"Desde pequeno eu era levado para as redações", diz Milton Jung, âncora da CBN, que perdeu o pai jornalista no domingo

Milton Ferreti Jung, jornalista, gremista e pai do âncora da CBN - São Paulo Milton Jung, morreu aos 84 anos neste domingo, 28, em Porto Alegre (RS).

Atualizado em 29/07/2019 às 12:07, por Redação Portal IMPRENSA.

Se notabilizou no quadro Correspondente Renner, que trazia as principais notícias, quatro vezes ao dia. Narrou 3 Copas (1974, 1978 e 1986), fez radioteatro e locução comercial.
Antes da Guaíba, trabalhou por 4 anos na Rádio Canoas. Católico dedicado, o jornalista tinha ótima dicção e não deixava a voz falhar nem mesmo quando a notícia mexia com ele, como quando aconteceu o atentado contra o Papa João Paulo II, em 1981.
No esporte, Milton era conhecido por ser um gremista fanático. Presenciou a inauguração e desativação do Estádio Olímpico Monumental. Seu bordão nas narrativas: "Gol gol gol". Nome de um prêmio para locutores organizado pela Revista Press, Jung passou pela TV, onde teve de adaptar a narração dos jogos que fazia no rádio.
Crédito:Arquivo Pessoal

Conforme texto do jornalista Pedro Durán para o CBN Esporte, Milton chegou a dividir os microfones com o filho em jogos do Grêmio. "Desde muito pequeno eu vivo no meio do jornalismo e vivo mesmo, porque era levado pelo meu pai ou pelo meu tio para as redações de rádio ou de jornal. Eu tinha assim na minha mente o seguinte: eu serei jornalista, mas jamais irei trabalhar em rádio, jamais irei trabalhar na rádio Guaíba de Porto Alegre. E por que eu não queria trabalhar em rádio e nem na Guaíba? Eu sou 'Júnior', meu pai é Milton Ferretti Jung e eu sou Milton Ferretti Jung Júnior. E eu ficava pensando o seguinte: ir trabalhar no mesmo local que ele, no mesmo veículo que ele, é uma concorrência desleal. Eu achava que não era o meu caminho, mas todos me empurravam para o rádio", contou Milton filho ao colega da CBN.
Milton chegou a ter um AVC ao vivo, em 2007, enquanto apresentava o quadro Correspondente Renner. Depois do episódio, foi perdendo peso e memória. Fumou intensamente durante décadas, o que agravou seu quadro de saúde. Além do âncora da CBN, Jung deixa a esposa, a professora Jacqueline Jung, e o filho mais novo do casal, Christian, que herdou do pai um fusca azul.