Deterioração institucional: nova agressão de Bolsonaro à imprensa gera onda de repúdio (e de apoio)
Em dezembro de 2019, um homem perguntou ao presidente Jair Bolsonaro se ele tinha comprovantes dos empréstimos que usa como álibi para os depósitos suspeitos feitos pelo ex-assessor Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Atualizado em 24/08/2020 às 11:08, por
Redação Portal IMPRENSA.
homem perguntou ao presidente Jair Bolsonaro se ele tinha comprovantes dos empréstimos que usa como álibi para os depósitos suspeitos feitos pelo ex-assessor Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O presidente na ocasião respondeu: "Pergunta para a sua mãe o comprovante que ela deu para o seu pai"
Neste domingo (23), durante uma visita do presidente à Catedral de Brasília, um repórter do jornal O Globo perguntou sobre cheques no valor total de R$ 89 mil que teriam sido depositados entre 2011 e 2016 por Queiroz e a esposa dele, Márcia Aguiar, na conta de Michelle.
Crédito:Reprodução Twitter Mensagem de apoio a Bolsonaro: ameaças a jornalistas desnudam deterioração institucional
Dessa vez o presidente respondeu: "vontade de encher tua boca com uma porrada, tá? Seu safado”.
Desde que foi desferida, a ameaça de agressão física ao jornalista do Globo gerou uma onda de reações que incluem notas de repúdio de diferentes entidades ligadas a liberdade de expressão, condenação de políticos, artistas e personalidades públicas, além de uma forte repercussão na imprensa internacional, manchando ainda mais a imagem do país lá fora.
Diante da forte repercussão negativa, apoiadores do presidente se mobilizaram em sua defesa, adotando, dentre outras estratégias, a tese de que a agressão foi sinal de defesa à esposa e de integridade de Bolsonaro. Bolsonaristas lançaram mão até de um áudio manipulado para culpar o jornalista, num tipo de retórica que desnuda a deterioração da situação institucional brasileira.
Mobilizados pela estrutura digital de apoio a Bolsonaro, muitos brasileiros foram às redes sociais afirmar que jornalistas merecem "tomar porrada na boca" e dizer que o presidente "só errou" em não agredir o repórter.
No lado das entidades em defesa da democracia e da imprensa, Abraji, Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Observatório da Liberdade de Imprensa da OAB e Repórteres Sem Fronteiras se solidarizam ao jornalista do Globo e lembraram, em nota conjunta, que a reação de Bolsonaro foi incompatível com sua posição "no mais alto cargo da República" e "com as regras de convivência em uma sociedade democrática".
"Um presidente ameaçando ou agredindo fisicamente um jornalista é típico de ditaduras, não de democracias", descreveu o texto das entidades.
Repercussão internacional
A nova agressão de Bolsonaro à imprensa está tendo grande repercussão fora do país. O "ABC", da Espanha, por exemplo, lembrou que não é a primeira vez que Bolsonaro responde de forma agressiva a perguntas sobre Queiroz.
Na Inglaterra, Sky News, Guardian, Independent e Daily Mail também destacaram a ameaça em suas editorias de temas internacionais, assim como as agências AFP e Reuters.
O texto da Reuters, aliás, foi reproduzido no site do New York Times.
Na Argentina, Clarín e La Nación se preocuparam em contextualizar o episódio, informando que Flavio Bolsonaro é investigado por desviar o salário de funcionários de seu gabinete quando era deputado estadual.
Repúdio da sociedade civil
A resposta do presidente ao repórter do Globo desencadeou uma onda de críticas não apenas de políticos e entidades jornalísticas e de direitos humanos. O repúdio acabou viralizando nas redes sociais.
No Twitter, a pergunta do repórter que irritou Bolsonaro foi repetida mais de 1 milhão de vezes em menos de 24 horas. Segundo o professor Fabio Malini, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), ela foi replicada mil vezes a cada 40 segundos.
Em nota, o jornal O Globo afirmou que “tal intimidação mostra que Jair Bolsonaro desconsidera o dever de qualquer servidor público, não importa o cargo, de prestar contas à população”.
O presidente na ocasião respondeu: "Pergunta para a sua mãe o comprovante que ela deu para o seu pai"
Neste domingo (23), durante uma visita do presidente à Catedral de Brasília, um repórter do jornal O Globo perguntou sobre cheques no valor total de R$ 89 mil que teriam sido depositados entre 2011 e 2016 por Queiroz e a esposa dele, Márcia Aguiar, na conta de Michelle.
Crédito:Reprodução Twitter Mensagem de apoio a Bolsonaro: ameaças a jornalistas desnudam deterioração institucional
Dessa vez o presidente respondeu: "vontade de encher tua boca com uma porrada, tá? Seu safado”.
Desde que foi desferida, a ameaça de agressão física ao jornalista do Globo gerou uma onda de reações que incluem notas de repúdio de diferentes entidades ligadas a liberdade de expressão, condenação de políticos, artistas e personalidades públicas, além de uma forte repercussão na imprensa internacional, manchando ainda mais a imagem do país lá fora.
Diante da forte repercussão negativa, apoiadores do presidente se mobilizaram em sua defesa, adotando, dentre outras estratégias, a tese de que a agressão foi sinal de defesa à esposa e de integridade de Bolsonaro. Bolsonaristas lançaram mão até de um áudio manipulado para culpar o jornalista, num tipo de retórica que desnuda a deterioração da situação institucional brasileira.
Mobilizados pela estrutura digital de apoio a Bolsonaro, muitos brasileiros foram às redes sociais afirmar que jornalistas merecem "tomar porrada na boca" e dizer que o presidente "só errou" em não agredir o repórter.
No lado das entidades em defesa da democracia e da imprensa, Abraji, Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Observatório da Liberdade de Imprensa da OAB e Repórteres Sem Fronteiras se solidarizam ao jornalista do Globo e lembraram, em nota conjunta, que a reação de Bolsonaro foi incompatível com sua posição "no mais alto cargo da República" e "com as regras de convivência em uma sociedade democrática".
"Um presidente ameaçando ou agredindo fisicamente um jornalista é típico de ditaduras, não de democracias", descreveu o texto das entidades.
Repercussão internacional
A nova agressão de Bolsonaro à imprensa está tendo grande repercussão fora do país. O "ABC", da Espanha, por exemplo, lembrou que não é a primeira vez que Bolsonaro responde de forma agressiva a perguntas sobre Queiroz.
Na Inglaterra, Sky News, Guardian, Independent e Daily Mail também destacaram a ameaça em suas editorias de temas internacionais, assim como as agências AFP e Reuters.
O texto da Reuters, aliás, foi reproduzido no site do New York Times.
Na Argentina, Clarín e La Nación se preocuparam em contextualizar o episódio, informando que Flavio Bolsonaro é investigado por desviar o salário de funcionários de seu gabinete quando era deputado estadual.
Repúdio da sociedade civil
A resposta do presidente ao repórter do Globo desencadeou uma onda de críticas não apenas de políticos e entidades jornalísticas e de direitos humanos. O repúdio acabou viralizando nas redes sociais.
No Twitter, a pergunta do repórter que irritou Bolsonaro foi repetida mais de 1 milhão de vezes em menos de 24 horas. Segundo o professor Fabio Malini, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), ela foi replicada mil vezes a cada 40 segundos.
Em nota, o jornal O Globo afirmou que “tal intimidação mostra que Jair Bolsonaro desconsidera o dever de qualquer servidor público, não importa o cargo, de prestar contas à população”.





