Desde os anos 80 na crônica esportiva, Regiani Ritter prova que mulher entende de futebol

Regiani Ritter não foi a primeira mulher a ter a "ousadia" de ser repórter de esportes, mas é considerada pioneira por ter sido a primeira a entrar num vestiário e por permanecer na profissão, antigamente dominada pelo “Clube do Bolinha.

Atualizado em 30/04/2014 às 09:04, por Jéssica Oliveira e Vanessa Gonçalves.

primeira mulher a ter a "ousadia" de ser repórter de esportes, mas é considerada pioneira por ter sido a primeira a entrar num vestiário e por permanecer na profissão, antigamente dominada pelo “Clube do Bolinha. Aos poucos, ela provou que mulher não só sabe falar de futebol, como o faz com maestria e competência.

Considerada uma das profissionais mais completas na área da comunicação, Regiani foi atriz, cantora, anunciadora, repórter de TV, rádio e jornal (os três veículos ao mesmo tempo), comentarista e apresentadora, e figura entre os principais nomes do jornalismo esportivo do país. Crédito:Luiz Murauskas Regiani Ritter em entrevista à IMPRENSA na Fundação Cásper Líbero em São Paulo Mas a trajetória não foi fácil: ela recebeu convites para "teste do sofá", foi desmerecida e ouviu "volta para a cozinha" e "a voz feminina pode tirar a credibilidade da informação esportiva" de colegas, foi ofendida por torcedores, entre outras barreiras — todas colocadas no chão.

"Classifiquei em três categorias: os que me receberam muito bem eram os bons, que não temiam a concorrência, nem de homem, nem de mulher; os médios, com uma leve desconfiança tentando ser simpáticos sem conseguir; e os que me receberam mal, que eram pouquíssimos, como os péssimos, que estavam por apadrinhamento, por engano de alguém", diz.

Mesmice fora de campo
A experiência ao longo da carreira tornou Regiani uma observadora do jornalismo esportivo. Crítica ferrenha da pasteurização das entrevistas coletivas, ela afirma que a imprensa da área se acomodou e "foi no embalo da mesmice, da repetição e do eco".

"Dá tristeza, só que você tem um repórter de 50 anos de idade, 30 de carreira, chegando num jogador e perguntando: 'como foi o jogo?' Ah, não, pelo amor de Deus, você [repórter] fala como foi o jogo! Faz outra pergunta!", aponta.

Segundo ela, a criatividade ela está sendo preterida em função da busca pela quantidade. "Quais são as perguntas padrão: como foi o jogo de hoje? Como foi o treino de hoje? Como vai ser o jogo de amanhã? Acabou o recurso do repórter de hoje. A cada ano piora", lamenta.

Um sonho a realizar
Quando deixou a fazenda Pedregulho, no município de Ibitinga (SP), ainda adolescente, Regiani tinha uma porção de sonhos. Ainda hoje ela adora projetar as coisas e realizar imediatamente, pois se passar "um pouquinho de tempo" não é para ser, e ela parte para outra porque tem pressa.

"A vida é muito curta. Ela é fascinante, maravilhosa... e curta demais!! Não dá para fazer tudo que se tem vontade, nem tudo que ela te oferece o direito de fazer. Se eu debruçar sobre o passado, eu não vivo hoje e não projeto o amanhã. E é só o amanhã, porque o depois não dá, é tudo a curtíssimo prazo. Tem que correr. E muito", defende.

Com mais de 30 anos de carreira no jornalismo esportivo, ela continua "correndo" e "sonhando" todos os dias, "que é pra fazer a vida valer a pena". Questionada se havia um sonho ainda não realizado na profissão, ela foi enfática: fazer uma jornada esportiva com José Silvério.

"Eu queria fazer uma transmissão de jogo no gramado como repórter com o José Silvério. Sabe aquele narrador dos seus sonhos, que é para você o melhor narrador do mundo? Não dá para explicar o que eu sinto com ele narrando um jogo, seja de que time for", revelou.
Confira o perfil na íntegra na edição 300, de abril, de IMPRENSA.
Veja a galeria de foto com Regiani Ritter:



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