Desinformação de massa - Por Karina Padial/PUC-SP
Desinformação de massa - Por Karina Padial/PUC-SP
Atualizado em 17/08/2005 às 11:08, por
Karina Padial Garcia e estudante de jornalismo da PUC-SP.
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Diante de todas as questões levantadas frente a todos os últimos acontecimentos da política brasileira, mais uma nos deixa intrigado: será que a imprensa durante todos os seus anos de existência nos preparou para discutir e debater esses problemas com informações sólidas, ou será que somos leitores passivos e estamos com o pensamento uniformizado?
A imprensa moderna fundamentada em padrões rigorosos de objetividade pouco dá espaço para os debates públicos. O papel da mídia nos dias atuais se restringe quase tão somente a fazer circular informações e, dessa maneira, acaba por abandonar a função de agente promotor de discussões da nossa cultura.
A mídia é formadora de opinião, mas uma opinião massificada capaz de atingir ao mesmo tempo classes sociais totalmente distintas, sem conteúdo suficiente para a construção de argumentos concretos, deixando de cultivar a habilidade de ampliar as fronteiras da compreensão para além das páginas dos jornais ou telas de televisão.
Os debates políticos, por exemplo, que outrora chegaram a reunir quinze mil pessoas ao redor de Lincoln e Douglas, são, atualmente, sessões de interrogatórios a que os jornalistas, com perguntas previamente formuladas e previsíveis, submetem os candidatos que tem um tempo estipulado, controlado por relógio, para responder. Estes debates favorecem a formação de políticos irreais. Preparados por marqueteiros, eles estão repletos de números, slogans e fatos que transmitem ao público uma sensação de ampla e inabalável competência. Estes debates estão tão distantes da participação popular que o termo democracia não faz jus ao que é aplicado.
A imprensa, nesse caso, se coloca na contramão da formação de um ponto de vista pelo espectador.
Para que houvessem discussões públicas e, assim, construção de argumentos individuais, seria necessário que a mídia se comprometesse com a divulgação de informações que sugerissem e permitissem o debate.
Outro fator que agrava a difusão de uma opinião definida pelos meios de comunicação é a indústria da publicidade que fez com que a imprensa minimizasse sua função mais importante: a de se estender à esfera pública. Para os anunciantes, são interessantes reportagens que não emitam pontos de vista. Essa neutralidade aumenta a garantia de um público que será alvo certo do produto anunciado.
Não podemos esquecer que quando as palavras são usadas como meros instrumentos da publicidade, perdem o seu poder de persuasão, e mais uma vez massifica a informação limitando a habilidade de construção de uma argumentação.
A conseqüência da falta da emissão de opiniões é a desinformação. Geram-se leitores-espectadores capazes apenas de assimilar os conteúdos, mas incapazes de fazer a análise crítica deles. Portanto, é possível que após o desfecho dos escândalos no centro do governo, muitos brasileiros deixem de ter interesse pela política e esqueçam as figuras que estavam envolvidas nos casos de corrupção.

Diante de todas as questões levantadas frente a todos os últimos acontecimentos da política brasileira, mais uma nos deixa intrigado: será que a imprensa durante todos os seus anos de existência nos preparou para discutir e debater esses problemas com informações sólidas, ou será que somos leitores passivos e estamos com o pensamento uniformizado?
A imprensa moderna fundamentada em padrões rigorosos de objetividade pouco dá espaço para os debates públicos. O papel da mídia nos dias atuais se restringe quase tão somente a fazer circular informações e, dessa maneira, acaba por abandonar a função de agente promotor de discussões da nossa cultura.
A mídia é formadora de opinião, mas uma opinião massificada capaz de atingir ao mesmo tempo classes sociais totalmente distintas, sem conteúdo suficiente para a construção de argumentos concretos, deixando de cultivar a habilidade de ampliar as fronteiras da compreensão para além das páginas dos jornais ou telas de televisão.
Os debates políticos, por exemplo, que outrora chegaram a reunir quinze mil pessoas ao redor de Lincoln e Douglas, são, atualmente, sessões de interrogatórios a que os jornalistas, com perguntas previamente formuladas e previsíveis, submetem os candidatos que tem um tempo estipulado, controlado por relógio, para responder. Estes debates favorecem a formação de políticos irreais. Preparados por marqueteiros, eles estão repletos de números, slogans e fatos que transmitem ao público uma sensação de ampla e inabalável competência. Estes debates estão tão distantes da participação popular que o termo democracia não faz jus ao que é aplicado.
A imprensa, nesse caso, se coloca na contramão da formação de um ponto de vista pelo espectador.
Para que houvessem discussões públicas e, assim, construção de argumentos individuais, seria necessário que a mídia se comprometesse com a divulgação de informações que sugerissem e permitissem o debate.
Outro fator que agrava a difusão de uma opinião definida pelos meios de comunicação é a indústria da publicidade que fez com que a imprensa minimizasse sua função mais importante: a de se estender à esfera pública. Para os anunciantes, são interessantes reportagens que não emitam pontos de vista. Essa neutralidade aumenta a garantia de um público que será alvo certo do produto anunciado.
Não podemos esquecer que quando as palavras são usadas como meros instrumentos da publicidade, perdem o seu poder de persuasão, e mais uma vez massifica a informação limitando a habilidade de construção de uma argumentação.
A conseqüência da falta da emissão de opiniões é a desinformação. Geram-se leitores-espectadores capazes apenas de assimilar os conteúdos, mas incapazes de fazer a análise crítica deles. Portanto, é possível que após o desfecho dos escândalos no centro do governo, muitos brasileiros deixem de ter interesse pela política e esqueçam as figuras que estavam envolvidas nos casos de corrupção.






