"Diário Catarinense" rebate críticas de entidade indígena contra série indicada ao Prêmio Esso

Série mostra o crescimento da população indígena no litoral de Santa Catarina, assciado à duplicação da BR-101

Atualizado em 11/11/2014 às 14:11, por Alana Rodrigues*.

Na última segunda-feira (10/11), o Coletivo Intervozes publicou na CartaCapital a da jornalista Luana Luizy, do Conselho Indigenista Missionário, que criticou a série de reportagens , publicada no jornal Diário Catarinense . Em depoimento, ela classifica o trabalho indicado ao Prêmio Esso de Jornalismo como "discriminatório".
Crédito:Reprodução Jornal rebate críticas de entidades contra série indicada ao prêmio Esso
"Não é de hoje que a campanha anti-indígena vem sendo colocada em prática pelo jornal contra o povo Guarani. O jornal criminaliza a luta indígena quando culpa os indígenas por mortes ocorridas na BR-101", questiona ela no texto intitulado "Reportagem preconceituosa e anti-indígena concorre a Prêmio Esso".
O trabalho em questão mostra o crescimento da população indígena no litoral de Santa Catarina associado à duplicação da BR-101. A história se inicia em Morro dos Cavalos. Segundo a reportagem, a Fundação Nacional dos Índios (Funai) usa a demarcação da terra aos indígenas como moeda de troca para liberar a duplicação.
Procurado por IMPRENSA, o Diário Catarinense contestou a publicação alegou que o texto usa os índios como "escudo" para alterar o foco do que realmente é relatado na reportagem. Em nota, o jornal explica que a publicação não trata de um dos pontos-chaves da questão: o destino dos mais de R$ 11 milhões recebidos pela Funai por compensação ambiental pelas obras de infraestrutura na área indígena.
"A reportagem do Diário Catarinense procurou a Funai oficialmente – e também via Lei de Acesso à Informação – e não teve resposta. Trata-se de dinheiro público, do nosso e do seu bolso, e que deveria ser direcionado aos índios. Mas, além de não ter destino esclarecido, não há nenhuma garantia de que tenha chegado aos indígenas", diz.
O Diário destaca que ouviu os índios e menciona o que originou o processo de demarcação, Milton Moreira, o primeiro a migrar para o litoral de Santa Catarina nos anos 90, Augusto Silva, e o que foi cacique em Morro dos Cavalos até 2009, Arthur Benites. Todos dizem que o local é inadequado ao plantio, que viviam dependentes de programas sociais e que não tinha recursos para a alimentação, então migraram em caminhões fretados pela Funai e foram induzidos por antropólogos.
O jornal diz ainda que, diferente do relatado texto, a reportagem apresenta documentos oficiais utilizados no processo de demarcação, no qual expõe estudos feitos pela própria Funai e análises da área técnica do Tribunal de Contas da União e depoimentos de indígenas.

O Diário Catarinense rebate também o questionamento da jornalista pela reportagem ter ouvido o antropólogo Edward Luz e explica que o consultou, uma vez que é autor do laudo oficial da Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina. Além disso, o veículo contesta os estudos do Centro de Trabalho Indígena (CTI), que também já criticou a série.
De acordo com o Diário , quatro páginas inteiras estão destinadas à presidente da Funai, Maria Augusta Assirati, e a antropólogos do CTI - Maria Inês Ladeira e Gilberto Azanha. Também diz que deixa claro que Edward Luz é desafeto da Associação Brasileira de Antropologia.
"Morro dos Cavalos é um caso de interesse público, que envolve direitos humanos, e deve, sim, estar nas páginas de um jornal. Textos como este têm como interesse apenas difamar e desqualificar – em vez de promover o debate. Temos documentos, vídeos, áudio, fotografias de tudo o que foi publicado na reportagem. Leviano seria ouvir o depoimento de um indígena que diz com todas as letras 'o índio não é o culpado, o índio está sendo usado' e se calar", conclui o veículo.
A série "Terra Contestada" foi produzida por Joice Bacelo, Ivan Rodrigues, Ricardo Stefanelli, Guilherme Mazui, Ronald Batista e Fabio Nienow.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves

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