimos e é preciso sempre checar a informação (e as fotos) antes de envolver os cidadãos de maneira irresponsável. Vamos tirar a bunda pesada da cadeira e apurar direito as coisas? Ou será que o problema está mais em cima e os neurônios, a inteligência é que andam precisando de upgrade?
Como se dizia quando eu era (mais) jovem na querida Ribeirão Preto: por que vocês, coleguinhas, não vão se catar, hein? Espero que vivam bastante porque, desta forma, terão muito tempo para aprender a praticar o jornalismo responsável.






