"Diário de Mogi" afasta colunista que pregou segregação de nordestinos nas eleições

Jornal do interior paulista afirma, em nota, que não concorda com as opiniões do colunista e que ele foi demitido da equipe de articulistas.

Atualizado em 21/10/2014 às 18:10, por Redação Portal IMPRENSA.

O colunista social Anderson Magalhães não faz mais parte da equipe de articulistas do jornal O Diário de Mogi . Em comunicado publicado em primeira página nesta terça-feira (21/10), o veículo esclarece que não concorda com as opiniões de seu colaborador e anunciou a demissão do profissional. Em artigo polêmico, o jornalista pregou a segregação de nordestinos durante as eleições
Crédito:Reprodução/Facebook Colunista negou que tenha menosprezado qualquer classe social no texto
A coluna foi publicada na revista Actual Magazine de outubro. Nela, o autor ataca os preconceitos criados aos eleitores da candidata à presidência Dilma Rousseff (PT). Em “Desespero”, Magalhães aponta o que seria uma solução para que “Dilma e sua corja percam os seus votos na última hora”.

As medidas para a derrota petista seriam: “fechar as bocas de fumo, trancar nossas ‘secretárias’ em casa’, interditar as casas de forró e proibir os porteiros de saírem de seus prédios”. No artigo, o jornalista sugere ainda que sejam cancelados todos os voos vindos do Nordeste e pede também sanções econômicas à Bahia que, para ele, só produziu “dendê, cocada e Luiz Caldas”.
Crédito:Reprodução Texto polêmico tenta evitar votos de nordestinos para presidente
O colunista ainda refere-se ao nível econômico e intelectual de outros estados do Nordeste. "E todas as famílias de Pernambuco passarão a ser sustentadas com R$ 97 referentes à Bolsa Família e aos direitos autorais de Morena Tropicana. Alagoas, Piauí e Maranhão ficariam de fora do cenário eleitoral por falta de quórum alfabetizado".

Para esclarecer a questão, o jornal afirmou que respeita a livre manifestação do pensamento, mas discorda das opiniões do colunista. "Elas não refletem as ideias deste jornal", diz.

Além disso, a nota enfatiza que O Diário de Mogi não tem vínculo com a revista Actual e que soube do teor do texto após a circulação. "Esclarece-se ainda que este jornal não possui qualquer vínculo societário com a revista Actual Magazine e nem responsabilidade sobre o conteúdo de citado material redacional, submetido à exclusiva supervisão editorial da referida revista, do qual somente tomou conhecimento por ocasião de sua circulação.
Em sua página no , logo após a repercussão negativa do texto, o colunista negou que tenha "menosprezado" qualquer classe, nem "puxado sardinha para qualquer partido". Segundo ele, o texto tinha como objetivo ser irônico com "o preconceito que tem visto sendo destilado na redes sociais".

Crédito:Reprodução Na capa, o jornal explicou a demissão do colunista
Magalhães ainda aproveitou para se desculpar com os leitores que se incomodaram com o teor da coluna. "A todos que sentiram-se ofendidos com o artigo publicado na revista, que tinha justamente como objetivo questionar os estereótipos com os quais a todo instante rotulam os brasileiros do norte, nordeste e centro-oeste, deixo aqui expressas minhas sinceras desculpas. Estou realmente chateado com a repercussão contraria!".

À IMPRENSA, o diretor-superintendente do Grupo Diário, Túlio Da San Biagio, reiterou que a revista Actual não possui nenhum vínculo - nem societário nem editoral - com o jornal. Segundo ele, o único acordo era a utilização do mesmo nome da coluna.

Biagio ponderou também que a publicação discorda com a conduta de Magalhães e, por isso, decidiu afastá-lo. "Apesar de defender a liberdade de expressão, os acionistas e a linha editorial do jornal não concordam com esse tipo de atitude", disse.