Desiludido, americano cria o "projeto de plano B" para ajudar jornalistas insatisfeitos
Você, jornalista, largaria sua carreira para investir em um plano B? Em meio à crescente crise no jornalismo, que tem abalado milhões de profissionais da comunicação todos os dias, não é anormal dizer que este tipo de pensamento tem se tornado cada vez mais recorrente.
Atualizado em 17/09/2015 às 18:09, por
Matheus Narcizo*.
para investir em um plano B? Em meio à crescente crise no jornalismo, que tem abalado milhões de profissionais da comunicação todos os dias, não é anormal dizer que este tipo de pensamento tem se tornado cada vez mais recorrente.
Crédito:Arquivo pessoal Russ Kendall ajuda jornalistas a encontrar futuro em outras profissões
Fotojornalista há 35 anos, o americano Russ Kendall chegou ao seu limite dentro das redações em julho deste ano, ao descobrir que o veículo no qual trabalhava, o jornal Bellingham Herald , havia demitido mais uma colega de profissão. O novo "corte" foi a gota d’água para ele, que decidiu investir em seu plano B: cozinhar.
Depois de tantos anos envolvido com o jornalismo – tem oito livros sobre fotojornalismo lançados – ele temia que o novo investimento pudesse não render o esperado. Mas, ao contrário, o negócio – uma empresa de pizzas à lenha – tem rendido muito além do que imaginava. Muito mais do que o próprio jornalismo.
Após se dar conta de que negócio havia deslanchado, Kendall teve a ideia de criar o " " (Qual seu plano b?, em português), grupo criado no Facebook que propõe discussões, debates e até conselhos motivacionais a profissionais que estejam propensos a deixar a profissão.
"A intenção do grupo é a de ajudar as pessoas a encontrar uma vida e um trabalho depois do jornalismo. As mesmas qualidades que fazem jornalistas serem bons no que fazem – sua tenacidade, curiosidade e habilidade de ser multitarefa – são as mesmas qualidades que irão ajudá-los a ter sucesso com seu plano B", diz.
O plano B
Kendall começou a cogitar a possibilidade de criar um negócio ligado à gastronomia ainda quando trabalhava dentro da redação. Cozinhar, para ele, é algo tão próximo que talvez não tenha sido tão difícil quanto parece abandonar o jornalismo. "Eu sempre amei cozinhar. Meu avô era cozinheiro e me ensinou a cortar cebolas com uma faca de chefe quanto eu tinha apenas seis anos. Consegui aliar essa paixão com a satisfação de gerir o meu próprio negócio".
Agora pizzaiolo e dono do "Gusto: Wood fired pizza", ele tem conseguido agradar o paladar dos moradores de Bellingham. "A empresa se tornou um sucesso de forma rápida. Agora eu tenho usado o grupo no Facebook para ajudar jornalistas que prosseguem sendo demitidos", diz, ressaltando sua descrença em uma melhora no atual panorama estrutural da profissão
"Eu não acho que o jornalismo está morrendo. Acho que o jornalismo corporativo é que está morrendo por valorizar o dinheiro acima das pessoas. Demitir 25% de seu quadro e substituir um conteúdo de qualidade por artigos gratuitos enviados pelos leitores não parece algo inteligente. A tendência é de que o jornal impresso acabe aos poucos, principalmente porque não há mais conteúdo de qualidade".
Crédito:Arquivo pessoal Russ Kendall ajuda jornalistas a encontrar futuro em outras profissões
Fotojornalista há 35 anos, o americano Russ Kendall chegou ao seu limite dentro das redações em julho deste ano, ao descobrir que o veículo no qual trabalhava, o jornal Bellingham Herald , havia demitido mais uma colega de profissão. O novo "corte" foi a gota d’água para ele, que decidiu investir em seu plano B: cozinhar.
Depois de tantos anos envolvido com o jornalismo – tem oito livros sobre fotojornalismo lançados – ele temia que o novo investimento pudesse não render o esperado. Mas, ao contrário, o negócio – uma empresa de pizzas à lenha – tem rendido muito além do que imaginava. Muito mais do que o próprio jornalismo.
Após se dar conta de que negócio havia deslanchado, Kendall teve a ideia de criar o " " (Qual seu plano b?, em português), grupo criado no Facebook que propõe discussões, debates e até conselhos motivacionais a profissionais que estejam propensos a deixar a profissão.
"A intenção do grupo é a de ajudar as pessoas a encontrar uma vida e um trabalho depois do jornalismo. As mesmas qualidades que fazem jornalistas serem bons no que fazem – sua tenacidade, curiosidade e habilidade de ser multitarefa – são as mesmas qualidades que irão ajudá-los a ter sucesso com seu plano B", diz.
O plano B
Kendall começou a cogitar a possibilidade de criar um negócio ligado à gastronomia ainda quando trabalhava dentro da redação. Cozinhar, para ele, é algo tão próximo que talvez não tenha sido tão difícil quanto parece abandonar o jornalismo. "Eu sempre amei cozinhar. Meu avô era cozinheiro e me ensinou a cortar cebolas com uma faca de chefe quanto eu tinha apenas seis anos. Consegui aliar essa paixão com a satisfação de gerir o meu próprio negócio".
Agora pizzaiolo e dono do "Gusto: Wood fired pizza", ele tem conseguido agradar o paladar dos moradores de Bellingham. "A empresa se tornou um sucesso de forma rápida. Agora eu tenho usado o grupo no Facebook para ajudar jornalistas que prosseguem sendo demitidos", diz, ressaltando sua descrença em uma melhora no atual panorama estrutural da profissão
"Eu não acho que o jornalismo está morrendo. Acho que o jornalismo corporativo é que está morrendo por valorizar o dinheiro acima das pessoas. Demitir 25% de seu quadro e substituir um conteúdo de qualidade por artigos gratuitos enviados pelos leitores não parece algo inteligente. A tendência é de que o jornal impresso acabe aos poucos, principalmente porque não há mais conteúdo de qualidade".
A desilusão é tanta que, mesmo após uma carreira de 35 anos envolvido com o jornalismo, o recente empreendimento parece ter retirado todo o espírito "foca" do americano. Hoje, ele se vê como cozinheiro e não como jornalista. "Meu negócio continua crescendo e me interesso cada vez menos pelo fotojornalismo e cada vez mais pela cozinha", finaliza.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves





