Dicionário Criativo auxilia internautas com especial de termos sobre as eleições

Brainstorm de referências para profissionais da comunicação, Dicionário Criativo cresce na internet e planeja criar + especiais temáticos.

Atualizado em 24/10/2014 às 16:10, por Christh Lopes*.

No período eleitoral, uma imensa quantidade de termos políticos circulam na internet. A utilização de termos pejorativos ou provocativos para se referir a um adversário político preenche as linhas do tempo das redes sociais.

Crédito:Reprodução/Facebook Felipe Islazji é o idealizador do Dicionário Criativo
A desconstrução de um ideal ou de um candidato nos meios digitais começa pelas alcunhas que recebe dos internautas. Porém, para quem não está imerso neste embate de ‘vida ou morte’, fica quase impossível entender o que cada um está falando. Foi para ajudar este público que o site criou um especial temático sobre a eleição.
Por meio da plataforma, é possível entender o significado das gírias e jargões que são usados nos comentários de uma postagem. Com humor refinado num layout simples e interativo, os mais leigos no ‘internetês’ tem a oportunidade de compreender, com uma leve ironia, o que circula nos quatro cantos do universo digital. Atualmente, a iniciativa conta com mais de 150 verbetes autoexplicativos. Sem vínculo partidário, tem para todos os gostos. Na página inicial, o internauta poderá acompanhar as palavras mais buscadas e relevantes.
Nesse seleto grupo de expressões, a “ ” aparece em destaque. O termo é designado para quem defende as pautas socialistas, mas adquire, em seu cotidiano, produtos de consumo de origem do sistema que faz oposição. Dele, surgiram variações, como a “ ” – que brinca com quem defende políticas de extrema direita apesar de não ser contemplado por elas e o “ ”, que ironiza àqueles que defendem práticas capitalistas e que não usufruem de uma boa situação financeira. As três notas figuram entre as mais compartilhadas até o momento.
“As duas últimas palavras são sinônimas e, em relação à 'Esquerda Caviar', elas são como antônimas, cada uma servindo para acusar o outro lado da disputa ideológica de ‘incoerente’”, diz o publicitário Felipe Islazji, idealizador do site. A ideia, conforme conta, reúne os verbetes relacionados à eleição em geral com termos atuais, como , e . Para atingir esse objetivo, o especial foi desenvolvido por uma equipe repleta de linguistas do portal.
Crédito:Reprodução Aplicativo promete especial sobre futebol e Chico Buarque
O que chama atenção na plataforma é que, além do significado, há uma variedade de explicações que fogem do senso comum da definição das palavras. Um dos primeiros projetos a ser financiado coletivamente pela internet, com a mediação do , o “DC” foi resultado de uma demanda de seu próprio criador. Com uma infância cercada de contos, poemas e letras musicais, Islazji sempre esteve ao lado de um dicionário.
Apesar da relação intensa com a obra cheia de palavras, a iniciativa surgiu quando o comunicador trabalhava numa empresa do setor de publicidade e propaganda. “Como redator, me pegava constantemente com abas e mais abas do navegador abertas em bancos de imagem, Google, Wikipédia, sites, além dos dicionários de papel esgarçados na mesa. Como não sou daqueles criativos de grande inspiração divina (ou espírita), me cerquei de boas referências na hora de criar”.
O brainstorming era feito em uma folha avulsa, e depois de chegar à concepção final, tudo que foi pensado ia para o desagradável local das ideias não compreendidas: o lixo. “Parecia um desperdício e pensei que talvez pudesse reunir todas essas referências em um lugar só, um site de referências que funcionaria como uma grande tempestade de ideias: significados, analogias, metáforas, expressões populares, citações, provérbios, rimas, Wikipédia e imagens, tudo conceitualmente interligado”, diz.
A coincidência também ajudou. Na mesma época, Islazji descobriu o “Dicionário Analógico”, de autoria do professor Francisco de Azevedo. “É o livro de cabeceira do Chico Buarque, me falou um amigo. Fora de catálogo, levei algumas semanas até encontrar uma edição de 1983 na estante virtual. Nele, vi a peça que faltava para o quebra-cabeça: a estrutura de categorias ou campos semânticos ou domínios conceituais que hoje organizam os variados tipos de informação semântica dentro do DC”.
Logo, os colegas de trabalho pediram para o publicitário ‘compartilhar’ as informações. “Eu tinha agora um tesouro em mãos. Descobri aí que de fato havia uma demanda para aquilo que eu queria criar”, descreve.

Atualmente, o Dicionário Criativo conta com crescimento expressivo de sua audiência. O aumento no número de usuários está em 100% ao mês; saiu de 20 mil internautas mensais em maio para mais de 200 mil em setembro. Os próximos passos da iniciativa, contudo, já estão sendo pensados. A interatividade pode ser a palavra-chave da ferramenta num futuro próximo.
“Nossa próxima implementação é convidar os usuários a contribuírem com os conteúdos. Mas faremos uma filtragem para manter a qualidade do Dicionário Criativo, que é um dos nossos diferenciais”, ressalta Islazji. Em outra frente, os blocos temáticos – como um sobre futebol em parceria com o Museu de Língua Portuguesa – devem seguir como atrativo. “Queremos fazer até o final do ano o Especial Chico 70 anos (mas ainda aguardamos um apoio, um patrocinador)”, conclui.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves